segunda-feira, 4 de maio de 2009

Europa: salve-se quem puder


Uma retracção da economia de 3,7%, a redução do consumo, o aumento do desemprego até perto dos 10% e, a cereja no bolo, o aumento do défice das contas públicas até perto dos 6,7% são as previsões para Portugal.

Os maiores países da UE preparam-se agora para tomar medidas de protecção às suas próprias economias, de apoio às suas indústrias e serviços, abandonando, até por não terem outra escolha, a política de contenção dos défices.

No meio da tempestade económica mundial, o frágil barco europeu, com a sua carga de mitos sobre a "solidariedade europeia" e sobre a estabilidade do sistema colectivo, pode ser dos primeiros a nafraugar. Portugal, com a sua pequena economia aberta, frágil e extremamente dependente será com certeza dos náufragos mais desprotegidos.

Não ganhámos nada com a política de "bons alunos", seguida desde os tempos de Cavaco Silva e seus sucessores. Valeu-nos sem dúvida muito a pena termos passado todo este tempo a fazer sacrifícios em nome do Pacto de Estabilidade (onde?) e Crescimento (que é dele?)!

3 comentários:

Ricardo Ferreira disse...

Talvez agora os ortodoxos ganhem um pouco de consciência e modifiquem de uma vez por todas o Pacto de Estabilidade e (pouco)Crescimento, que tem sido um garrote ao crescimento das economias europeias.

Felizmente, na actual situação estão a colocar o défice em plano secundário, no entanto aqui em Portugal, existem sempre os velhos do restelo a falar das gerações futuras e do endividamento.

Bem... se seguíssemos o que eles dizem, não existiriam gerações futuras.

Paulo Pereira disse...

A CE não é um sistema perfeito, mas não conheço outro melhor. E há quem pense entrar para a CE, ou para o euro, a fim de se proteger da crise.
A CE tem mantido, tb, o continente europeu em paz, o que já não é pouco.
Que sacrifícios faz Portugal pelo pacto de estabilidade?
Os déficits estrtural e corrente tem de passar a superativ, ou podemos passar a vida a gastar mais do que produzimos?
Alguém em seu juízo vai continuar a nos emprestar dinheiro, sem contrapartidas cada vez mais elevadas?

Tiago R. disse...

Concordo que a relativa estabilidade cambial do Euro pode ser um factor positivo para enfrentar a crise. Por outro lado, a abertura dos mercados teve, está a ter e terá efeitos devastadore sobre o nosso sector produtivo.

Claro que a UE é uma boa ideia. Mas o que precisamos é mesmo uma Europa da coesão social e, dessa, Portugal está a divergir há bastante tempo.