sábado, 2 de maio de 2009

novo modelo velhas ideias

Berta Cabral veio afirmar que o transporte marítimo de passageiros precisa de um novo modelo em que "o Governo Regional não deve ser armador nem deve ser uma empresa de transportes marítimos.", deixando o sector para os privados, remetendo-se o Governo Regional a uma posição de mero "regulador".

Nos dias que correm, com a retracção do investimento dos privados, Berta Cabral sabe que é uma declaração perfeitamente inofensiva, porque nenhum privado está seriamente interessado em assumir posições num sector tão oneroso, complexo, incerto e pouco rentável, como são os transportes marítimos inter-ilhas. E ainda bem!

É preciso entender que na nossa situação insular muitos destes transportes nunca serão rentáveis, mas são absolutamente necessários. Permitir que a selecção de rotas, ou a sua frequência, por exemplo, fiquem sujeitas apenas a critérios de gestão empresarial é prejudicar seriamente as ilhas mais pequenas e as suas populações.

Berta precisava do seu "sound-byte" diário e resolveu fazer a defesa ideológica da privatização mecânica, sistemática e imponderada que o PSD sempre defendeu. Nada de útil. Nada de novo.

7 comentários:

geocrusoe disse...

eu até penso que não é rentável, mas assisti o trabalho do governo dos açores e da a atlanticoline para impedir o investimento privado da canadamar nesse sector. pelo menos interessados houve e impedimento desse investimento houve também...

Rui Rebelo Gamboa disse...

O único problema é a (ir)responsabilidade entre privado e público. Como bem se vê neste caso Atlântida, má gestão de dinheiros públicos dá no minimo uma mudança de de pasta, no máximo poderá dar a saída do Governo, sempre com muito boas contra-partidas.

Já o privado ou gere pensa muito bem todo o dinheiro que tem ao seu dispor, ou poderá perder tudo o que tem e até quem sabe ir parar À prisão. Com essas consequências em mente, a forma de encarar as decisões será sempre diferente, um encara de ânimo leve, o outro encar cada decisão como se a sua vida dependesse disso.

Tiago R. disse...

Acho que a questão do Atlântida não se coloca tanto entre gestão pública ou gestão privada.
Coloca-se mesmo no campo da incompetência absoluta, da qual deverá haver responsabilização!

Rui Rebelo Gamboa disse...

Concordo plenamente que a questão da incompetência é fundamental na novela Atlântida.

A questão ideológica que se pode levantar é o sentimento de impunidade que existe na gerência de dinheiros públicos, que será sempre impossível de acontecer no privado.

Quem defende a passagem para o privado de alguns serviços que o Estado ainda detém, como é o meu caso, não o faz para permitir o enriquecimento de poucos. Defendo-o porque acredito que as populações ficarão mais bem servidas. Defendo-o porque acredito que na trilogia Estado-Empresas-Famílias, na qual assenta a nossa Economia, cabe ao Estado dar condições para as Empresas gerarem riqueza. Penso eu que não sou economista ;)

Tiago R. disse...

"sentimento de impunidade que existe na gerência de dinheiros públicos, que será sempre impossível de acontecer no privado.", diz você.
Já ouviu falar do Lehman Brother's ou do BPN?

Rui Rebelo Gamboa disse...

mas veja bem que, levados às últimas consequências, podem dar prisão. Aliás, não sei se se recorda que há bem pouco tempo que o director da Freddie Mac suicidou-se. Onde é que um político se iria suicidar devido à má gestão?!? Como lhe digo, no minimo, troca-se-lhe a pasta, no máximo passa à reforma e nunca passa pela Justiça.

Novamente, há uma diferença abissal. O papel do Estado, que não foi assegurado nos casos que refere, é da regulação.

Tiago R. disse...

Olhe que a má gestão no sector público também pode (e devia em tantos casos) dar prisão.
E numa democracia que não estivesse infectada por este podre rotativismo PS-PSD as coisas não se passariam assim.

Quanto aos suicídios, permita-me que encare com um sorriso a demagogia do seu argumento...