quinta-feira, 11 de junho de 2009

derrotados


A sua visão neo-liberal e federalista da Europa, tão bem representada por Durão Barroso, e as políticas de direita que defendem e praticam nos respectivos países conduziram-nos a históricas derrotas eleitorais e, agora, ficam também isolados no apoio ao Presidente da Comissão.

Estes rostos representam a esquerda que se rendeu perante o liberalismo dominante, adoptando-o. Tentando ocupar o espaço à sua direita e "modenizar-se", acabou por abdicar da sua base de apoio social. Os "rebrandings" ideológicos têm destes perigos. As suas derrotas eram previsíveis e porventura inevitáveis.

O sete de Junho trouxe o toque a finados da "esquerda moderna" e anunciou o início do fim do logro ideológico dos principais partidos socialistas europeus. E, em boa hora, pois só com essa clarificação é possível encetar-se o caminho para a construção de uma alternativa de esquerda, plural, anti-liberal que possa fazer as rupturas necessárias com a prática política de direita que tem conduzido os destinos da Europa.

A ambição do resultado eleitoral a qualquer custo é uma tentação para todos os líderes políticos, em todos os quadrantes. Mas quando abdicam da sua identidade política, estão a condenar-ser a ser, mais do que vencidos, verdadeiramente derrotados.

3 comentários:

João Bruto da Costa disse...

Faltou somar a derrota geral dos partidos socialistas europeus e a vitória do PPE quase generalizada na Europa.
Faltou dizer que governos como o alemão, o Italiano e o Francês, ganharam as eleições.
Talvez o reconhecimento de que o socialismo não tem conseguido responder aos desafios do nosso tempo, ou pelo menos o povo não lhes reconhece essa capacidade!

Tiago R. disse...

O facto de a esmagadora dos europeus não ter saído de casa para apoiar Sócrates, Zapatero ou Brown prova a sua derrota. Mas não prova nenhuma hegemonia da direita, ainda mais difícil de acreditar quando o neoliberalismo estoirou e a direita nada mais tem para propôr.

Não se engane.

geocrusoe disse...

Na política existem ciclos, ora mais à esquerda ora mais à direita, por muito que doa a alguns. O que está mal é a esquerda render-se à direita e tornar-se mesmo direita como em Sócrates, não só porque mata a ideologia, como impede a alternância de modelos que se corrijam das falhas de cada modelo e ainda empurra a direita para ideologias mais extremistas. Mas não cante vitória, a direita não falhou e a esquerda não morreu.