terça-feira, 30 de junho de 2009

Pina Bausch (27/07/1940 - 30/06/2009)



Estamos mais pobres.

tudo decidido

F-22 nas Lajes em 2010

Como era de esperar já tudo está decidido e como habitual, nas costas dos açorianos.

Não há cá tempo para estudos de impacto ambiental, medições poluição sonora, avaliação de riscos ou negociação de contrapartidas. Os treinos começam para o ano e já este verão virão aos Açores algumas aeronaves para fazer ensaios.

Se Portugal tinha alguma hipótese de fazer pressão negocial, agora é que já foi mesmo pelo cano abaixo. E toda a gente se cala...

4255 euros


Óptimo. Mas, dividindo-os em partes iguais (que sabemos que não são) pelas cerca de 4700 explorações agrícolas da Região, cada agricultor teria direito à fabulosa soma de 4255,32 Euros! É isto que vai dar finalmente competitividade às nossas produções?

Foi por estes trinta dinheiros que os nossos governantes venderam em Bruxelas a sobrevivência da nossa agricultura?

quem pode manda


Parece que o Presidente do Governo Regional se prepara para dar a machadada final na sua já fragilizada Secretária Regional da Educação e Formação. Carlos César está certamente muito preocupado com a fuga dos votos dos professores para o Bloco de Esquerda, facto que amargamente verificou nas passadas europeias. Daí que prefira desautorizar publicamente Lina Mendes a entrar numa guerra que apenas daria força aos seus adversários.

E a SREF? como fica no meio disto tudo? Como vai aceitar esta menorização da sua figura e - mesmo - do seu cargo? Com que credibilidade poderá agora ir às escolas ou enfrentar os professores? A verdade é que a sua enorme falta de talento governativo conseguiu em poucos meses arruinar todas as expectativas que sobre ela foram depositadas. Estaremos assim perante a 1ª remodelação governamental, a menos de um ano das últimas eleições regionais?

Fica sobretudo uma lição sobre como funciona o Governo Regional. Todo o poder reside no Presidente. Um poder absoluto e pessoal que só admite relações de subordinação e obediência ao chefe. Alguém fica surpreendido?

sábado, 27 de junho de 2009

do mundo: boas e más notícias

Da Irlanda do Norte chegam boas notícias. Os grupos protestantes lealistas aceitam finalmente depor suas armas.

O radicalismo protestante foi sempre um dos principais factores de instabilidade no país, beneficiando durante muito tempo do beneplácito das autoridades inglesas para manter viva uma guerra que Londres considerava útil para os seus próprios fins políticos.

Quatro anos depois de o IRA ter tomado unilateralmente a decisão de baixar as armas, os grupos protestantes, os que mais tem ameaçado o processo de paz e que maiores entraves lhe têm colocado, parecem finalmente perceber que no Ulster só haverá vitórias desarmadas. Ainda bem.


Dos Estados Unidos da América chega-nos a notícia que a administração Obama continua a contemplar a ideia de manter prisioneiros sem culpa formada ou julgamento com períodos de detenção "indefinida".

Pese embora a vozearia do novo Presidente sobre o império da Lei e sobre os EUA voltarem a ser um estado de direito, parece que há questões que são intocáveis. Nomeadamente a vontade dos EUA poderem continuar a raptar e incarcerar indefinidamente pessoas em qualquer ponto do mundo, em função das suas conveniências políticas. É pena.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

zero não. menos que zero.

Aproximamo-nos do tempo dos balanços da acção governativa, o lógico e necessário exercício de reflexão sobre as eleições legislativas.

E é bom que os partidos, os média, os comentadores profissionais e os amadores o façam com alguma seriedade, senão enfrentaremos certamente oo mesmo desinteresse e abandono que enfrentámos nas últimas eleições europeias.

Esta semana ficámos a saber que somos o 2º país mais pobre da Europa a 25, apenas ultrapassados (mas quase ex aequo) pela Eslovénia. Esta semana também tomámos consciência, através das previsões da insuspeita OCDE, da inutilidade que foram os muitos anos de aperto de cinto para o controlo do défice, que afinal este ano já andará para os 6,5%.

E são números paradigmáticos do falhanço da política deste Governo. A verdade é que o país está mais pobre, mais desigual, menos competitivo, menos produtivo.

