segunda-feira, 31 de agosto de 2009

coesão eleitoral


Num frenesim pré-eleitoral cada vez mais desesperado, o nosso Governo Regional continua a prometer tudo, mas mesmo tudo.

No momento de inaugurar na ilha das Flores o mais recente elefante branco regional (e que outra coisa chamar a um hotel de quatro estrelas numa ilha que já tem excesso de oferta e é das que mais sofre com a sazonalidade do turismo?), o Vice-Presidente do Governo veio anunciar um Plano Estratégico Para a Coesão, que há de avançar ainda antes do final do ano. Deste anúncio e deste calendário, várias ilações são decorrentes:

1. Até agora não existia qualquer planeamento estratégico, sendo os grandes investimentos feitos de maneira casuística e apenas ao sabor de interesses político-eleitorais locais imediatos. Nada que não tivéssemos notado já...

2. Os estudos para este plano foram feitos às escondidos, ou então serão feitos em prazo recorde ou, melhor ainda, não haverá quaisquer estudos subjacentes ao plano!

3. Para poder avançar ainda antes do fim do ano, será com certeza um instrumento que não será discutido com ninguém, mas apenas imposto com a habitual subtileza e aversão ao pluralismo da maioria absoluta socialista.

Uma visão estratégica para os problemas da coesão é, de facto, urgente e necessária. E deve ser precedida de um debate profundo que atravesse toda a sociedade açoriana, sem exclusões. Temos, na verdade, de ir mais longe do que a cultura da grande obra de betão, bem visível e lustrosa, para ser inaugurada nas visitas estatutárias do Governo. Falta reflectir, em cada ilha, em cada concelho, para onde é que se quer ir, e o que é que é efectivamente necessário em termos de modelos, programas e infra-estruturas.

O Governo do PS, no poder há mais de uma década, nunca teve nem esse projecto nem essa visão. Será que a vai arranjar agora em três meses? É que se a pressa é inimiga da perfeição, a promessa eleitoral ruidosa e oca é também inimiga da coesão.

2 comentários:

Rui Ramos disse...

Caro Tiago

Afinal eles sempre vão ouvindo! Deixam passar algum tempo e depois apresentam como ideia deles, socialistas, bem entendido.

Veja as semelhanças entre o dito plano Socialista e esta parte do discurso por mim proferido na ALRAA a 02-04-2009

“Um país sem emprego é um país sem esperança, sem “chama” e sem futuro…
Uma ilha sem emprego é também uma ilha onde falta a esperança, a força e onde falta sobretudo o futuro…
Se a coesão é uma necessidade e um imperativo de solidariedade, estamos absolutamente convictos que só na promoção do emprego será possível gerar riqueza e garantir a esperança, sobretudo nas ilhas mais pequenas.
Acreditamos por isso que só na oferta de mais e melhor trabalho se pode inverter o grave problema da desertificação, que nos preocupa a todos.
É pois absolutamente necessário que os fundos comunitários sejam aplicados em investimentos reprodutivos e geradores de mais emprego, pois o trabalho é para nós “fonte de esperança e de desenvolvimento”…
Precisamente por isso impõe-se fazer um diagnóstico estratégico que permita nortear não só as políticas de emprego, mas também e sobretudo as politicas geradoras de mais e melhor desenvolvimento.
Assim, o Diagnóstico que urge e que importa fazer é o Diagnóstico
Estratégico das Ilhas, de cada uma delas, detectando as “fraquezas” mas também, e sobretudo, as suas próprias potencialidades.
Depois de conhecidas as potencialidades de cada uma, só aí podemos fundamentadamente investir, só aí podemos garantir o emprego, a segurança e o retorno do investimento, que não é pertença deste Governo, mas sim de todo e qualquer Açoriano.
O Diagnóstico que urge e que importa fazer é o de também saber porque saem os jovens das ilhas mais pequenas para não mais voltarem, desertificando as ilhas, com os consequentes impactos negativos que isso mesmo acarreta.
O Diagnóstico que urge e que importa fazer é o de compreender as razões da desertificação, apontando caminhos e sugerindo soluções para o crescimento do emprego, capaz de fazer regressar a juventude e com isso gerar uma nova esperança para os Açores e para os Açorianos em geral.”

Grande Abraço
Rui Ramos

Tiago R. disse...

E não podia estar mais de acordo!