quinta-feira, 30 de abril de 2009

fazer de Maio a nossa lança

O Futuro

Isto vai meus amigos isto vai
um passo atrás são sempre dois em frente
e um povo verdadeiro não se trai
não quer gente mais gente que outra gente.

Isto vai meus amigos isto vai
o que é preciso é ter sempre presente
que o presente é um tempo que se vai
e o futuro é o tempo resistente.

Depois da tempestade há a bonança
que é verde como a cor que tem a esperança
quando a água de Abril sobre nós cai.

O que é preciso é termos confiança
se fizermos de maio a nossa lança
isto vai meus amigos isto vai.

José Carlos Ary dos Santos



Amanhã, 1º de Maio, milhões de mulheres e homens de todo o mundo saem à rua não por causa do passado, mas por causa de um futuro melhor. Porque a história não para e são esses mesmos homens e mulheres que a fazem.


por isso é que...

O cidadão comum não pode dizer o que pensa e o que sente. Por maior que seja a sua razão, não se pode afirmar descontente. Pelo menos no local de trabalho não pode. Qual nova pide instalada, há quase sempre, ao seu lado, um “amigo” que (às vezes nem sequer por delatória conveniência, mas antes, e até, por confrangedora boa fé) o aconselha à moderação ou mesmo ao silêncio puro e simples. E infelizmente as pessoas, apreciando-o ou não, precisam que o trabalho lhes providencie o rendimento, e por isso se remetem ao silêncio, se coíbem de emitir opiniões, se esquecem praticamente de que são alguém, num sufoco (egoísta, porque solitário) do seu sofrimento ou revolta. Manter o bico fechado (ou fingir) é estratégia de sobrevivência, e esta, como todos sabem, constitui o principal instinto dos animais, sejam eles racionais ou não.

Em suma, e admitindo ser verdadeiro aquilo que disse, existirá então de facto, nos dias que correm, para além de um grave problema de desemprego, sub-emprego, ou precariedade laboral crescentes, um grave problema com a liberdade de expressão.

Atrevo-me até a dizer, sem grande risco de engano, que um problema influencia o outro e vice-versa. Quanto mais desemprego e menos trabalho seguro e digno, menos liberdade.

Por isso é que, em geral por motivos de ordem laboral, há descontentes e revoltados que acompanham com fé, no dia 25 de Abril (em acto provocatório), a inauguração de uma praça com o nome de António de Oliveira Salazar ou, em concursos televisivos (pouco inocentes), elegem o ditador como maior português de sempre. Simplesmente perderam, em conjunto com o emprego ou outros direitos sociais e laborais, a capacidade individual de serem livres...

Por isso é que é importante lembrar o 25 de Abril. Os que penaram. Os que morreram. Os que foram torturados. Para que, no país onde o 25 de Abril se deu, ninguém se atreva a desejar, na sua secreta esperança, que algum dia se voltarão a viver as mesmas aberrações.

Por isso é importante confirmar, em vésperas de 1º de Maio, que os trabalhadores não se libertam da ameaça do desemprego, e da perda de condições de trabalho, silenciando a sua voz e o seu descontentamento ou refugiando-se na esperança de que, para salvar o seu próprio destino, chegará de novo o homem forte e omnipotente para impor a lei e a ordem. Essa lei e essa ordem não são hoje, não foram ontem, nem serão amanhã, as suas. E o silêncio, esse, será sempre o penhor da sua liberdade.

Foi exactamente no dia 1º de Maio de 1974, 5 dias depois da revolta militar vitoriosa, que uma impressionante manifestação juntou de mãos dadas em Lisboa, cerca de um milhão de pessoas, para assinar com o país renascido um novo contrato social. Para além do fim da guerra colonial, as reivindicações expressas na manifestação, como o salário mínimo, as reformas e a segurança social, as férias, a igualdade e a segurança no trabalho, a regulamentação dos seus horários, a liberdade sindical, o subsídio de desemprego, o direito à saúde e à educação, de imediato passaram à lei, e à prática. Em liberdade e unidade, de viva voz se ouviram as grandes reclamações populares, o país emergiu das catacumbas, assinou o contrato, e andou para a frente.
É entretanto à quebra progressiva deste contrato aquilo que estamos hoje assistindo, por imposição de uma lei e uma ordem que, novamente nos são estranhas, e por isso o país anda para trás e somos hoje menos livres.
Mario Abrantes



[Inaugura-se hoje e aqui uma mais que benvinda colaboração regular do Mário Abrantes, que muito enriquece a Política. Benvindo, Mário!]

quarta-feira, 29 de abril de 2009

educar para a denúncia


Parece que, alguns meses depois de alguns alunos de uma Escola Secundária de Fafe terem atirado ovos à Ministra da Educação, esta enviou um inspector à escola para interrogar suspeitos e tentar obter delações.

É verdade que atirar ovos, mesmo à Maria de Lurdes Rodrigues, é crime. Só que compete exclusivamente às autoridades policiais a sua investigação. Paradoxalmente, parece que nenhuma queixa foi apresentada.

Assim, lá vai o Ministério da Educação, dando o exemplo, tentando criar uma jovem geração de pequenos denunciantes. Afinal são essenciais para a manutenção de qualquer poder autoritário que quer ser duradoiro, mesmo quando tenta dizer que é de "centro-esquerda"!

computação evolucionária

Na Universidade de Coimbra estuda-se um dos ramos mais avançados do conhecimernto e um dos grandes desafios científicos do nosso tempo: a computação evolucionária.

Trata-se de procurar na natureza as respostas para problemas complexos. Os sistemas naturais têm em muitos casos soluções simples para a selecção e gestão de informação complexa. Que têm a ver o sistema imunitário humano e os filtros anti-spam? Tudo.

um post quase perfeito

Carlos Santos n'O valor das ideias desmonta muitíssimo bem os argumentos neoliberais dos que defendem a necessidade de, no contexto da crise, proceder a reduções salariais e aumentar a flexibilidade laboral (leia-se: a facilidade para despedir), como forma de aumentar a nossa competitividade e vir, eventualmente, a subir os salários.