Mas, em todas as áreas, a política de Sócrates só agravou e criou problemas, sem ter conseguido resolver um único. A educação está um caos, as universidades estão na falência, os professores, pais e alunos estão descontentes. Na saúde encerraram-se múltiplas unidades, as populações estão revoltadas, a taxa de mortalidade infantil voltou a aumentar (ainda que residualmente) e os índices de incidência de diversas doenças voltam a crescer. Do ponto de vista social, o Governo conseguiu por contra ele todos, mas absolutamente todos, os sectores profissionais do país. Dos polícias e militares, aos professores, médicos, enfermeiros e às vítimas do costume, os funcionários públicos. Mesmo das grandes obras públicas prometidas não conseguiu realizar uma única. E tantas, tantas coisas mais que poderia apontar...

Mais do que não ter feito nada, tudo o que este Governo fez, fez mal. Mais do que em fim de ciclo político, estamos perante o inegável desastre, o falhanço gigantesco que ninguém consegue já esconder. Apenas, tibiamente, culpar a crise internacional. Nem com benzina Sócrates consegue limpar a mancha que foi a sua acção governativa.

Tento, honestamente, encontrar uma coisa, uma só que fosse, na actuação deste Governo e não encontro... E o resto dos portugueses? Encontrará uma razão só que seja para apoiar Sócrates?

quinta-feira, 25 de junho de 2009

influência

Ilda Figueiredo foi re-eleita Vice-Presidente do Grupo Parlamentar da Esquerda Unitária Europeia (GUE-NL)

E Luís Paulo Alves? E Maria do Céu Patrão Neves? Serão mais que meras sombras apagadas, desconhecidas mas obedientes às disciplinas das respectivas bancadas parlamentares? No fundo, o que é que pesam? O que é que influenciam?

subsídio de silêncio

Região recebe 20 milhões para compensar fim das quotas leiteiras

Confirma-se assim o fim do ciclo do leite nos Açores. Independentemente do nível de modernização das explorações, o pequeno (comparativamente) volume da produção e os custos do transporte fazem com que, sem um regime de protecção, nunca possamos vir a competir em pé de igualdade com as grandes potências europeias.

A magra compensação anunciada não resolverá nenhum problema. Até porque se trata de uma questão de mercado e não de uma questão de produção ou de qualidade. Esse dinheiro não vai servir para dar competitividade ao sector, mas apenas para comprar silêncios.

O Secretário Regional da Agricultura ficou todo contente com o resultado da reunião do Conselho dos Ministros da Agricultura e Pescas da União Europeia e nem se lembrou que Luís Paulo Alves, do seu partido, esteve há poucas semanas num debate na televisão a declarar que o PS ia combater com firmeza o fim das quotas leiteiras.

Mas o Secretário Regional tem razões para estar satisfeito. Afinal tem o seu problema resolvido com 20 milhões de euros para calar descontentamentos e protestos. Um bom subsídio de silêncio.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

a importância de umas e de outras coisas

De todos os políticos regionais, só oito são sérios! A conclusão retira-se da “sondagem” divulgada no domingo pelo “Açoriano Oriental”, cujo destaque me pareceu pecar pelo sensacionalismo fácil. Esta “sondagem” foi promovida por uma Associação filantrópica, obviamente apolítica (?), a qual resolveu emergir da obscuridade para a ribalta, com recurso a uma importante demonstração: Os políticos não prestam! (onde é que eu já ouvi isto?) E não prestam porquê? Porque a citada Associação a todos pediu dinheiro para umas mochilas de escola, e só oito corresponderam.

Ora eu sou político (em boa verdade, enquanto gestores da nossa vida colectiva, todos somos) mas nunca fui abordado por essa Associação, para este ou qualquer outro fim. Com a useira (conveniente?) falta de rigor no tratamento dos “políticos”, fiquei sem saber quem mais foi abordado, mas o que sinto é que a dita Associação, com o tipo de encenação pública engendrada para a sua campanha das mochilas, me julgou e condenou ilegitimamente enquanto político, chamando-me “anoréxico de actos”…

Para além disso, teve ainda o cuidado profundamente solidário (e, sempre, apolítico) de, atendendo à crise, evitar incluir empresas no seu peditório. Certamente pensando nas dificuldades que passam aquelas que, embora recentemente refrescadas com milhões da solidariedade dos dinheiros públicos, mesmo assim não pagam aos trabalhadores (e cá estou eu, mesmo involuntariamente, a contribuir para elas com muito mais que o custo de uma mochila)… Já para não falar das principais vítimas da conjuntura - os bancos - que, misericordiosamente excluídos do peditório da Associação, assim se livraram de mais um valente rombo na sua liquidez!

