quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Açores - EUA: a moeda do ódio


Os americanos sempre condicionaram o seu apoio a um eventual processo de independência dos Açores, não às preocupações com a vida e o destino do povo açoriano, mas sim a uma evolução política em Portugal que fosse favorável aos seus interesses. Uma lição importante a não esquecer.

Apesar de algumas passagens que permaneceram censuradas, as transcrições são uma leitura extremamente interessante. Permitem perceber o que é que foi o radicalismo anti-comunista e a forma como não hesitava a recorrer a absolutamente qualquer meio para destruir o PCP. Desde condicionar fundos e pacotes de apoio hmanitário a Portugal, à utilização de dirigentes sindicais anti-comunistas, ao envolvimento da hierarquia católica, a conversações secretas com todos os outros partidos políticos, garantido-lhes apoio e financiamento. Entre estes últimos, destaca-se o PS, referido várias vezes durante a conversa como um aliado seguro e, mesmo mencionado como os "Socialistas Anti-Comunistas" pelo Boston Sunday Herald (ver a página 16 do PDF).

Para quem se interessa e ainda se apaixona por estas questões da nossa história recente, há aqui lições valiosas a ser aprendidas. E creio que uma delas é que também os Açores foram usados como peão numa guerra suja, na qual os ideiais que eram professados pelas bases nunca foram levados a sério pelas cúpulas e em que os legítimos desejos dos açorianos foram simples moeda de troca do mais primário, básico e rasteiro ódio anti-comunista.

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