Sem entrar na questão da imoralidade desta ideia, vale a pena lembrar que em Portugal o custo do trabalho é apenas 49% da média da UE e a produtividade é 63%, portanto...

A outra ideia fundamental é a desmontagem da utopia do mercado europeu de trabalho. É que a instituição da livre circulação de trabalhadores não cria, automaticamente, um mercado flexível e dinâmico. Há barreiras culturais, sociais e até afectivas, que dificultam a circulação dos trabalhadores no espaço comunitário. Não há um mercado de trabalho europeu, mas sim uma soma de mercados, com pouca integração entre eles. Não se podem decretar fluxos migratórios por via da flexibilização das leis laborais.

Esquecer isto é esquecer que há pessoas por detrás dos números da economia.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Hamlet Ferreira Leite


Deve ser uma dúvida difícil para a líder do PSD, depois de o PS ter absorvido os conteúdos e as bandeiras políticas tradicionalmente social democratas, depois de anos na oposição, o suave perfume do vislumbre do poder há de ser muito tentador...

Por outro lado, denunciar esse secreto anseio a 6 meses das eleições está muito para lá do tiro no pé. É mesmo um suicídio eleitoral em toda a forma.

As coisas não estão mesmo nada bem para MFL. Algo está mesmo podre no reino da Dinamarca...

segunda-feira, 27 de abril de 2009

a qualquer preço

Mão de obra oferece-se para trabalhar a qualquer preço
RTP - Açores

É assim que as coisas funcionam no mundo real, bem longe da propaganda do governo sobre a modernização das relações de trabalho. Estamos com certeza cada vez mais competitivos.

Vem-me à ideia a expressão: "lei da selva"...

purgas

Ministro das Finanças confirma afastamento de dez dirigentes de topo da função pública

Por não terem aplicado correctamente o novo sistema de avaliação de desempenho na administração pública, o famigerado SIADAP.

Um sistema burocrático, mal regulamentado, confuso que, entre outras maravilhas, implica a existência de quotas para as classificações mais altas, mas apenas nas categorias mais baixas. Um sistema que implica que um cantoneiro de limpeza, por exemplo, tenha de "trabalhar por objectivos" e onde mesmo as faltas por doença ou assistência à família, prejudicam a notação.

Um sistema que serve para uma coisa e para uma coisa apenas: impedir a normal progressão na carreira de funcionários competentes.

Os dirigentes da função Pública devem, antes de tudo, lealdade ao Estado, não às orientações ideológicas do governo do PS.

Açores com o dobro das gravidezes na adolescência


Haverá razões socio-culturais. Há. Isto não está forçosamente relacionado, em todos os casos, com situações de pobreza. É verdade. Sei até que se tratam, em muitos casos, de opções conscientes, que respeito.

Mas há um factor, causa e efeito, que está intimamente relacionado com todas as gravidezes adolescentes: o abandono escolar, questão que já abordei aqui.

Esse é o problema de fundo que tem ser enfrentado. Não basta o prolongamento artificial da escolaridade obrigatória, ao mesmo tempo que se mantém a idade mínima para trabalhar apenas nos 16 anos.

Não basta fazer umas campanhas de sensibilização modernaças, é preciso criar as condições para que as qualificações dos nossos jovem sejam valorizadas, do ponto de vista da sua carreira profissional e remunerações. Especialmente das jovens mulheres, que são as primeiras vítimas da precariedade e baixos salários e que, como tal, menos estarão interessadas em adquirir qualificações. Para que as suas escolhas possam ser livres e conscientes.

património mundial ou sorte de varas: agora escolha

Não consigo perceber como é que pode ser admissível a realização de touradas - e especialmente de sortes de varas - numa cidade Património Mundial.

Se, por um lado, nos interessa a distinção dada pela UNESCO a Angra do Heroísmo, temos também de aceitar os posicionamentos da UNESCO, por exemplo a Declaração Universal dos Direitos dos Animais. Não faz sentido uma coisa sem a outra. E por isso estou completamente de acordo com a Associação dos Amigos dos Açores.

Penso que esta questão da sorte de varas nos coloca perante a pergunta: afinal o que é que é mais importante?

Sermos mundial reconhecidos por aquilo que temos de profundamente nosso, original e único, ou sermos mundialmente reconhecidos como um povo atrasado, com tradições culturais bárbaras e onde a vontade de uma minoria privilegiada fez com que perdessemos uma distinção da UNESCO?

Agora escolha!

sábado, 25 de abril de 2009

onde é que você estava no 25 de Abril?


[Reportagem TVI que, infelizmente, não identifica os profissionais que a produziram]

De lá para aqui, o que mudou? O mundo mudou? Eles mudaram? Mudámos nós? Mudaram as nossas expectativas que eram tão grandes? Acomodámo-nos ao Abril possível? Ou passámos a achar impossíveis as esperanças de Abril?

De lá para aqui, o que mudou? Tanto... E tanto que ficou por mudar...

A 25 de Abril de 1974, eu estava apenas nos olhos esperançados de dois jovens que, não muito tempo depois, se tornaram meus pais.

A 25 de Abril de 2009 sei onde vou estar. Ao lado da minha gente, dos meus iguais, ombro a ombro, braço a braço, sem desistir de agarrar os impossíveis que a manhã de Abril nos prometeu.

E você? Onde é que vai estar no 25 de Abril?


quinta-feira, 23 de abril de 2009

ilícito? qual ilícito?


Afinal, se se pretende, com seriedade, combater a corrupção, seria coerente penalizar uma das suas mais óbvias consequências.