Dado no entanto estar a resolução do problema das mochilas (por obrigação constitucional) felizmente entregue às instituições públicas de acção social, competindo ao cidadão fiscalizar a qualidade da sua intervenção, aconselharia esta Associação a canalizar o seu empenho filantrópico, em alternativa bem mais substantiva, para a intervenção contra os números da fome esta semana divulgados pela FAO…

2 milhões de pessoas, 16.000 das quais crianças, morrem de fome por dia. Por perda de rendimento e pelo desemprego, em especial nos centros urbanos e nos países menos desenvolvidos, um total de 1,020 bilião de pessoas passarão a sofrer de fome crónica em 2009, isto é, mais 100 milhões de pessoas que em 2008.

Confrontados com a profunda ameaça aos elementares direitos humanos de uma sexta parte dos habitantes do planeta, verificamos que nenhuma resposta visível e eficaz está a ser dada pelos auto-proclamados campeões mundiais da sua defesa.

Todos os dias, várias vezes ao dia, em todos os canais televisivos, somos assediados por números e comentários enfadonhos sobre o encerramento em queda do Índice PSI 20, as subidas e descidas da Sonae, da Teixeira Duarte ou a liderança da EDP, nas cotações da Bolsa de Lisboa. Ou por outros números, tão enfadonhos quanto os anteriores, dos casos de suspeita de gripe suína que afinal não se confirmaram!

Ora os canais televisivos não deveriam também privilegiar quotidianamente o drama da fome no Mundo e a sua evolução? “…Hoje uma acentuada subida no Sri Lanka, que passou para os 12 milhões de pessoas com fome crónica, acompanhada pelo Burkina Fasso, com mais 10.500, enquanto o Bangladesh se mantém estacionário nos 3,5% de crescimento, tal como o Paquistão e a Mauritânia. Já o Sudão e a Etiópia atingem um máximo de 4 milhões cada, tendo sido o sector que mais pesou na evolução do Índice MSN (Morte por Subnutrição), com 1.500.000 vítimas confirmadas, encerrando no vermelho com uma tendência ligeira de subida…”.

Não acha caro leitor, que esta seria uma forma de começar a pressionar seriamente, não a compra dos títulos dum qualquer grupo económico ou da vacina da gripe H1-N1, mas a travagem do drama que, com excepção de certos (não dos…) políticos que se auto-apropriaram da condução dos destinos do planeta, a todos nos envergonha e inquieta, logo que convenientemente informados?

Mário Abrantes

o lado escuro dos hospitais privados

Beneficiários da ADSE queixam-se de discriminação nos hospitais privados

Já se sabia que os hospitais privados eram um grande negócio. Facilidades e isenções de impostos, uma torrente garantida de utentes desviados do Serviço Nacional de Saúde, governantes enaltecendo excelências em pomposas inaugurações e, sobretudo, aquela garantia que é o sonho de todos os comerciantes: o utente estará sempre disposto a pagar tudo o que for necessário, quando for necessário para aceder ao serviço prestado.

Agora o que se descobre é a sua verdadeira face: não é um negócio de venda de saúde. É um negócio de discriminar utentes em função do que estão dispostos a (ou são capazes de) pagar naquele momento.

Fica, sobretudo clara a sua pouca apetência para o serviço público e a dimensão do erro de contratualizar estes serviços com os privados em vez de fazer os investimentos que faltam no Serviço Nacional de Saúde.

terça-feira, 23 de junho de 2009

acabar com o que resta


Portugal passou por um processo a muitos títulos exemplar, ao abdicar de uma actividade de baleação tradicional, sustentável e importante para as comunidades locais, ao mesmo tampo fazendo a transição para uma indústria turística que valoriza a existência de cetáceos como um recurso precioso. Um recurso que o Ministro do Ambiente não está nitidamente preocupado em defender.

