sábado, 17 de outubro de 2009

Austerlitz ou Waterloo?

Após 61 horas de greve de fome, o Deputado Paulo Estêvão, suspendeu o protesto em troca de uma nova promessa de abertura de uma delegação do Parlamento na ilha do Corvo.

Não fica muito claro se se tratou de uma retumbante vitória, na qual os seus adversários capitularam rápida e completamente perante a firmeza da sua atitude, ou se, pelo contrário, o Deputado do PPM, vendo-se numa situação da qual dificilmente sairia vencedor, agarrou-se à primeira tábua de salvação que qualquer recuo do Governo lhe proporcionasse.

Para quem tinha afirmado de que "esta é a mãe de todas as batalhas", suspender ao fim de apenas 61 horas parece um pouco anti-climax. A brevidade do confronto prova, pelo menos, o exagero da atitude.

O problema, em todo o caso, parece que será resolvido e ainda bem. Este foi apenas o primeiro conflito entre Parlamento e Governo por causa da nova Lei Orgânica ter retirado a autonomia patrimonial à Assembleia Legislativa. Outros se seguirão. Talvez em breve...

6 comentários:

Rogério Paulo Pereira disse...

Embora concorde com esta posição (http://pomordez.blogs.sapo.pt/52369.html), pois também acho que o Corvo era governável por uma Freguesia, assim como a Terceira o era, com vantagem, apenas com uma Câmara, sou obrigado a concordar também com esta (http://fiatluxcarpediem.blogspot.com/2009/10/greve-da-fome-do-paulo-estevao.html), gostemos ou não do estilo do deputado Paulo Estêvão.

Anónimo disse...

È um Austerlitz, Tiago. Um Despacho do Presidente do Governo Regional não é um bilhetinho de compras para o supermercado, nem uma “promessa” que fica no ar. Pelo que sei, o dito Despacho foi exibido na conferência de imprensa. O que querias que o homem fizesse? Que morresse por uma batalha já ganha?

Apache

Tiago R. disse...

Não digo o contrário, mas efectivamente a situação não é, para o público, clara.

Penso que o que é politicamente substancial aqui é o facto de o Governo ter o Parlamento de mãos atadas por causa da autonomia patrimonial. E ainda vamos voltar a ouvir falar deste assunto no futuro. Oh se vamos!

João Cunha disse...

Esta situação toda passou uma imagem ridícula da nossa autonomia política.

Sinceramente, nos tempos de hoje um deputado a recorrer à greve de fome?

Ainda por cima vindo de alguém que sempre agiu como uma transeunte político à procura de um lugar que lhe permitisse a eleição como deputado. Falta de vergonha na cara é o que isto é.

Anónimo disse...

O deputado Estevão, depois da derrota do PPD/PSD e da candidata Deolinda no Corvo, necessita como de pão para a boca de protagonismo.

Julgam que a falta de instalações é coisa de hoje ou de ontem?
Porque é que só agora o Sr. deputado deu por isso?

A curta vida politica do deputado Estevão está a chegar ao fim.

Tiago R. disse...

Caro João:
Às vezes confio mais nos transeuntes do que nos cínicos profissionais da política.

Caro Anónimo: (porque é que os socialistas nunca se identificam neste blogue?)

É justamente uma vergonha o facto de se estar à espera há um ano pela abertura das instalações!

Mas ainda mais lamentável é a atitude do outro deputado eleito pelo Corvo que, além de gostar de fugir das votações, como nas touradas picadas, fica sempre religiosamente em silêncio sobre todas as questões que digam respeito à sua ilha! Esse nem precisa de protagonismo: precisa de começar a existir!