Mas não... Esta recusa do PS, mas também o indisfarçável mal-estar no PSD (merece aplauso Rangel por o enfrentar!), transmitem uma imagem muito complexa à opinião pública. Especialmente com nos dias que correm em que a credibilidade da justiça e da classe política está de rastos.

Afinal é preciso combater a corrupção. Mas não muito.

Açores e Guantanamo: a verdade não passou por aqui


Contra todas as crescentes evidências os partidos do centrão e a sua muleta resolveram continuar a tentar abafar a verdade óbvia da cumplicidade das autoridades portuguesas nas sinistras manobras da CIA, a mando de George W. Bush.

Tentando esconder um paquiderme atrás de um arbusto, tentaram falar de tudo menos deste assunto e acenaram com o empobrecido argumento de que "não há confirmações oficiais", pretendendo que os culpados venham voluntariamente confirmar a sua culpa. Defendiam também que não fazia sentido que o Parlamento açoriano discutisse isto, como se os Açores nada tivessem a ver com o assunto.

Com essa atitude reconheceram que são pequenos demais para se ocuparem do que diz respeito ao nosso arquipélago e que a palavra Autonomia (que usam com tanta ligeireza para os seus fins politiqueiros imediatos) afinal nada vale perante a vontade dos poderosos. Triste.

Sara Tavares: xinti

Vem aí mais um grande álbum de outra grande senhora da música portuguesa.

Chama-se Xinti e sai dentro de dias. "Música para sentir", diz Sara. A poesia das coisas simples, digo eu.

A não perder, em qualquer caso. Oiça e veja:

quarta-feira, 22 de abril de 2009

factos

José Sócrates foi longe demais no ataque à TVI e sabe-o muito bem.

As suas declarações são ofensivas para uma instituição inteira, insultuosas para os seus profissionais e uma demonstração clara da má convivência que o Primeiro Ministro sempre teve com o pluralismo e a liberdade de imprensa.

José Eduardo Moniz tem toda a razão. Sendo verdade que a TVI tem, por opção, uma linha editorial que dá espaço e atenção aos múltiplos descontentamentos que grassam no país, a verdade é que apenas relatou factos. J.E.M. não chegou ontem ao mundo do jornalismo e nunca daria o flanco, permitindo um processo por difamação por parte do Primeiro Ministro.

Ao contrário, Sócrates dá o flanco todo, mostrando ao país o triste espectáculo do seu desespero. Foi emocional, irreflectido, contraditório e conseguiu com isso arranjar um inimigo extremamente perigoso, especialmente para um político que enfrentará eleições dentro de poucos meses...

Sócrates já não engana ninguém: o problema não é a linha editorial da TVI. O problema são mesmo os factos.


terça-feira, 21 de abril de 2009

a crise estranha-se, depois entranha-se

Lucros da Coca-Cola caem 10% no primeiro trimestre de 2009
Ninguém escapa ao longo braço da crise...


votar contra a barbárie

Num momento em que as sondagens de corredor entre os deputados da Assembleia Regional (a quem parece que PS e PSD darão liberdade de voto) parecem inclinar-se para a aprovação das touradas picadas, pode ser importante o resultado do inquérito promovido no site da RTP Açores (ver o canto inferior direito do site).

Vamos votar contra a barbárie!

pescas: mais tesouradas europeias

O Livro Verde sobre a Política Comum de Pescas, da autoria da Comissão Europeia, só será apresentado amanhã, mas a BBC já teve acesso ao documento.

A Comissão Europeia (obrigadinho ao compatriota durão Barroso!) pretende continuar a reduzir as quotas, o número de embarcações e os subsídios à actividade.

O argumento é o do costume: a sustentabilidade dos recursos piscícolas.

Mas, sendo um argumento válido em relação às grandes frotas industriais, com artes destrutivas, especialmente dos países do Norte da Europa, será que vão ser previstas excepções para a pesca de pequena escala como as praticadas pelas embarcações açorianas?

E o fim dos apoios ao combustível? Que efeitos vão ter na nossa Região? E qual é o posicionamento do Governo e dos diversos candidatos ao PE sobre esta matéria?

Tendo em conta o passado das negociações europeias, temo que tenhamos pouco a ganhar com estas alterações.

Caso para dizer: "Eles, europeus. Nós, lixados mais uma vez."

planeta Chávez

Via Admirável Mundo Novo, fiquei a conhecer o blog As Linhas de Chávez, que reproduz em português o blogue do Presidente Venezuelano.

Uma adição de valor para a barra à esquerda do Política Dura, com uma banda sonora inesperada e, sobretudo, a possibilidade de conhecer melhor uma das grandes experiências sociais inovadoras deste início do século XXI. Imperdível!

segunda-feira, 20 de abril de 2009

o lado negro de Vital

Em ritmo de twitter, não resisto a comentar o debate entre os candidatos ao Parlamento Europeu a que assisto no canal 1.

Face à contestação, Vital mostrou o seu lado negro. Hesitação, ausência de argumentos, vitimização infantil e, sobretudo, fugindo, como o diabo da cruz de discutir as políticas que o PS aplica em Portugal, como se não tivesse nada a ver com isso.

Perante a sólida argumentação de Paulo Rangel, Vital Moreira insulta-o com as divisões internas do PSD. Perante a elegância de Nuno Melo, Vital Moreira insulta-o acusando-o de apresentar números falsos. Perante a contundência de Ilda Figueiredo e mesmo perante a poética demagogia de Miguel Portas, Vital limita-se a tentar contra-atacar com tíbios argumentos sobre o facto de PCP e BE pertencerem à mesma família europeia.

Vital conseguiu ser esmagado e ficar sem resposta perante todos e cada um dos outros candidatos, ficando, desesperado, a brandir o único e disparatado argumento que lhe ensinaram no Largo do Rato: "quem critica as políticas europeias e o tratado de Lisboa é anti-europeu!"