A caça à baleia industrial, tal como é praticada por países como a Islândia, o Japão e a Noruega, é, em pleno século XXI completamente injustificável e reduziu a população de muitas espécies a valores-limite.

E fica a pergunta: Nunes Correia é Ministro do Ambiente ou Ministro-de-acabar-com-o-que-resta-dele?

domingo, 21 de junho de 2009

o direito e a esmola


Ao que parece, poucos políticos terão contribuído, o que a dita associação contesta, como se estes tivessem uma obrigação maior de contribuir, como se a escolha entre dar ou não dar uma esmola não devesse ser livre e estar no campo da consciência pessoal de cada um. Especialmente reveladora é a sua opção de não pedir patrocínios às empresas porque estas "têm vindo a ser fortemente penalizadas", esquecendo o que são os multi-milhões de euros de lucros das grandes empresas, mesmo as da região.

Mas ainda mais revelador é o facto de esta associação nunca se lembrou que as condições para as crianças carenciadas frequentarem a escola devem ser exigidas como um direito e nunca suplicadas como uma esmola.

Mas o que seria destas associações, se não houvesse uns pobrezinhos a quem se possa dar uma esmolazinha para aliviar más consciências?

a música perfeita para uma solarenga manhã de Alfama



Glória ao Paco!

marcha à ré

No meio dos temas mediáticos que rechearam a última sessão parlamentar, desde os passes-não-sociais, passando selecções desportivas da ilha do Corvo, aos aviões da SATA e onde devem dormir, um assunto passou muito discretamente, como se não tivesse importância. Mas tem, e muita!

O facto é que o Governo Regional, pela voz do Secretário Regional da Economia, anunciou que resolveu fazer marcha à ré na opção de aquisição próprios para garantir o transportes de passageiros inter-ilhas e que esse é um assunto que está outra vez "em análise".

Depois de na anterior legislatura ter entendido (correctamente) que só com a aquisição de navios seria possível garantir as condições operacionais necessárias, dá-se agora o volte-face e a questão volta estar em aberto.

Claro que ainda falta esclarecer muita coisa em relação ao Atlântida. A criação de uma Comissão de Inquérito Parlamentar seria o passo óbvio e necessário. Só que, infelizmente, PSD e BE anunciam todas as semanas a anunciam, ganhando mais uns sound-bytes, mas nunca mais a criam efectivamente. Mas o que é certo é que, independentemente do que tenha acontecido, continuamos com um problema por resolver. E novos problemas se vão somar, com o envelhecimento dos navios que fazem as ligações das ilhas do Triângulo.

Estas questões do transporte marítimo, até pelo volume de investimentos que envolvem, obrigam a que se tenha uma estratégia clara que se implemente com determinação no médio prazo. Não se pode andar para a frente e para atrás ao sabor das conveniências imediatas, sob pena de perdermos tempo precioso, deixando os Açores ainda mais atrasados nesta matéria.

sábado, 20 de junho de 2009

bomba

Arriscando sarilhos familiares não posso deixar de assinala que a rainha das Sanjoaninas é uma das mulheres mais bonitas que já vi.

A beleza do sol das nossas ilhas na grande festa do Sol!

sexta-feira, 19 de junho de 2009

parabéns Chico!



Se não fosse a dica do My Web Time não teria chegado a tempo.

Há homens que nunca envelhecem.

refugiados e esquecidos

Sofrimento humano é sofrimento humano. Não tem graus, nem níveis de importância, nem cores políticas.

Mas, no dia Mundial dos Refugiados, quero lembrar o povo Saharaui. Um povo esquecido, um país esquecido que aqui bem perto de nós sofre ainda a ocupação do seu país e vê negado o seu direito à autodeterminação.

As jovens gerações de sarahauis só conheceram a vida nos campos de refugiados em pleno deserto, dos mais pobres entre os mais pobres. A política de António Guterres à frente da UNHCR, defendendo que a ajuda a cada povo deve ser proporcional à sua capacidade para gerar simpatia e donativos internacionais, não contribui para resolver o problema.

Marrocos é um aliado importante da União Europeia e a Espanha tem muito interesse em ocultar as suas próprias responsabilidades no Sahara Ocidental. Soube pelo Firmeza no Rumo que ainda recentemente as autoridades marroquinas impediram a realização de uma reunião entre a OIT e sindicatos Saharauis.

