sábado, 9 de maio de 2009

Europa são eles

O PSD Açores acaba de lançar um blogue sobre a candidatura ao Parlamento Europeu da Maria do Céu Patrão Neves chamado "Somos Europa" com a estilosa terminação .EU e tudo!

O blogue começa com uma breve e lacónica mensagem de encorajamento de Duarte Freitas. Será o famoso humor negro social democrata?

Acho também péssima esta forma de iludir os eleitores (na qual os média cooperam activa e entusiasticamente, diga-se) que é a de fazer crer que há candidatos dos Açores ao Parlamento Europeu. Tratam-se de listas nacionais e todos os deputados portugueses (que agora são só 22, com o acordo de PS e PSD!) representam os Açores. Quanto mais enganarmos as pessoas, menos vontade elas terão de votar nestas eleições.

Não consigo ignorar a semelhança óbvia com o "nós europeus" do PS, nem deixar de pensar que é significativa... Que obsessão esta a do centrão (ou será que já posso dizer bloco central?) em relembrar-nos da posição geográfica que ocupamos há nove séculos!

Na hora de os eleger para irem de férias (bem) pagas para Estrasburgo, somos europeus.

Na hora de privatizar as nossas empresas e serviços públicos e os entregar ao capital estrangeiro, somos europeus.

Quando se desregulam as relações laborais e se agrava a precariedade e insegurança no emprego, somos mais europeus que a maior parte dos europeus.

Ao desmantelar-se a nossa agricultura, ao acabar-se com as quotas leiteiras que protegiam os nossos produtores, somos europeus.

Na hora de vermos os mares dos Açores a serem geridos por Bruxelas, ao serviço das grandes frotas de pesca industrial dos países do norte, destruindo os recursos que são o sustento dos nossos pescadores, somos europeus.

Mas, quando chega o fim do mês e olhamos para o recibo de vencimento, percebemos que na verdade não passamos de açorianos!

3 comentários:

Anónimo disse...

Mas na taxa de desemprego também não somos europeus ! Homessa! Nem no custo de vida !
Mas o bom é poder escolher, ter alternativas ao socialismo asfixiante, o que não acontece em Portugal. Na média da Europa o preço a pagar pelos ordenados mais elevados são taxas de desemprego mais elevadas. Mas aparentemente com maior rotatividade de empregos e muito menor tempo de permanência no desemprego. Pudessem muitos portugueses ser desempregados em alguns países da "nossa" querida Europa e não pensavam duas vezes! Eu era um deles!

A ilha dentro de mim disse...

Sei que nem tudo é perfeito nesta Europa. Mas será que ainda nos lembramos do que eram os Açores antes de entrarmos nela?

Tiago R. disse...

Caro anónimo:
Custo de vida não é a comparação dos preços nominais, mas sim o resultado da relação entre rendimentos e custos. Em termos de custo de vida, estamos mesmo bastante pior que a média europeia.
Depois, é uma perfeita falácia essa do desemprego mais elevado ser causado pelos salários mais elevados. Quanto a ser desempregado lá fora, apesar de tudo os regimes de protecção social são muito melhores que os nossos. Quem é que falou em socialismo asfixiante? Poder escolher entre o desemprego ou salário mínimo é a escolha que temos?

Cara Ilha Dentro de Mim:
é claro que as coisas naturalmente melhoraram muito. E assim tinha de ser.
Mas podíamos (e devíamos) estar muito melhor, especialmente em termos de coesão social.