Fraco. Muito fraco. A máscara do intelectual, ponderado e tolerante (que Vital nunca foi) caiu mais depressa do que eu esperava... Não fossem as escandalosas ajudas, tipo 112, da jornalista(?) Fátima Campos Ferreira e a animada claque socialista para quem a produção do programa reservou as primeiras filas da plateia, e o desastre teria sido ainda pior!

a coragem, a vergonha e a falta dela

Merece aplauso a coragem de Ban-Ki-Moon ao afirmar na Conferência de Durban sobre o Racismo e a Xenofobia, que "a Islamofobia também é racismo."

Ao dizê-lo, põe-se corajosamente ao lado dos povos que têm sido demonizados, explorados, oprimidos, e demonstra porque é que a ONU ainda é a instância mais progressista na cena internacional e o único espaço capaz de construir soluções reais de paz e cooperação no mundo.

Outra palavra para a vergonha que cobre os governos dos Estados Unidos (Obama, sim), Itália, Austrália, Alemanha, Holanda, Nova Zelândia, Canadá e Israel, que boicotaram esta iniciativa da ONU. É que se as opiniões de Ahmedinajad merecem crítica, a tentativa de sabotar uma iniciativa internacional sobre uma questão tão importante como esta, merece-a ainda mais.

Sem palavras: a falta de vergonha dos representantes da União Europeia (muito me orgulha que Durão Barroso seja português!) que não tiveram a coragem de boicotar a Conferência, mas acabaram por abandoná-la, numa atitude verdadeiramente indescritível.

Eu não boicoto. Veja o site da Conferência.

domingo, 19 de abril de 2009

a universidade em ruínas: os silêncios da JS

Berto Messias, Presidente da JS Açores, seguindo a velha máxima publicitária "a repetição funciona", resolveu publicar o mesmo artigo na edição de Sábado do Diário Insular e do Açoriano Oriental, sobre a asfixia financeira das nossas universidades.

Algumas coisas surpreenderam-me no seu texto: 1) o reconhecimento explícito de que existe uma situação de asfixia financeira das universidades e o consequente reconhecimento implícito de que os Governos do PS nada fizeram para o resolver.
2) Finalmente, depois de muitos, mesmo muitos, anos a negá-lo, a JS finalmente reconhece que as propinas não são usadas, como prometido, para aumentar a qualidade de ensino, mas sim para substituir o financiamento do Estado, conforme avisavam os estudantes quando António Guterres lhes impôs uma lei de propinas.

Fico honestamente contente que a JS, ao mais alto nível reconheça finalmente estes dois factos e nem quero acreditar que Berto Messias esteja a ter uma posição meramente regional, julgando que a direcção nacional da JS não lê os dois principais diários açorianos...

Para o autor o problema é "cultural" e advém do facto de se pagar muito dinheiro em salários na Universidade. Pois... Prefere não dizer que boa parte dos nossos melhores professores e investigadores prefere ir para Universidades estrangeiras, devido às misérias que ganham em Portugal.

Escolhe silenciar que foi o PS, a par de PSD e CDS, que impuseram uma visão "comercial", de merceeiro, do financiamento do Ensino Superior, obrigando as Universidades a, desse lá por onde desse, arranjarem receitas próprias (propinas) e que agora é Mariano Gago que as quer obrigar a transformarem-se em fundações de direito privado, para que o Estado possa calmamente lavar daí as suas mãos...

Do ponto de vista regional, deixo duas perguntas: não valeria a pena a Universidade dos Açores manter alguns cursos, mesmo que com poucos alunos, mesmo que pouco rentáveis financeiramente, como arquitectura, ou direito, de forma a impedir que centenas de jovens açorianos tivessem de "emigrar" para o continente, quantas vezes de vez? Não deveria o Estado (todos nós, portanto) a assumir os encargos com a Universidade, como factor decisivo para o futuro do país?

sexta-feira, 17 de abril de 2009

incompreensível

O PCP considerou hoje "absolutamente incompreensível" a proposta do Governo de taxar em 60 por cento o enriquecimento ilícito, quando não aceita criminalizar esta realidade.


"O Estado não aceita que esse enriquecimento ilícito seja julgado pelos tribunais, mas propõe que seja o Estado, através do fisco, a taxar esse enriquecimento ilícito", criticou hoje, em declarações aos jornalistas no Parlamento, o deputado comunista António Filipe.


A vontade de José Sócrates de aparentar uma política de esquerda, ao mesmo tempo que tenta não incomodar muito os grandes grupos económicos, leva às vezes a que defenda asneiras de grande calibre!

assim também eu

Citigroup lucra 1,6 mil milhões de dólares no 1º trimestre

O CitiGroup apresentou finalmente resultados positivos no 1º trimestre de 2009, no valor de 1,6 mil milhões de dólares.

Consegue-o depois de ter despedido mais de 65.000 trabalhadores em todo o mundo e de ter recebido 45 mil milhões de dólares dos contribuintes norte americanos.

Pois. Assim, também eu!

quinta-feira, 16 de abril de 2009

compatriotas destes...

Carlos César apoia Durão Barroso

Carlos César, com o seu lamentável seguidismo político de ocasião e a sua inesgotável vontade de se mostrar como bom aluno, declarou publicamente o seu apoio à recandidatura de Durão Barroso.

Fê-lo, disse, por uma questão de "patriotismo" e por se sentir "orgulhoso de ter um compatriota à frente da Comissão Europeia".

Ora, no seu arrobo patriótico, o Presidente do Governo Regional esqueceu-se de várias coisas. Por exemplo que foi este "compatriota" que associou o nome dos Açores a uma guerra criminosa, na infame "cimeira da vergonha", ou que foi no mandato deste "compatriota" que a UE decidiu acabar com as quotas leiteiras, com o que vai destruir, certamente, a nossa agricultura, esqueceu que este "compatriota" por acaso até pertence a um grupo político que tem ideias contrárias às que César diz defender.