O Sahara Ocidental é um problema incómodo e sem solução à vista. Um povo que o mundo esqueceu, mas que não perdeu a esperança de um dia poder vir a ser livre na sua terra.


lixo 2.0

Há por essa blogosfera exemplos de coerência. É normal que o blog pró-socialista Argoladas venha defender o voto obrigatório quando esse mesmo blogue nem admite comentários aos seus posts.

Ao negar assim a natureza da blogosfera, espaço aberto ao debate democrático, demonstra a mesma intolerância dos que não conseguem perceber que o voto é por natureza um acto voluntário. Cheira-me que o desejo do blogger anónimo era que o voto fosse obrigatório num partido apenas...

quinta-feira, 18 de junho de 2009

a net é uma arma

Via Antreus encontrei este interessante artigo de Thierry Meyssan sobre as novas tácticas de agitação política que a CIA emprega actualmente no Irão.

Thierry Meysan, fundador da rede de média não-alinhados Réseau Voltaire, e autor de diversos livros, conta-nos como a utilização do envio maciço de SMS's e a falsificação de contas no Facebook e no Twitter fazem parte do arsenal dos serviços secretos contemporâneos.

Verdade? Especulação? Não tenho, de facto, dados para afirmações conclusivas, mas custa-me a crer que, tendo os meios à sua disposição, as maiores agências de informações do mundo não as fossem utilizar ao serviço dos seus objectivos...

a política é uma coisa muito complicada

Do debate sobre o Estatuto da Carreira Docente nos Açores (que a incompetência governamental obriga a corrigir em Junho, depois de ter sido aprovado em Março), ressalta a sanha anti-professores que tão bem conhecemos dos socialistas do Continente.

A maioria socialista açoriana, sem conseguir disfarçar o tique autoritário, pretende penalizar na avaliação os docentes que tenham de faltar, por exemplo, por doença ou assistência à família. E, naturalmente, contra tudo e contra todos: professores, sindicatos, partidos da oposição, toda a lógica e toda a ética.

Duas figuras ressaltam também. Pela negativa, Lina Mendes, Secretária Regional da Educação e Formação, que além de ser cofrangedoramente limitada em termos de dotes para a oratória, passou o debate a tentar ocultar-se atrás de silêncios inexplicáveis. Os quais só abandonou para breves e irritadas tiradas, como se o parlamento não tivesse o direito de a questionar. Pela positiva, a deputada socialista Cláudia Cardoso que, apesar de não ter um pingo de razão nesta matéria, soube dar o peito às balas que vinham das bancadas da esquerda e da direita e defendeu com inteligência uma proposta que competia à SREF defender.

E a pergunta torna-se inevitável: como é que tendo uma parlamentar com as capacidades de Cláudia Cardoso se tem uma Secretária Regional com as fragilidades de Lina Mendes?

A política é uma coisa muito complicada...

ilhas: de lucidez

JNAS no Ilhas: diz hoje coisas importantes sobre os mecanismos de reprodução do poder instituído na nossa Região.

Apesar do texto ser por vezes demasiado negativista, acabando a espaços por deitar fora o menino com a água do banho autonómico, coloca algumas dos problemas que (também) acho centrais para a democracia açoriana.

A subsídio-dependência e o clientelismo que gera e, também, o mito do Turismo (na semana em que também descobrimos que os Açores são a região do país onde o turismo tem menos peso na economia), a que o autor inteligentemente chama "a cornucópia".

Vale a pena ler.

alguém fica surpreendido?

Mulheres trabalham mais 16 horas que homens

O Relatório sobre o Progresso da Igualdade de Oportunidades entre Mulheres e Homens no Trabalho, no Emprego e na Formação Profissional traz uma realidade que todos conhecemos bem. Uma daquelas realidades, aliás, que está se calhar tão próxima, que muitas vezes nem damos por ela.

Para além de terem piores salários médios, de serem mais atingidas pelo desemprego, pela pobreza, pela falta de qualificações, a maior parte das mulheres do planeta soma aos seus deveres profissionais mais um trabalho feito de tarefas domésticas não remuneradas, que executam na maior parte dos casos sem qualquer ajuda dos seus companheiros...


