quinta-feira, 21 de maio de 2009

desemprego para lá da crise

É já uma infeliz banalidade a lamentação sobre o crescimento dos números do desemprego, nomeadamente sobre os que acabam de ser publicado na estatística mensal do IEFP.

Deles, no entanto, destaco um número que, creio, merece reflexão: O facto de 39,7% dos desempregados alegaram que perderam o emprego por "fim de trabalho não permanente". Na prática, não renovação de contratos a prazo.

O que também significa que estes postos de trabalho continuam lá, só que agora ocupados por um novo trabalhador precário. E essa é a questão. Não desvalorizando a intensa destruição de postos de trabalho causados pela crise, uma parte significativa destes números têm a ver com a generalização (que se aproxima da absolutização) do trabalho precário. E essa, não começou em Setembro de 2008!

As empresas sabem assim que podem contar com uma multidão de trabalhadores desempregados, muitos deles altamente qualificados, que vão fazendo passagens breves e sucessivas pelo mercado de trabalho (veja-se também a percentagem de desempregados de curta duração). Isto permite-lhes, na prática, pagar sem preocupações os salários mais baixos possíveis e retirar quaisquer direitos laborais ou capacidade de reivindicação a estas pessoas.

É nesta camada pobre, sem perspectivas, poupanças, direitos ou influência social que estão a cair cada vez mais portugueses. É melhor começarmos a pensar na sociedade que estamos a criar, para lá do nevoeiro informacional da crise.

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