A vontade de ficar bem na fotografia e continuar a fazer toscas caricaturas dos posicionamentos de José Sócrates levaram Carlos César, com esta atitude, a esquecer os seus compromissos com os Açores e com os Açorianos. Lamentável.

Antero online



(e ainda há quem diga mal dos serviços públicos...)

Portugal segundo Saramago

"Quando informaram o rei D. João V do preço do carrilhão que iria ser instalado em Mafra, ele não se conteve e, com a sua ridícula prosápia de nouveau-riche, disse: “Acho barato. Comprem dois”. E, não há muitos anos, quando Portugal foi encarregado de organizar o campeonato europeu de futebol, que logo desgraçadamente não ganhou, alguém terá dito que precisaríamos de construir uns quantos estádios porque estávamos muito em baixo de instalações desportivas. Imagino o diálogo: “Quantos?”, perguntou o manda-chuva da modalidade, “Aí uns três ou quatro devem bastar”, respondeu o técnico, “Quais três? Quais quatro?” indignou-se o figurão, “Dez, doze é que hão-de ser, seríamos uns bons idiotas se não aproveitássemos os fundos europeus até lhe vermos o fundo ao saco”. Também neste caso alguém se enganou nas contas ou com elas nos enganou.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

combater desigualdades


Curiosamente, ou talvez não, a mesma ideia também é defendida por Barack Obama.

Esta medida está integrada num pacote legislativo contra a corrupção, branqueamento de capitais e enriquecimento ilícito. O aumento da carga fiscal sobre bónus, indeminizações chorudas e salários milionários é usar a crise para fazer justiça. Só há desenvolvimento com mais igualdade.

deprimente


Os dados do Estudo Sobre o Rendimento Escolar no Nível Secundário de Educação, da Secretaria Regional da Educação apresentam números verdadeiramente deprimentes.

Abandono escolar de 31% nos cursos Científicos e Humanísticos e de 47% nos cursos tecnológicos e, ainda, elevadas taxas de insucesso em ambos os casos.

A questão é de fundo e não é nova: Enquanto a perspectiva que damos aos jovens for a do trabalho precário, mal pago, sem segurança, ou a do "estágio eterno", será sempre mais tentador ingressar mais cedo no mercado de trabalho.

Apesar das declarações grandiloquentes dos nossos governantes sobre a qualificação dos portugueses e sobre a "sociedade do conhecimento", a verdade é que a maior parte dos empregadores procura é trabalhadores não qualificados, que possam manter, sem grandes queixas, em permanente situação precária, ou que possam substituir com facilidade, chegando até a recusar gente, por "excesso de qualificações".

E a legislação laboral abre-lhes todas as portas para agirem assim. Basta pensar, por exemplo, na extensão desmesurada do período de experiência para os trabalhadores recém-contratados, consagrada no Código do Trabalho.

Os jovens sabem tudo isto muito bem. Sentem-no na pele. Assim, para quê estudar?

terça-feira, 14 de abril de 2009

Händel

Em dia de aniversários, e em fidelidade aos meus próprios vícios musicais, não podia deixar de assinalar também o 324º aniversário do nascimento de Händel.

Georg Frideric Händel foi um homem feliz. Sob qualquer ponto de vista. Uma vida longa, frutuosa, que assiste ao reconhecimento do seu próprio talento. Invejável.

Uma boa parte dessa felicidade transparece, sonante, poderosa e cristalina na sua música. E não pode deixar de nos contagiar.

O melhor mesmo é ouvi-lo!




Cedendo à tentação do exagero, não resisto a partilhar também a ária "ombra mai fu" ("a sombra nunca existiu") da sua ópera, Xerxes e considerada por muitos (por mim também) como uma das mais belas melodias algumas vez escritas.


Aos leitores habituais, as minhas desculpas. A política continua amanhã.


Soeiro

Soeiro Pereira Gomes faz hoje 100 anos. E digo "faz" em vez de "faria", porque a obra, o exemplo, as ideias e, acima de tudo, a inquebrantável vontade de fazer um mundo melhor que Soeiro nos trouxe, são imortais.

Soeiro soube fazer das letras armas contra a opressão, e trazer à luz o sofrimento, mas também a esperança de um povo. Muito mais do que palavras...

Soeiro soube, homem inteiro, envolver-se na vida à sua volta, participar, tomar partido, tendo morrido na luta clandestina contra a ditadura fascista. Muito mais do que palavras...

"Esteiros", "Engrenagem", "Contos Vermelhos" e tantas outras histórias que lemos há tanto tempo e que não esquecemos.

Muito mais do que palavras: a vida. Parabéns Joaquim!

segunda-feira, 13 de abril de 2009

obrigadinho, centrão!


Longe vão os tempos da paixão pela educação!

Relembro peças no processo de desmantelamento da Universidade em Portugal: Cavaco Silva impôs uma lei de propinas, sempre jurando os estudantes que eram apenas para despesas de investimentos das faculdades. Depois Guterres, prometeu acabar com as propinas, mas ganhas as eleições, manteve-as. Depois Durão Barroso, que as agravou. E por aí adiante...

Apesar das promessas feitas aos estudantes, a verdade é que as propinas nunca serviram para aumentar a qualidade de ensino, mas apenas serviram para ir o Estado ir reduzindo as transferências para as universidades, que se viram forçadas a ir aumentando o seu valor.

Agora que os alunos escasseiam (estudar sai caro, impossivelmente caro, para a maior parte dos jovens portugueses...), o torniquete aperta ainda mais.

