A Universidade dos Açores acaba de assinar um protocolo para colocação de estagiários em diversas empresas da Região.À primeira vista, óptimas notícias, e tinham obrigação de o ser. Só que, afinal, os estudantes vão trabalhar para as empresas "em regime de voluntariado", portanto sem receber um tostão. E, uma vez que o estágio é curricular, nem sequer têm grande escolha sobre serem "voluntários" ou não, nem onde. Para as empresas, um grande negócio: trabalhadores jovens e recém licenciados a custo zero!
O Reitor vai apelando à cooperação das empresas com a Universidade. Já se sabe que se pode sempre contar com essa boa vontade e elevada consciência social dos nossos empresários, desde que lhes traga mais lucros e não lhes custe um tostão. Aos jovens estagiários resta-lhes esperar por melhores tempos enquanto vão trabalhando para aquecer.
16 comentários:
Em parte não me choca, há muito que há estágios integrados de cursos superiores não remunerados... agora penso que se está a abusar e a fazer o inverso ou seja a servir-se de gente habilitada gratuitamente, a deixar os licenciados no desemprego e tudo legalmente.
Pois é. O problema é esse mesmo!
Se todos tivessem um lugar ao sol, à custa da política como tu, não se preocupavam com o resto. Mas felizmente ou infelizmente, nem todos têm a tua sorte...
Não sei se tenhop um lugar ao sol. Ao menos sei que não tenho um lugar oculto em sombria e anónima cobardia...
Mas lá que quem trabalha tem direito à remuneração, isso tem.
Desculpe. Mas estes estágios não são para licenciados mas sim para alunos de diferentes disciplinas e decorrem no âmbito das mesmas e em horários de aulas. O Regime de voluntariado de que fala já diz tudo são empresas que colocam á disposição dos alunos a possibilidade de eles querendo poderem ganhar experiência nas mesmas de acordo coma sua disponibilidade.
e de já agora, beneficiarem gratuitamente do trabalho dos estudantes .
Há quem veja as coisas sempre pela negativa, sempre pelo prisma ultrapassado do "explorador e o explorado".
Pois esses estudantes tem muita sorte.
Primeiro porque há empresas que lhe abrem as portas e lhe dão oportunidade de aprender. Sem pagarem um escudo de propinas.
Segundo porque as empresa onde vão aprender, naturalmente com esforço, lhes disponibilizam trabalhadores seus para lhes ensinar. E tempo é dinheiro.
Terceiro porque fazem curriculo, o que lhes valoriza futuras candidaturas.
Quarto porque tem a oportunidade de mostrarem ali, no terreno, aquilo que valem, o dinamismo que tem e o potencial produtivo que representam.
Quinto, porque numa altura de crise como esta, as oportunidades tem de se agarrar.
Quem é bom naquilo que faz e confia nas suas capacidades, está naturalmente satisfeito com esta oportunidade.
O problema é que na maior parte dos casos apenas são utilizados como mão-de-obra barata para as funções menos especializadas, onde nada têm para aprender.
É lindo esse argumento da crise: "como há crise, dêm-se por satisfeitos por não morrerem à fome"...
É inegavel a crise crise internacional.
É inegavel que a crise se instalou entre nós.
São inegáveis as dificuldades de emprego, sobretudo para quem o procura pela primeira vez.
É inegavel que esta é uma oportunidade para os estudantes aprenderem e mostrarem à entidade patronal que se ganham 1000 conseguem produzir 3000.
Tudo o resto, caro Tiago, é falácia.
Se produzem 3000 e só recebem 1000, são roubados em 2000.
E tudo o resto, caro anónimo, é que é falácia.
Continuam a partir de presupostos errados. Estes estágios são estágios integrados no âmbito de disciplinas práticas e como tal são em horário de aulas com trabalhos específicos defenidos pelos professores.
Quanto aos estágios em regime de voluntariado volto a referir que os mesmos partem dos alunos, não são obrigatórios e cabe aos alunos escolher a empresa o que pretendem fazer e qual o horário.
Deixem-nos tirar o nosso curso em paz. Estamos extremamente satisfeitos por haver empresas que nos abriram as portas. Finalmente e se calhar com pena de muitos as empresas e a UAc estão de braço dado.
Pois é!
Vivemos no melho dos mundos possíveis. somos tão felizes neste paraíso cor-de-rosa!
Yuupii!
"Se produzem 3000 e só recebem 1000, são roubados em 2000".
O patrão quando investe criando riqueza e empregos, quer legitimamente ter lucros.
O resto é falacia.
Há sempre a hipótese de não ser roubado: não procurar o ladrão do patrão, cruzar os braços e não receber nada.
Portanto, quando os trabalhadores tiverem eles próprios o capital para investir deixam de precisar do patrão.
(patrão é completamente diferente de gestor)
Quando o trabalhor tiver capital para intervir, individualmente ou em conjunto com outros, torna-se inevitavelmente patrão.
E patrão explora.
Esta é que é a verdade e o resto é falácia!
com a diferença de que estes não estarão a explorar ninguém.
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