quinta-feira, 2 de julho de 2009

morreu um artista

Morreu um Artista, no outro lado do mundo, é verdade, mas “aqui mesmo ao lado” na aldeia global.

E isso foi motivo de parangonas nos jornais, abertura de telediários em todo o mundo, motivo de conversas entre todos os comuns mortais.

E é justo que assim tenha sido. A morte de um CRIADOR é uma perda para todos nós.

Mas… (sempre o chato do mas) ao mesmo tempo o Zé, Joseph, Joe, Yousseff, … de apelido XPTO, operário da construção civil também morreu porque caiu de um andaime, ou levou com qualquer coisa na cabeça. E o Zé-Joseph-Joe-Yousseff também era um ARTISTA.

Não vendia milhares nem recebia milhões; não era mediatizável e, muito menos, era assediado pelos “paparazzi”.

Apenas tinha fãs: a sua mulher, os seus filhos, alguma da família mais próxima e os seus amigos.

O ARTISTA DAS PARANGONAS criava (criou) com o corpo e a voz.

O ARTISTA não mediatizável criava (criou) com esse magnífico instrumento que é a mão humana. Edificou, talvez, palácios, vilas, arranha-céus e, quem sabe, a mais bonita (para ele) de todas as suas criações: o casebre miserável, a barraca onde morava com os seus “fãs” – e ele não precisava de seguranças para afastarem esses fãs – PRECISAVA DA SEGURANÇA PARA VIVER COM ELES!, no “guetto”, embora, mas dentro da obra que ele havia criado.

O Zé-Joseph-Joe-Yousseff, não precisa de uma segunda autópsia, não vai ter ninguém a degladiar-se pela custódia dos seus filhos (leia-se do seu dinheiro) e muito menos vai haver discussão para se saber se aquela última carta para a família distante, (do outro lado do mar, do outro lado da Terra, lá longe, na terra – é indiferente) é, em si mesma, um testamento ou um rascunho de testamento.

O seu velório não terá milhares, milhões, talvez, a chorarem a sua morte. Mas, o choro de alguns será um choro sentido, profundo, um choro da alma, um choro vestido de luto!

O seu funeral não terá direito a divulgação mundial mediática. Será uma cerimónia íntima. E, num magnífico paradoxo, será, egoisticamente, chorado por aqueles a QUEM FAZ FALTA e não por constituir uma pretensa PERDA PARA A HUMANIDADE.

No fundo, é a história do linguado e da sardinha: ambos postos no mesmo assador, ao mesmo tempo. No fim, um só resultado: UM LINGUADO GRELHADO e UMA SARDINHA ASSADA!!!
José B. R.

É mesmo com muito prazer que publico uma colaboração de alguém a quem devo muito mais do que a vida.

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