quinta-feira, 26 de novembro de 2009

trabalhar nas obras


Numa semana em que soubémos que para além do Hotel das Furnas, há já mais duas empresas que pretendem reduzir a actividade, o DI anuncia que os trabalhadores de uma empresa do sector da construção na Terceira estão sem receber desde Agosto. Agosto!

Supostamente o problema relaciona-se com atrasos de pagamentos de Câmaras Municipais, mas tenho para mim que o fundo do problema é outro: temos nos Açores, como em Portugal, um sector da construção civil sobredimensionado que nasceu na senda quer dos processos de reconstrução após sismos, quer na de um modelo de desenvolvimento económico assente em grandes obras públicas, alimentadas com fundos europeus. Um modelo insustentável que teria, sempre, de resultar nesta situação mal se começasse a fechar a eurotorneira dos milhões.

Esse tempo acabou e agora temos um problema sério. A construção emprega uma parte muito significativa dos trabalhadores açorianos. E emprega-os normalmente mal: precários, sem direitos, com elevadíssimos níveis de sinistralidade, baixos salários, baixíssimas qualificações. As situações de falências e problemas financeiros graves nas empresas de construção vão continuar a suceder-se e vem aí mais uma horda de novos desempregados, a que não sabemos muito bem o que fazer.

Isto é verdadeiramente triste: não temos nada para oferecer àqueles que, com o seu duro trabalho, construiram esta modernidade que damos por garantida e de cujos braços nasceu muito do nosso progresso. Que raio do mundo andamos a criar?

9 comentários:

geocrusoe disse...

Pelos vistos a reposição da verdade da notícia de teresa nóbrega foi apresentar mais casos... infelizmente esta a realidade.
Não acredito que o sector da construção civil tenha sido sobredimensionado ao abrigo da reconstrução. Como já deves saber, o governo optou por empreitadas que parecem ter cobrado mais por m2 mais que as pequenas pequenas locais fariam) e onde a maioria são empresas envolvidas com abrangência superior à regional, enquanto as pequenas eram essencialmente da ilha do Faial. Quer um caso quer outro não se aplicaria à terceira e o sismo de 1980 já foi há demasiado tempo

Anónimo disse...

Uma grande e triste verdade, branqueada pelo Governo regional e pela IRT. Basta percorrer a generalidade das empresas de construção civil, sobretudo os sub e pequenos empreiteiros, que é quem emprega maior número de operários, para perceber que mais de 70% da sua mão-de-obra são falsos trabalhadores independentes e como tal deviam transitar automaticamente para o quadro efectivo das empresas. Ganham mal, emitem o recibo tendo de assegurar a sua segurança social e muitos, quando são despedidos, não têm direito a subsídio de desemprego. resta ainda dizer que, em caso de acidente ou doença, estão completamente desprotegidos, uma vez que o magro rendimento que auferem não permite o pagamento de seguros.

Dito isto, só não se percebe porque razão não actua a Inspecção regional do Trabalho.

Anónimo disse...

Deve ainda acrescentar-se que são transportados ainda em nas caixas de carrinhas, sem quaisquer condições de segurança ou conforto o que é de pasmar uma vez que nos automóveis e outros veículos, apesar de dotados de maiores condições de segurança, é pbrigatório o usao de cinto de segurança, mas os operários da construção civil são transportados em piores condições do que o gado.
Uma vergonha que merece ser denunciada e combatida.

Rogério Paulo Pereira disse...

Caro Tiago,

Muito do que está no seu texto é verdade. Falta acrescentar que pagando tarde e a más horas as Câmaras, e não só, estão a dar o seu contributo, pela negativa, para estas situações.
Quanto ao sobredimensionamento das empresas a nível regional, discordo. As maiores obras são feitas por empresas do exterior e o exemplo disso é o caso do Faial, referido pelo C. Faria.
O modelo escolhido pelo GR foi um grande erro e a riqueza que a reconstrução podia ter ajudado a criar não aconteceu pois o dinheiro saiu da Região.
O caso referido na Terceira não é exemplo do que se vive localmente. É um caso grave que aconteceria com ou sem crise. Só é notícia porque é uma empresa grande e está muita gente envolvida.
Mas isto não significa que o panorama seja bom. Não, é muito mau e as situações têm surgido a conta gotas e sem serem notícia, porque são pequenas estruturas com pouca gente. O caso agora notíciado não é nem único nem o primeiro. Antes fosse.
Desde o início do ano já fecharam no nosso país mais de 18 000 pequenas empresas. Ouviu falar delas? Não. Quatro o cinco desempregados de cada vez não vendem jornais, apesar de termos de os multiplicar por aquele número.
Mas todo conhecemos a Qimonda, a Delphi, a Rhode, que afinal são quase nada no número total.

Tiago R. disse...

O Rogério tem toda a razão: é nessas 18000 empresas que reside o grande drama.

Agora, quanto à dimensão na Região, referia-me à dimensão do sector no seu conjunto e não à dimensão das empresas individualmente consideradas.

E, estou convencido, de que a dimensão do sector no seu conjunto é demasiado grande para a Região. Não podemos, com crise ou sem ela, continuar a urbanizar e a construir como o temos feito nos últimos 20 anos. É insustentável.

Anónimo disse...

Se não exportamos, porque os nossos mercados se contraíram, não entram receitas para fazer face à crise.
Nos Estados Unidos e no Canadá, potencias económicas mundiais, também está a ser assim. Gente a ganhar metade dos salários, gente desempregada, empresas a mudarem-se para o México.

Não vale a pena chover no molhado.

Anónimo disse...

Os comunistas dos açores, deviam era ter vergonha do deputado que têm. Todo cozidinho com o PS...
É triste isto...

Tiago R. disse...

1o anónimo: então a sua sugestão é cerrar os dentes e aguentar? Lindo! 2o anónimo: a posição não é pessoal do deputado. Engana-se. É mesmo a posição do PCP. Quer discuti-la?

Anónimo disse...

Não há outro remédio.

Acaso pode um doente, por a maleita à porta de outro?

É aguentar!