terça-feira, 12 de maio de 2009

liberdade de cobardia

Não consigo mesmo entender porque é que diversos grupos parlamentares na ALRA deram liberdade de voto aos seus deputados na questão da sorte de varas.

É porque, sendo uma questão sobre a qual as pessoas terão naturalmente diversas e pessoais sensibilidades, é também uma questão demasiado importante para que os partidos, enquanto organizações representativas, se demitam da maçada incómoda de terem de ter uma opinião.

Pois eu penso que, no nosso sistema democrático os partidos têm mesmo de ter uma opinião!

Quanto a PS, PSD e CDS, entendo que queiram preservar bases eleitorais de apoio, na Terceira e fora dela, tentando não se comprometer e, dentro da medida do possível, agradar a gregos e troianos.

Agora, a posição do BE ao conferir liberdade de voto aos seus deputados é que é perfeitamente inexplicável! Como é que um partido que se reclama de esquerda, que tem tido, nesta matéria, posições correctas e avançadas se demite assim de ter e emitir opinião?

É que amanhã, quando intervierem no Parlamento, Zuraida Soares e José Cascalho vão fazê-lo em seu nome individual. O BE enquanto tal, estará ausente da discussão.

Lamenta-se.

5 comentários:

João Rodrigues disse...

Tiago, você não percebe qual é o conceito de liberdade de voto dentro do Bloco de Esquerda e que está a falar de uma coisa que não sabe... espere até à discussão, abraço e bom trabalho

Tiago R. disse...

Admito que não conheço as razões, mas lá que é estranho, é.

Naturalmente que aguardo com expectativa a explicação.

Paulo disse...

Os deputados bloquistas têm convicções e liberdade para as expressar. Não precisam, por isso, de ordens dadas por um qualquer Comité Central. Essa liberdade extravasa o tema em debate, sendo transversal a outros assuntos políticos.
Não se compreende a insistência de algumas pessoas e dirigentes subordinados ao pesado aparelho do Comité Central em desacreditar as lutas que, apesar de alheias, são, na maior parte das vezes, comuns a toda uma esquerda (sem contar com a pseudo-esquerda socrática)! Só pode ser dor de cotovelo para não dizer outra coisa!

Tiago R. disse...

Quando um Partido político se demite de ter opinião (como já aconteceu no parlamento dos Açores noutras ocasiões...) aí, sim, está a desacreditar a luta.

O problema da esquerda é que não basta parecê-la.

João Rodrigues disse...

Tiago, compreendo a estranheza do PCP. Abraço