E assim se aposta na qualificação dos portugueses e no futuro do país! Obrigadinho ao centrão.

domingo, 12 de abril de 2009

lucidez

Não podia estar mais de acordo com o artigo de Paulo Simões no Açoriano Oriental, sobre as responsabilidades e a tentação de Carlos César de passar a batata quente no caso do navio Atlântida, e do qual retiro três ideias fundamentais:

1. Quem tem de assumir a responsabilidade política deste caso é Duarte Ponte e, sobre tudo, Carlos César. Vasco Cordeiro é responsável pela tentativa de abafar o assunto até onde foi possível, sempre afirmando que os navios estariam prontos a tempo. Foi um erro, mas não o torna o principal responsável por mandar mais de 31 milhões de euros pelo cano abaixo. As responsabilidades são claras: politicamente, o PS; pessoalmente, Carlos César.

2. Ainda falta apurar a verdadeira dimensão do buraco financeiro, que será agravado com os custos do aluguer dos navios para a época de 2009.

3. A incapacidade da anterior Assembleia em fiscalizar convenientemente o processo. Tanto o PSD como o CDS deixaram-se ficar nas promessas e afirmações do Governo Regional sobre o andamento da construção do navio e não utilizaram os meios ao seu dispor para fiscalizá-la. A nova composição da ALRA já está a ter efeitos, pois parece que esta, agora, já tem maior vontade de acompanhar o assunto. Mais vale tarde...

sábado, 11 de abril de 2009

de pescadores a banqueiros num dia

A fabulosa reportagem de Michael Lewis, "Wall Street on the tundra", na Vanity Fair deste mês, conta a história patética, incrível e dramática do crash financeiro da Islândia.

A forma inenarrável como o vício da especulação financeira se impregnou em todos os níveis da sociedade, transformando os islandeses em aprendizes de feiticeiro, de pescadores em banqueiros em poucas horas.

Uma história da irracionalidade do sistema que é tanto mais lucrativo quanto mais longe estiver da realidade dos factos económicos. Um "case study" a que um professor universitário chamou "a bolha perfeita".

Um memorial sobre a era em que vender expectativas era o grande negócio que fazia girar o planeta. Bom jornalismo. A não perder!

sexta-feira, 10 de abril de 2009

paixão

Nesta 6ª feira da Paixão, quero lembrar aqui como um dos povos mais sofredores da Europa,que, desde sempre, que sofreu as piores perseguições e humilhações, pegou em toda essa dor e sofrimento e, através da música, os transformou numa imensa alegria, que com prazer partilham com os outros.

Também os ciganos da Europa nos ensinam como a alegria e a esperança são inerentes à natureza humana.

sismos


Antes que os cépticos venham comentar a oportunidade da apresentação desta proposta, no seguimento do sismo em Itália, importa lembrar que se trata de reapresentar um projecto que foi chumbado pelo PS em 2005.

E é algo que devíamos também ponderar seriamente na nossa Região. Como andam (se andam) os planos locais de emergência nas nossas vilas e cidades?

Ideias simples como reforçar a fiscalização das construções, a coordenação de planos locais de emergência e a hierarquização das situações de risco, acompanhado de um reforço de meios para o Instituto de Metereologia e postos de monitorização sísmica, nunca irão afastar todos os riscos, mas podem fazer toda a diferença perante uma situação de catástrofe.

Haja coragem de a aprovar.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

finalmente

Atlântida: Governo rompe com Estaleiros

E já não era sem tempo, senão for demasiado tarde. É de lamentar que se tenha atrasado esta decisão e a criação das necessárias alternativas de transporte para a próxima temporada apenas para tentar "salvar a face" política.

O Atlântida acabou e parece que até já está venda e tudo. O Anticiclone não passará do projecto. Começa o que se adivinha vá ser um longo e penoso processo litigioso com os Estaleiros de Viana do Castelo.

Tem também de começar o processo de apuramento de responsabilidades políticas e pessoais. Mas uma coisa é certa: o PS falhou rotundamente um dos seus grandes desígnios, uma das suas "obras de mandato".

a coluna de JP Guerra no Diário Económico

Cacaracá
08/04/09 | João Paulo Guerra

O doutor Durão Barroso já conta com o apoio de 20 governos e de outras tantas marcas de máquinas eleitorais para vir a ser reconduzido na presidência da Comissão Europeia.

Entre tais apoios contam-se alguns governos que se reivindicam de socialistas. O que prova algumas coisas: que a euforia a favor da mudança no mundo personificada em Barack Obama é tão aparente como o socialismo de alguns socialistas pós-modernos que são capazes de tudo. Por exemplo, capazes de contribuir para manter na ribalta um figurante da famigerada reunião que declarou uma guerra com motivo numa mentira, derradeiro abencerragem do séquito de George W. Bush nas Lajes.

Entre os socialistas dispostos a reconduzir o doutor Durão Barroso contam-se, como seria de todo previsível, os portugueses. O Partido Socialista português tem uma permanente e fatal atracção pelo abismo da direita e está sempre disposto a dar o tal passo em frente. E aconteceu agora mais uma vez quando o líder do PS, falando na qualidade de chefe do Governo, deu como adquirido e consumado o apoio do partido à recondução de Durão Barroso. No que, aliás, foi imediatamente acolitado por alguns dos incondicionais de serviço.

A declaração de apoio a Durão Barroso abriu uma leve contestação no PS. Mas contestações no PS, hoje em dia, são desavenças de cacaracá e não produzem efeitos que dêem notícia. Tirando os que ganharam o estatuto para dizer tudo, ou não ganharam o estatuto mas dizem, mais uma dúzia de mulheres e homens de coragem e sem nada a perder, os discordantes vão baixar rapidamente o nível da discordância e meter a viola no saco. Isso de viola era no tempo das baladas de Coimbra e baladas leva-as o vento que passa. Ah, pois passa.


pequena política

Este artigo de Luís Garcia no Faial Online revela bem toda a extensão do vazio desesperado do PSD Faial. Neste âmbito o título "Desespero" é mais do que apropriado, mas não no sentido que o autor pretendia.

