terça-feira, 25 de agosto de 2009

os afectos do Açoriano Oriental

O estranho editorial de Pedro Lagarto no AO de hoje refere-se às infelizes declarações do Presidente do Governo Regional, em que este afirma que há uma "hipersensibilidade" em relação ao transporte marítimo causada por órgãos de comunicação social "afectos" à oposição.

Bem... confesso que ainda me falta perceber quais são os órgãos de comunicação social que, nos Açores, são afectos à oposição.

Não serão certamente o Jornal Diário ou o Azores Digital que se limitam a publicar ipsis verbis os comunicados do GACS.

E, ao contrário da bravata libertária com que Pedro Lagarto termina o seu editorial, o AO também não será com certeza afecto à oposição. Afinal que pensar dum jornal que distribui propaganda ilegal do partido do Governo ou que afasta Aníbal Pires e José Decq Mota das suas colunas, por serem vozes incómodas? É fácil perceber de que lado estão os afectos do Açoriano Oriental.

Enquanto os órgãos de comunicação social regional dependerem da distribuição arbitrária da publicidade institucional ou de um obscuro sistema de apoios governamentais, enquanto as direcções editoriais e os próprios jornalistas continuarem a ser cúmplices deste sistema de reprodução acrítica da propaganda governamental e de silenciamento das opiniões divergentes, a verdade é que não teremos média isentos e rigorosos, fundamentais para o nosso desenvolvimento enquanto Região.

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