terça-feira, 13 de outubro de 2009

da reprodução do poder

Depois de uma prolongada ausência motivada pelo meu envolvimento na dupla jornada eleitoral que acabamos de atravessar, regresso para subscrever na íntegra o bom post de JRV no Activismo de Sofá.

De facto, temos nestas eleições autárquicas um bom exemplo da maneira como o poder instituído tem tendência para se reproduzir, difundindo-se e tornando-se potencialmente hegemónico.

No concreto da realidade açoriana, vemos como a desiquilibrada relação de poder entre o governo Regional e as autarquias tende a permitir ao partido que dominar o primeiro vir, a prazo, a dominar também o segundo.

Esta tendência só pode ser contrariada pelo reforço de meios, competências e autonomia das autarquias locais. Defendi-o antes de 11 de Outubro e continuo agora a fazê-lo.

Em sentido inverso ao que vinha sucedendo nas eleições europeias e legislativas, assistimos a um reforço significativo da bipolarização PS-PSD, com uma perda de pluralismo que certamente não trará efeitos positivos para os nossos concelhos.

Uma nota final para a atitude de Carlos César: Depois de afirmar múltiplas vezes que este seria o seu último mandato à frente do Governo Regional vem agora, no calor da vitória autárquica do PS, declarar que, afinal, sempre poderá voltar a candidatar-se.

Constatamos então duas coisas:

em 1º lugar as públicas e notórias lutas internas pela sucessão dentro do PS Açores estão longe de serem conclusivas. Perante a confusão e mal-estar, o líder prefere suceder-se a si mesmo como forma de evitar a implosão do Partido. A concentração do poder absoluto na figura do Presidente do Governo torna agora a sucessão extraordinariamente difícil. Franco, Pinochet e Idi Amin tiveram o mesmo problema...

em 2º lugar, afinal vemos que o que Carlos César temia era um resultado eleitoral desfavorável nas Regionais de 2012. Perante o cenário actual, com um PS hegemónico, reforçado por uma máquina autárquica relevante, o Presidente do PS já se sente mais confiante e resolve, portanto, voltar a candidatar-se. Uma atitude característica de quem concorre apenas pelo poder e não por um verdadeiro projecto político.

Sem comentários: