terça-feira, 19 de maio de 2009

o fim dos bairros sociais


Finalmente os nossos governantes começam a perceber que empilhar centenas ou milhares de pessoas com problemas sociais graves e baixos rendimentos em blocos de apartamentos, tantas vezes de baixa qualidade, normalmente isolados das cidades, é uma receita para o desastre. Partilho da opinião expressa na lúcida 1ª coluna do Diário Insular.

Se os fundos utilizados na construção de habitação social nova passarem a servir para adquirir e reabilitar imóveis degradados no centro das nossas cidades e vilas, poderemos estar perante uma mudança importante.

Uma mudança do ponto de vista urbano, mas também social, mais do que tudo importa acabar com a criação de guetos e permitir a diversidade social, a diversidade de estratos sociais, no centro das cidades. Ganha a reabilitação e protecção do património construído, ganham os pequenos comerciantes, ganha a segurança urbana.

Mas o realojamento em meio urbano é sempre um processo complexo, por causa da disponibilidade dos fogos, tipologias adequadas, etc. Esperemos que este anúncio não vá apenas no sentido de distribuir cheques-habitação, demitindo-se o Governo Regional de garantir directamente a reabilitação das habitações necessárias. Seria a maneira rápida de estragar uma boa ideia...

2 comentários:

geocrusoe disse...

sou contra a prática de empilhar ou juntar gente com problemas económicos e ou sociais em espaços que se transformam depois em guehto. Integrar essas pessoas no seio da sociedade é a melhor forma, mas os serviços sociais nestes casos não pensem que basta realojar no seio dos outros e eles ficam integrados... terão de continuar técnicos sociais terão de continuar o seu trabalho tão intensamente nestes casos como nos outros e com técnicas inovadoras, para os objectivos serem conseguidos

Tiago R. disse...

Temos, também que diferenciar algumas situações.
Na nossa região há bairros que foram criados não em função da existência de bairros degradados com muitos problemas sociais, mas sim em função de sismos e outros desastres naturais que obrigaram a realojamentos "à pressa", em bairros sem qualidade urbana.
Não se pode também abandonar o que já está construido! Mas fico contente que não se construam mais.