sexta-feira, 7 de agosto de 2009

e tanto que eles falam de liberdade de imprensa

Quando, em tempos e durante alguns anos, a convite do jornal, escrevi semanalmente para o Açoriano Oriental, admirei-me pelo facto de essa minha colaboração (a título gracioso, tal como esta) ter sido interrompida abruptamente e sem aviso prévio, tendo o último artigo ficado sem mais nem ontem na gaveta da redacção. Até hoje tive uma explicação, para além de um seco:”Terminou a sua colaboração!”, após (e só após) eu ter tomado a iniciativa de indagar as razões da interrupção. Pensei então tratar-se de uma atitude, prenhe de falta de ética, espírito democrático e boa educação, mas conjuntural e fora do contexto, vindo da parte de quem vinha, isto é, de um importante e responsável órgão da imprensa regional como era o Açoriano Oriental.

Para mal da liberdade de imprensa num Estado de Direito e numa Região democráticos; para mal do direito dos açorianos à informação isenta e para mal de muitos cronistas que têm gratuitamente colaborado com aquele jornal, enriquecendo o seu conteúdo e promovendo a sua leitura (o que não constitui propriamente um favor prestado ao jornal, mas obviamente também não um favor do jornal prestado ao cronista, tratando-se antes de um contrato atípico de responsabilidade mútua, promotor do direito a informar, a opinar, e a ser informado) o Açoriano Oriental veio agora demonstrar, no mínimo, que não tem alma, nem ética, nem vergonha, de forma continuada e não apenas conjuntural.

Após a recente atrocidade política cometida pela direcção do Jornal contra um dos seus colaboradores graciosos (e escrevo assim, mas sem qualquer despeito ou desconsideração para com todos aqueles que trabalham na empresa que o edita, onde tenho, além disso, muito bons amigos) ficamos perante um situação caricata e preocupante:

Qualquer cronista em regime de colaboração graciosa (por esse facto, supostamente livre e independente até da linha editorial do jornal) que, após o “despedimento” de Aníbal Pires, continue a escrever regularmente no Açoriano Oriental, passou a estar com o pescoço sob a lâmina do silêncio, se não for conivente com a ilegalidade e os atentados ao pluralismo que eventualmente venham a ser cometidos pela entidade com a qual colaboram.

Julgo poder induzir ser este o recado deixado pela actual direcção do jornal.

Assim, na sequência de uma conduta ilícita e condenada pela Comissão Nacional de Eleições, a direcção do jornal, em lugar de naturalmente corrigir os comportamentos comerciais condenáveis e condenados, respondeu de forma revanchista, insistindo numa conduta intolerável, que mina os fundamentos do estado democrático e, no essencial, o princípio da liberdade de imprensa.

Também o PS, partido que negociou conscientemente o inegociável com o Açoriano Oriental, fica muito mal neste “filme”, porque demonstrou aos Açorianos, com o negócio ilícito de que foi parte integrante, que está disposto a furar a lei para atingir objectivos eleitorais da sua conveniência, em desfavor dos seus concorrentes…

“Parabéns” ao PS por mais este seu importante contributo para a abstenção!


Sem comentários: