segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Catalunha


Se, por um lado os esmagadores 95% do sim são reveladores, por outro, a abstenção superior a 70% também mostra o distanciamento de muitos cidadãos em relação ao tema.

Numa situação de relativa prosperidade económica, com um estatuto autonómico muito avançado, vendo os seus direitos respeitados e a sua cultura viva e valorizada, muitos catalães devem-se ter interregado sobre que sentido faria abrir velhas feridas e reacender um conflito político de consequências e resultados difíceis de adivinhar. No entanto, fica um sério aviso para os defensores da velha Espanha centralizada. Espanha tem ainda um caminho a percorrer para conviver saudavelmente com a sua própria pluralidade. Um caminho que terá de percorrer, ou desintegrar-se.

3 comentários:

rapariga vermelha disse...

Havia um problema na pergunta. Colava a independência à adesão à UE. Isso pode ter dissuadido algumas pessoas a participar.
Por outro lado, no estado espanhol há muita gente que já não acredita na eficácia destas consultas como meio de pressão - a constituição espanhola proíbe o direito de autodeterminação e a maioria PSOE-PP funciona como uma parede de betão que impede a possibilidade de qualquer alteração.

Anónimo disse...

Numa onda de unidade europeia, a independencia das autonomias espanholas, das regiões belgas, da córcega francesa, surge em contraciclo.

Valorizar as regiões, respeitar as autonomias, dar força à identidade cultural de cada parcela, esse é que é o caminho.

David M. Santos disse...

Nesta luta pelo poder e pelo dinheiro da burguesia catalã, que há décadas utiliza o chauvinismo nacionalista, o problema é precisamente a pluralidade!

Convém lembrar que quando se fala da Catalunha, fala-se como mínimo de duas realidades: uma grande cidade (Barcelona) que tem a maioria da população, sendo a maioria desta trabalhadores com origem natural ou familiar noutras regiões espanholas, e o restante território, que são zonas rurais tradicionais. Se consideramos, por exemplo, o idioma como um indicativo da incidência destas duas realidades, vemos que estão bastante equilibradas: aproximadamente metade dos catalães têm como linguagem materna o catalão e outra metade o castelhano.

Agora, convém também lembrar que o movimento nacionalista catalão, como outros nacionalismos burgueses, é retrógrado, xenófobo e excluente. É mais uma versão do nacionalismo "espanholista" do período franquista, mas numa versão local e antagónica. E o que pretende é impor uma determinada visão "patriótica" e "casposa" de Catalunha e da sua cultura, anulando a pluralidade existente. Este pretendido referendo é mais uma medida de intimidação contra o povo catalão não nacionalista, cada vez mais marginalizado e privado de direitos.