domingo, 19 de abril de 2009

a universidade em ruínas: os silêncios da JS

Berto Messias, Presidente da JS Açores, seguindo a velha máxima publicitária "a repetição funciona", resolveu publicar o mesmo artigo na edição de Sábado do Diário Insular e do Açoriano Oriental, sobre a asfixia financeira das nossas universidades.

Algumas coisas surpreenderam-me no seu texto: 1) o reconhecimento explícito de que existe uma situação de asfixia financeira das universidades e o consequente reconhecimento implícito de que os Governos do PS nada fizeram para o resolver.
2) Finalmente, depois de muitos, mesmo muitos, anos a negá-lo, a JS finalmente reconhece que as propinas não são usadas, como prometido, para aumentar a qualidade de ensino, mas sim para substituir o financiamento do Estado, conforme avisavam os estudantes quando António Guterres lhes impôs uma lei de propinas.

Fico honestamente contente que a JS, ao mais alto nível reconheça finalmente estes dois factos e nem quero acreditar que Berto Messias esteja a ter uma posição meramente regional, julgando que a direcção nacional da JS não lê os dois principais diários açorianos...

Para o autor o problema é "cultural" e advém do facto de se pagar muito dinheiro em salários na Universidade. Pois... Prefere não dizer que boa parte dos nossos melhores professores e investigadores prefere ir para Universidades estrangeiras, devido às misérias que ganham em Portugal.

Escolhe silenciar que foi o PS, a par de PSD e CDS, que impuseram uma visão "comercial", de merceeiro, do financiamento do Ensino Superior, obrigando as Universidades a, desse lá por onde desse, arranjarem receitas próprias (propinas) e que agora é Mariano Gago que as quer obrigar a transformarem-se em fundações de direito privado, para que o Estado possa calmamente lavar daí as suas mãos...

Do ponto de vista regional, deixo duas perguntas: não valeria a pena a Universidade dos Açores manter alguns cursos, mesmo que com poucos alunos, mesmo que pouco rentáveis financeiramente, como arquitectura, ou direito, de forma a impedir que centenas de jovens açorianos tivessem de "emigrar" para o continente, quantas vezes de vez? Não deveria o Estado (todos nós, portanto) a assumir os encargos com a Universidade, como factor decisivo para o futuro do país?

3 comentários:

Ricardo Ferreira disse...

Relativamente à JS regional, pouco sei pois encontro-me na região só há 8 meses.

No que diz respeito À JS Nacional, ou mais especificamente à JS Distrital do Porto, da qual fiz parte da direcção no ano transacto, informo-o que a mesma possui opinião própria e transmite-a nos locais adequados e da forma adequada. A mesma JS permite liberdade de opiniões aos seus membros, pelo que muitas vezes divergi publicamente do PS e do resto da JS.

É assim que se passa no Continente. Nos Açores, não sei, mas parece-me que a democracia também já chegou aqui.

Tiago R. disse...

Aqui há uns anos atrás, quando se tratava da introdução das propinas, a JS estava toda bastante mais unida.

Ou será que a democracia inda não tinha chegado?

Anónimo disse...

A Universidade não deve ser um buraco sem fundo nem um pesadelo para os contribuintes.

Se há nas universidades quem trabalha, também há muito maladrão velhaco, que só sabe engordar.