segunda-feira, 26 de outubro de 2009

referendos e coerências

Francisco Louçã opõe-se à realização de um referendo sobre a legalização dos casamentos homosexuais porque "Isso seria retirar a essas pessoas a possibilidade da escolha sobre si próprias".

Estou de acordo. A sério. acho que matérias fundamentais relacionadas com direitos liberdades e garantias não devem ser referendadas.

Agora, o que lamento é que em relação à interrupção voluntária da gravidez o Bloco não tenha tido a mesma coerência e não se tenha importado com o facto desse referendo poder roubar às mulheres portuguesas o direito de decidir sobre si próprias.

Lamento ainda mais que a coerência do Bloco de Esquerda continue a ser feita apenas com base na tática política imediata e não com base no programa e nos valores de esquerda de que passam a vida a reclamar-se como exclusivos proprietários.

9 comentários:

geocrusoe disse...

Não subscrevo na íntegra a tua frase: "A sério. acho que matérias fundamentais relacionadas com direitos liberdades e garantias não devem ser referendadas"
Se as mesmas estiverem incluídas nos programas eleitorais vencedores, considero desperdício de tempo referendar.
Se não estiverem ou os programas apresentarem o assunto como a sujeitar a referendo, então necessitam de referendo.
No presente caso, o PS assumiu a legalização deste tipo de casamentos, logo, está sufragado no programa vencedor e não necessita de um referendo.
Aliás, o teu ponto de vista tem o risco de vir um governo sem a medida contrária no programa eleitoral e achar-se no direito de alterar sem ouvir os portugueses, os mesmos não acontece se a medida não sufragada nas eleições o for por referendo

Tiago R. disse...

Estavas de acordo em referendar a liberdade de expressão, ou de religião, por exemplo?

Para mim, o não cumprimento dos programas eleitorais devia ter como consequência a demissão imediata do governo, mas não se aplica neste caso, porque não se trata de uma lei nova.
Trata-se de fazer cumprir a constituição que já existe em relação à liberdade dos cidadãos na qual o estado não tem nada de se imiscuir.

Anónimo disse...

Francisco Loição no seu melhor!

JRV disse...

Não encontro a incoerência que refere por se tratarem de situações diferentes.

Repare que, se na altura o Bloco já existisse, julgo não existirem dúvidas teria votado contra o primeiro referendo da IVG. Acontece que, apesar do resultado não ter sido vinculativo, considerou-se que seria contraproducente revogar a vontade popular então expressa seguindo a via parlamentar. Neste contexto considerou-se (e bem, a meu ver) que um novo referendo era um mal necessário.

Como é evidente, o cenário acima não se aplica agora à questão do casamento de pessoas do mesmo sexo.

Posto isto, meu caro Tiago R, quanto às restantes adjectivações sobre o Bloco, não vou contrapor aqui porque não quero agora abalar tamanhas crenças da sua parte. ;)

Tiago R. disse...

O 2º referendo sobre a IVG poderia ter feito perigar a execução dum direito que está na base dos valores da nossa sociedade democrática.
Os partidos de esquerda, que colocaram a questão da IVG nos seus programas, tinham maioria absoluta na AR.
Defender o referendo foi uma tremenda irresponsabilidade.
Quanto às minhas "crenças", agradeço a preocupação, mas é desnecessária. As minhas convicções reforçam-se na argumentação com quem não partilha delas.

PJM disse...

TiagoR.

Já é, por demais evidente, que preferes 'malhar' no BE do que na 'direita'. Não sei, o porquê de tal ódio, pois todos nós sabemos que o ódio pode cegar. No seu caso, está, de facto, a cegá-lo, não o deixando ver os seus verdadeiros adversário políticos.

Sintoma disso mesmo, é quando assistimos à coligação pós-eleições autárquicas, entre CDU e PSD para a Junta de Freguesia do Lavradio ou até mesmo, quando no Parlamento Europeu, o PCP não votou a Resolução contra Berlusconi, apesar do GUE/NGL subscrever a moção.

Mas, descanse, que eu, pelo menos, prefiro não 'malhar' na CDU, pois considero que, actualmente, é muito mais importante denunciar as politicas de direita adoptadas pelo PS ou a política de 'sacristia' do CDS e outros tantos.

Saudações de esquerda (bem nutrida ou nem por isso).

Paulo

Tiago R. disse...

Os exemplos que escolheu são interessantes.
Em relação ao poder local, demonstra que não perceb mesmo qual é a sua natureza democrática. Não me diga que o BE apoia a ideia dos executivos monocolores?

Mas o melhor foi a da votação no PE, onde o deputado do BE Rui Tavares se dedicou imediatamente a espalhar MENTIRAS, antes mesmo de falar com os deputados da CDU e perceber o que foi a avaria das máquinas de votação. Adversários políticos, diz você?

Perceba que, naturalmente, sou naturalmente muito mais exigente para com uma força que se reclama da mesma área política. Óbvio, não?

PJM disse...

Caro TiagoR.

A questão é que a CDU poderia ter o executivo na Junta de Freguesia do Lavradio se tivesse coligado com o BE. Mas, não, preferiu uma coligação com o PSD (com a direita). Adversário político diz V.Exa.?

Avaria interessante... que escolheu dois computadores distantes em algumas dezenas de metros... Não vou insistir nesta questão, nem em outras. Porque, considero inútil este género de discussões. Só respondi, desta vez, porque apesar, de apreciar o teu blog, peca pela tua teimosia e obsessão em denegrir tudo o que possa vir do BE.

Na realidade, penso que preferes criticar as propostas do BE às propostas da direita.

Por aqui me ficarei.

Saudações deste 'burguês bem nutrido'.

Paulo

Tiago R. disse...

Não conheço a JF do Lavradio, mas essa opção pode, hipoteticamente, ter a ver com a seriedade, experiência e dedicação dos eleitos de um e de outro partido.

Sabe, no poder local os alinhamentos não são, e na esmagadora maioria dos casos não podem ser ideológicos. São mesmo pessoais e de projecto.

Ainda quanto ao PE, como não tem coragem de insistir na mentira, opta por tentar espalhar o boato calunioso! Já alguma vez viu o PCP a não assumir frontalmente a sua opinião?