O PSD Faial nunca ultrapassou o trauma de ter sido relegado para o papel de oposição oca, que nunca esteve disponível para assumir responsabilidades e efectivamente fazer alguma coisa pelo concelho. A sua política de terra queimada, ao longo de todo o último mandato, descredibilizou-os completamente perante os faialenses e a prova está na dificuldade que o PSD Faial tem em fazer listas de freguesia ou, mesmo, de conseguir arranjar um cabeça de lista credível. Até porque Luís Garcia, apesar da vozearia descontrolada que despeja em páginas de jornal, não está certamente disponível para abdicar do salário de deputado para o de vereador sem pelouro.

Luís Garcia derrama ódio cego e primário sobre a CDU, tentando apagar as obras, como o saneamento, que o PSD enquanto foi poder nunca teve nem competência, nem a coragem política de lançar. Com esta atitude revela a sua verdadeira preocupação. Não é ganhar a Câmara, não. Isso o PSD Faial sabe que está completamente fora do seu alcance.

A preocupação do PSD é tentar abater a CDU para poder voltar ao rotativismo confortável, em que sem qualquer esforço, mais tarde ou mais cedo, a Câmara da Horta lhes viria cair no colo. O que Luís Garcia não percebe é que esses tempos já lá vão.

Os pequenos políticos têm destas coisas: insistir nas suas próprias cegueiras, esperando que alguém os siga pelo banco barranco abaixo. Lamentável!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

blasted arquipélago

Os Blasted Mechanism estão nos Açores para lançar o seu novo álbum com um concerto nas Sete Cidades.

Que azar o meu que não estou lá, para ouvir a nossa melhor banda de rock inter-galáctico! Fica um vídeo para aguçar o apetite.

histórico

Fidel Castro recebeu congressistas dos Estados Unidos

Histórico e revelador de uma nova era nas relações entre Cuba e os Estados Unidos da América.

Prova que novos caminhos de paz e cooperação começaram decididamente a ser trilhados na América Latina.

Só por isto, já valeu a pena que os norte-americanos tenham elegido Obama.

Boas notícias!

Leia as reflexões de Fidel sobre esta visita.

terça-feira, 7 de abril de 2009

nuclear

Este artigo do Expresso informa sobre a criação de uma associação de cientistas para a divulgação em Portugal dos potenciais da energia nuclear.

É um assunto sobre o qual não tenho mesmo preconceitos e partilho a opinião da European Physical Society (EPS) sobre a necessidade de se criar um ciclo de produção de energia que seja isento de emissões. E, até à data, apenas o nuclear consegue este objectivo.

Ninguém pode negar que existem riscos, mesmo com as novas gerações de reactores, mas penso que devem sempre ser analisados com racionalidade e não à luz de velhos fantasmas e livros de ficção científica.

Interessaria a Portugal? Sem dúvida, até tendo em conta o nosso elevado nível de dependência energética. A opção nuclear tem certamente de fazer parte da discussão sobre as nossas possibilidades energéticas

Recomendo vivamente a leitura da opinião fundamentada da EPS. Este problema deve ser abordado com posições racionais e abalizadas, sem dogmas nem preconceitos.

Nuclear? É certamente uma possibilidade.

Guernica



António Abreu, no seu blog Antreus chamou a atenção para este belo filme sobre a tragédia deu Guernica e ao quadro que a tornou famosa.

Vale a pena ver!

boa televisão

A TVI 24, com níveis diferenciados de qualidade tem criado espaços interessantes de informação e debate.

Entre eles, começo a viciar-me seriamente no "Conversa Indiscreta". Não é apenas o prazer de poder contemplar Alexandra Lencastre e o seu magnético sorriso,. Têm sido conversas inteligentes, interessantes e animadas.

Hoje, com Carvalho da Silva, Alexandra conduziu mais uma entrevista com brilhantismo, revelou boa preparação, argúcia, não teve medo de ir às perguntas incómodas nem de derrubar os estereótipos habituais sobre os sindicalistas, e equilibrando a informação político-social com o lado humano.

Às vezes vale a pena ver televisão.

a bater no fundo


O facto não é novo nem surpreendente: os produtores de leite continuam a ser indecentemente roubados pela grande indústria, que procura financiar-se pelos cortes do preço pago à produção, enquanto mantêm os preços no consumidor.

A resposta não pode passar apenas por mais ajudas governamentais que, de forma indirecta vão acabar nos cofres das grandes indústrias.

O que se impõe é uma intervenção legislativa directa nos mecanismos de formação do preço do leite. Até porque este mercado nunca foi "livre", mas sim controlado por interesses que não são os dos produtores, que não são os da Região.

Uma nota apenas para o atraso da Secretaria Regional da Agricultura na aprovação de projectos para candidaturas a fundos europeus: Inaceitável!

outra leitura da crise segundo Saramago




do indispensável Caderno de Saramago

segunda-feira, 6 de abril de 2009

autonomia é democracia

Cavaco Silva diz que Estatuto Político Administrativo colocou em causa "valores basilares da Democracia".

Com esta triste declaração o PR demonstra a sua incompreensão de uma das características mais profundamente democráticas do sistema político português: o princípio da descentralização do poder, que tem profundas e antigas raízes históricas e que o nosso povo consagrou na máxima popular do "...mandam os que lá estão".

É preciso ser claro: em tudo o que não comprometa a unidade do Estado e do Território, o princípio que deve imperar é o da decisão democrática local, no nosso caso, Regional. Foi este o princípio consagrado na Constituição, foi este o princípio aprovado no novo Estatuto, é este o princípio que tem permitido o desenvolvimento dos Açores.

O que o PR não consegue compreender é que não se trata de separatismo, trata-se de democracia!

a política cresce

Correndo o risco de estar a ceder à auto-glorificação, não podia deixar de registar que o Política dura ultrapassou as 5000 pageviews no dia em que faz apenas dois meses de idade (hoje).

