quinta-feira, 9 de abril de 2009

a coluna de JP Guerra no Diário Económico

Cacaracá
08/04/09 | João Paulo Guerra

O doutor Durão Barroso já conta com o apoio de 20 governos e de outras tantas marcas de máquinas eleitorais para vir a ser reconduzido na presidência da Comissão Europeia.

Entre tais apoios contam-se alguns governos que se reivindicam de socialistas. O que prova algumas coisas: que a euforia a favor da mudança no mundo personificada em Barack Obama é tão aparente como o socialismo de alguns socialistas pós-modernos que são capazes de tudo. Por exemplo, capazes de contribuir para manter na ribalta um figurante da famigerada reunião que declarou uma guerra com motivo numa mentira, derradeiro abencerragem do séquito de George W. Bush nas Lajes.

Entre os socialistas dispostos a reconduzir o doutor Durão Barroso contam-se, como seria de todo previsível, os portugueses. O Partido Socialista português tem uma permanente e fatal atracção pelo abismo da direita e está sempre disposto a dar o tal passo em frente. E aconteceu agora mais uma vez quando o líder do PS, falando na qualidade de chefe do Governo, deu como adquirido e consumado o apoio do partido à recondução de Durão Barroso. No que, aliás, foi imediatamente acolitado por alguns dos incondicionais de serviço.

A declaração de apoio a Durão Barroso abriu uma leve contestação no PS. Mas contestações no PS, hoje em dia, são desavenças de cacaracá e não produzem efeitos que dêem notícia. Tirando os que ganharam o estatuto para dizer tudo, ou não ganharam o estatuto mas dizem, mais uma dúzia de mulheres e homens de coragem e sem nada a perder, os discordantes vão baixar rapidamente o nível da discordância e meter a viola no saco. Isso de viola era no tempo das baladas de Coimbra e baladas leva-as o vento que passa. Ah, pois passa.


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