segunda-feira, 11 de maio de 2009

coragem, visão, coerência

Perante um défice de 1,84 biliões de dólares, a administração Obama reduz a carga fiscal sobre a classe média e as pequenas empresas, ao mesmo tempo que corta benefícios fiscais às grandes empresas e reintroduz um imposto máximo para as grandes fortunas.

A isto tem de se chamar justiça e cumprimento dos compromissos que assumiu com o povo americano.

A isto chama-se visão, pois só com a introdução de factores objectivos de justiça social e equilíbrio na distribuição de rendimentos é que se poderá vencer a crise.

Sobretudo, um gesto de profunda coragem aos enfrentar os interesses instalados que arruinaram a economia norte-americana.

Soubessem os nossos governos aprender com o exemplo...

4 comentários:

Rogério Paulo Pereira disse...

Acho curioso ver a esquerda apreciar tanto, e bem, as medidas de Obama e não reindivicar medidas idênticas. Não lhe parecia justo uma redução de impostos para a classe média e para as pequenas empresas? Fico sempre com a impressão que para a nossa esquerda classe média é burguesia e empresário é capitalista, independentemente de ser grande ou pequeno.

Tiago R. disse...

Creio que o problema está na falta de rigor do conceito "classe média".

É que enquanto nos EUA "classe média" quer dizer os trabalhadores e micro-empresários (e é a eles que estas medidas se dirigem), em Portugal usa-se a expressão "classe média" como referente a profissionais liberais, quadros superiores e empresários médios.

Por outro lado, sectores há na esquerda portuguesa que desde sempre reclamaram medidas sérias de apoio aos micro e pequenos empresários. São base da nossa economia e do nosso mercado de trabalho. Ao contrário dos bancos e das grandes empresas!

Rogério Paulo Pereira disse...

Não me convence. Não entendo porque acha que em Portugal um profissional liberal ou um quadro superior não pode ser um trabalhador ou micro-empresário, já que muitos o são.
Quanto à esquerda reclamar medidas sérias para apoio às micro-empresas (fiscais entenda-se, pois é dessas que Obama está a tratar) não a vejo fazê-lo. Não se encontra um texto ou uma notícia onde isso aconteça.
De facto estas empresas são a base da economia e criam 75% do emprego no país. Penso que o problema é que não são a base eleitoral da esquerda.

Tiago R. disse...

Alguns exemplos:
Conclusões das jornadas parlamentares do PCP - Abril 2009
"congele os preços na energia, nas telecomunicações e nas portagens; apoie a concessão de créditos e seguros de crédito às micro, pequenas e médias empresas e concretize acordos para o pagamento das respectivas dívidas às Finanças e Segurança Social"
http://www.pcp.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=33675&Itemid=196

Ou: Intervenção do PCP no sobre o código do IVA: http://www.pcp.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=33808&Itemid=581

E podia arranjar-lhe dezenas de exemplos mais!