sábado, 12 de setembro de 2009

Juan Almeida Bosque (1927-2009)

Aos 82 anos, faleceu o Comandante Juan Almeida Bosque, um nome que a maior parte de nós nunca ouviu falar mas que, desde 1952, é uma peça fundamental da Revolução Cubana. Actualmente, era Vice-Presidente do Conselho de Estado de Cuba.

Concordemos com ele ou não, tratava-se de um homem determinado que entregou toda a sua vida a lutar por aquilo em que acreditava. E, nas palavras de Brecht: "Esses são os homens imprescindíveis". Coerência. Fidelidade. Generosidade. Exemplos que nos vão faltando.

À medida que Cuba vai assistindo ao natural processo de substituição de gerações, a revolução cubana continua a demonstrar importantes sinais de vitalidade, para desgosto dos que, impotentes para a destruir, optaram pela postura atentista de esperar pelo seu fim, supostamente inevitável. As jovens gerações cubanas apercebem-se dos elevados níveis de desenvolvimento humano, e mesmo bem-estar, nas quais Cuba se distingue nitidamente dos seus vizinhos latino-americanos e, nalguns aspectos, mesmo dos norte-americanos e entendem que esse foi o fruto da revolução que lhes cabe agora defender e aprofundar. O legado de homens como Almeida Bosque.

2 comentários:

Rui disse...

Ao contrário de Camilo Cienfuegos, ou de Huber Matos, sobreviveu a revolução, porque trocou os seus ideais pela sua vida.

Terá feito bem? Os outros dois (e tantos outros), de certeza que perderam muito mais.

Tiago R. disse...

Será que trocou?
Não há uma só resposta, nem nenhuma resposta simples.
A pragmática revolucionária, a aplicação prática do sonho idealizado durante a luta guerrilheira é sempre complexa, difícil.
A clareza da situação política anterior (o inimigo está ali. Nós estamos aqui) desaparece e torna todas as escolhas bem mais difíceis e bem mais confusas.

O certo é que a Revolução sobreviveu e conserva, pelo menos bastante, dos ideais que a fundaram.

Tenho para mim, que é fruto também da grande aposta estratégica que o PC Cubano fez e que o PCUS não soube ou não conseguiu fazer na URSS: a ligação ao povo, às pessoas, aos seus problemas e expectativas é tudo. Perdendo isso, perdeu-se a Revolução.