Obrigado a todos os amigos e visitantes. Comentem mais, critiquem, digam mal!

domingo, 5 de abril de 2009

isto é que é governar à esquerda

Trabalhadores a recibo verde podem ter que pagar mais à Segurança Social

(roubei ao Irmão Lucia)

suicídios exemplares


Cavaco Silva volta à carga no Estatuto dos Açores

Cavaco Silva continua alegremente a assassinar o PSD Açores.

Mais um que pensa que ninguém tem o direito de lhe suceder: "Depois de mim, o caos". Nunca atribuí grande credibilidade aos supostos conflitos institucionais e políticos com Sócrates. Se calhar tenho razão. Cavaco gosta é deste PS.

touradas no parlamento

Leio aqui que Paulo Estêvão pretende legalizar a sorte de varas nos Açores. É um tremendo erro e um tiro no pé.

Paulo Estêvão estava a construir a imagem de uma oposição corajosa e inteligente. Independentemente das nossas (óbvias) diferenças ideológicas, sempre lhe admirei a oratória brilhante, a postura consequente e a firmeza na defesa da sua ilha e das suas convicções.

Temo que se tenha deixado levar por pressões partidárias ou por miragens de mediatismo. É pena.

Mas sempre vai ser interessante ver como se posicionam PS e PSD perante a questão, até tendo em conta as declarações dúbias e de sentido contrário que alguns dos seus dirigentes têm feito nos jornais da Região.

Esse valor a iniciativa tem. Quanto ao resto, é um tremendo erro, de que certamente sairá derrotado. E, felizmente, é um projecto de Decreto Legislativo Regional não poderá ser repetida este ano...

sábado, 4 de abril de 2009

impérios da demagogia

A discussão das Orientações de Médio Prazo, Plano Anual e Orçamento 2009 na ALRA teve de tudo:
Desde piadas de bom e de mau gosto, alguma gritaria e flores de oratória, demonstrações de sapiência supostamente iluminada e de ignorância empedernida e renitente. Noitadas com votações até às duas da manhã e intervalos regimentais só para ir fumar um cigarrinho. Houve boas propostas, más propostas, propostas que não aquecem nem arrefecem. Enfim, mais uma semana alegre...

Alguns partidos preferiram aproveitar-se do mediatismo associado à discussão do Plano e Orçamento para darem largas à veia demagógica e populista, e distribuir milhões como quem distribui sopas do Espírito Santo.

Assim, o Império do BE, distribuía a esmo milhões pelos estudantes do Ensino Superior e pelas pensões mais baixas (propostas justas, diga-se), mas sem se terem dado ao trabalho de fazer a proposta de Decreto que permitiria concretizar estes apoios. Foi curiosa a teimosia do BE em não perceber que as despesas têm de ser iguais às receitas, é que para além de estar lá escarrapachado na Lei que o BE não leu, é uma questão de simples bom senso...

No Império de Artur Lima (que às vezes se chama Império do CDS-PP) distribuíam-se milhões para aviões cargueiro, pondo de parte a SATA (que o CDS sonha privatizar) e, melhor ainda, distribuíam-se ainda mais milhões para o sector privado da saúde, com o chamado cheque-saúde. Em vez de tentarmos melhorar o nosso Sistema Regional de Saúde e arranjar os profissionais que faltam, dá-se um cheque para o utente se ir tratar onde puder. Bravo!

No Império do PSD, vivem-se dias tranquilos à espera que a governação dos Açores lhes venha cair no colo em 2012, e não se fala de outra coisa. Mas, entretanto, sempre se vai propondo uma redução no IRS dos açorianos que ganham mais de 5000 Euros por mês. Lindo!

Sopas destas, nem pelo Espírito Santo!

quinta-feira, 2 de abril de 2009

uns e os outros



Ao contrário das outras forças políticas, que adiam até à última hora a entrega das suas propostas, o PCP foi o primeiro partido a apresentar no Parlamento Regional as suas propostas de alteração ao Plano e Orçamento para 2009.

Uns preferem internar-se em obscuras negociações de corredor, enquanto outros optam uma postura de abertura e responsabilidade.

Uns preferem apresentar propostas primeiro à comunicação social e só depois ao Parlamento, revelando que não estão verdadeiramente interssados na sua real discussão ou aprovação, enquanto outros respeitam a Sede da Autonomia e consideram que é aí, antes de tudo, que as ideias devem ser discutidas.


É a diferença entre a postura da estratégia de uns e a postura da responsabilidade de outros.

Para registo, aqui ficam as propostas que o PCP apresentou:
- 300.000€: criação de um Plano Regional de Combate ao Trabalho Precário, subemprego e Trabalho Ilegal;
- 1.500.000€: reforço de meios para os Municípios poderem intervir em realojamentos e situações habitacionais urgentes;
- 200.000€: Campanhas de prevenção do álcoolismo e criação do Centro de Adictologia da Horta, para servir as ilhas do Pico, Faial, Flores e Corvo.

crescidos e graduados

Este artigo de Mário Abrantes no Diário dos Açores coloca as questões mais importantes sobre a questão das contrapartidas da Base das Lajes, sobre as quais escrevi isto e isto.

Retenho uma frase importante:

"O actual Acordo luso-americano é um mau negócio que nos impõe elevadas obrigações e baixos benefícios, que não serve os interesses nacionais e particularmente açorianos.”…”Do actual Acordo deveríamos tirar contrapartidas, sendo a mais simples a financeira, para que do negócio resultem vantagens para ambas as partes."

E acrescento, não será importante começar a desenhar-se uma posição política bem-definida e forte em relação à futura revisão do Tratado de Cooperação com os EUA?

É que, mesmo na era Obama, a Base das Lajes constituiu um valor estratégico indispensável e insubstituível para a extensão do aparelho militar americano, como aliás é demonstrado pela sua vontade em lhe acrescentar novas valências.

Não aproveitar as nossas vantagens e abdicar de uma negociação que nos favoreça será com certeza pouco inteligente. E indigno.