quarta-feira, 10 de junho de 2009

saborosa e deliciosa

Ora uma, com a euforia quase a descompor a habitual postura professoral, chamando-lhe saborosa, ora outra dominada por incontrolado triunfalismo, chamando-lhe deliciosa, foram estes os qualificativos paralelos para a vitória eleitoral utilizados respectiva e sequencialmente pela candidata do PSD/A às europeias e pela Presidente do Partido, na sede deste, em noite das eleições, e falando para os Açores e os Açorianos perante uma (espectável) forte audiência televisiva. Deduzo portanto e de imediato que, para o subconsciente político das duas cidadãs em causa, seria então conveniente transmitir aos Açores e aos Açorianos que a vitória eleitoral do PSD nas europeias se tratou de um verdadeiro manjar…

E as palavras não se ficaram por aqui. Em catadupas de cada vez maior alcance, com a moderação a caminhar (obviamente) em sentido contrário, foram saindo assim: “Ganhámos com uma política e uma campanha de proximidade…”; “Os açorianos souberam corresponder. Está aqui bem expresso o resultado do nosso esforço…”; “Estamos todos de parabéns. Todos os açorianos estão de parabéns…”; “Os resultados exprimem bem a vontade de mudança do Povo Açoriano…”!

Mas a “política de proximidade” em campanha é alguma novidade (para qualquer força política)? E o PSD, com isso, terá ganho qualquer coisa mais? É que votos não foram certamente, já que os perdeu, das últimas europeias para estas.

Os açorianos “souberam corresponder” ao “esforço” do PSD! Como? Com o resultado expresso de 80 % de abstenções! Fica-me então a dúvida sobre o verdadeiro sentido do “esforço” do PSD. Só se foi o “esforço” anterior para negar àqueles o referendo sobre o Tratado de Lisboa. Para combater o abstencionismo é que não foi certamente. Aliás, por mais que diga o contrário, quem não consegue combater o abstencionismo dentro das suas próprias fileiras, muito menos o conseguirá fora delas. Neste aspecto, honra lhes seja feita na parte que lhes coube, só o BE, a CDU e o MPT alcançaram um tal desiderato.

Com uma vitória eleitoral fácil e de dimensão inesperada, mais a expensas do desconforto global, gerado pela maioria absoluta que governa o País e se estende à Região, do que por qualquer “política de proximidade” e “esforço” do PSD/A, o deslumbramento deste partido consigo próprio atravessou mesmo a raia do absurdo: “Estamos todos de parabéns. Todos os açorianos estão de parabéns…”. Porque raio qualquer dos 205.942 eleitores açorianos que não votaram nesse partido estaria de parabéns com os 19.610 votos do PSD/A? Explique-me caro (e)Leitor?

“Os resultados exprimem bem a vontade de mudança do Povo Açoriano…”. Isso até é verdade em parte. Mas para onde, Dra. Berta Cabral? Sabe-me dizer? Pretenderá porventura, subconscientemente (admito-o), vislumbrar nos resultados das europeias a opção inequívoca dos açorianos pelo PSD/A?

Embora em total desacordo, tudo o que foi dito pelo PSD/A em noite de contagem de votos, até mesmo o absurdo, admito que tenha sido dito numa visão narcisista, deslumbrada de si próprio. Pensando no futuro, pelo que essa atitude (em Democracia) revela de preocupante cegueira e irresponsabilidade política, o que repudio com veemência é não ter ouvido uma só palavra, um só comentário do PSD/A, um minuto de referência, no seu discurso da noite de 7 de Junho, a propósito do facto dos Açores terem registado um cúmulo nacional de participação eleitoral negativa, na ordem dos 80%! Dá que pensar…


Mário Abrantes

2 comentários:

Nuno Moniz disse...

Assino por baixo.
Populismo sempre foi um instrumento caricato. Não tenho é certeza se pega tanto como pegava antigamente.

ZE disse...

Meus senhores tenham dó! A senhora candidata como nova que é nestas andanças possivelmente nem saberá o que é a abstenção e a senhora presidente do PSD não saberia naquela altura os numeros da abstenção!! É a explicação que encontro!