Esta é sem dúvida mais um dos grandes problemas de igualdade que nos falta resolver. Mesmo no Portugal Europeu. Mesmo entre as gerações mais jovens. Abrir os olhos é preciso.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Tigran

A 17 de Junho de 1929, há oitenta anos atrás, nascia em Tiblisi, na Geórgia, Tigran Petrossian, um nome, um rosto e sobretudo um estilo que o tornariam famoso em vida, campeão mundial entre 1963 e 1969 (perdendo o seu título para Boris Spassky) e uma referência familiar para os xadrezistas de todo o mundo. O seu estilo fechado, lento, posicional e as suas defesas índias são uma parte essencial do estudo de todos os jogadores, em qualquer lado.

Embora hoje a maior parte dos jogadores de topo pratique um estilo de jogo mais dinâmico e mais aberto, não consigo deixar de pensar que a prudência, calculismo e lenta acumulação de pequenas vantagens que caracterizavam o seu jogo, estão mais perto da verdadeira essência do xadrez: Máxima flexibilidade táctica. Máxima firmeza estratégica.

No fundo, uma lição política. No fundo, uma lição de vida.

deputados com alma

Miguel Tiago, o mais jovem deputado da Assembleia da República concilía a política com a produção literária no blogue letras ígneas, para além de manter o seu interessante Império Bárbaro que, naturalmente já consta na barra à esquerda deste blogue.

Ao que julgo não é o único, mas contraria os esterótipos estabelecidos sobre os politicos (e sobre os jovens políticos) que são, como qualquer um, pessoas sensíveis, complexas e multifacetadas.

Muito bem!

o pecado original

Como outras que abundam por esse país fora (e também por cá…), no passado fim-de-semana passou pelos Açores mais uma versão soft da voz de Vital Moreira. Não diabolizemos demais esta, só porque não é de um economista, mas de um tribuno (de formação), desculpabilizando assim aquelas outras que emitem uma linguagem mais recatada e objectiva. Os conselhos para-racionais e menos truculentos, ofertados por estas luzes do alto império (economistas muito europeus, federais e globalistas do mercado) que de quando em vez nos vêem alumiar, para a autonomia regional são tanto ou mais ofensivos que as diatribes “Vitalinhas”.

Antigo ministro da economia entre 1995/99 (o tal do “plano Mateus”), actual dono de uma empresa de consultadoria económica (ganha a vida a dar conselhos…) e convidado para uma sessão pública do Fórum Açoriano, Augusto Mateus “dixit” (em tom crítico): “O modelo económico seguido nos Açores privilegia mais a coesão e menos a competitividade, o emprego sustentado e a riqueza”. Veio portanto até cá advogar (mesmo sem ser tribuno) duas coisas: A primeira é que, ser-se arquipélago disperso por nove ilhas, sem massa crítica suficiente para o funcionamento normal de qualquer lei de mercado, e distante mil milhas marítimas do continente, não justifica que se conceda o privilégio à coesão! A segunda é que o emprego sustentado e a riqueza, em lugar de filhos dela, são inimigos dessa mesma coesão. Já estou a imaginar o Corvo e as Flores a competirem taco a taco com S. Miguel, e esta ilha por sua vez a competir taco a taco com o território continental…até ao último sobrevivente. Ah! Mas do afundamento do arquipélago brotaria, segundo este ilustre conselheiro, uma “grande e pujante cidade”, a cidade de Ponta Delgada”! Estão a ver como (para potenciais pategos…) é fácil esquematizar o radioso futuro destas nove ilhas?

Outro conselho interessante que veio dar: “O principal recurso natural dos Açores é o mar, não os prados”. Fico, desde logo a saber que os prados açorianos afinal são um recurso “natural” (pouco percebo de economia, mas Augusto Mateus, neste particular, demonstrou perceber tanto quanto eu). E o mar? Tem razão o sr. Prof. Doutor, é o principal recurso natural dos Açores…para outros virem explorar quanto baste a mando da União Europeia, e sob os conselhos de empresas em tudo iguais à do o sr., caso o (também seu) Tratado de Lisboa venha a ser aprovado da forma como está redigido!

Afirmando ser errado “…basear o desenvolvimento sempre na lógica da compensação dos custos da insularidade”, Augusto Mateus afirma ainda: “…um Portugal que valoriza o Atlântico é um Portugal que ajuda os Açores”. Portugal deve “ajudar” os Açores? Esqueceu-se que os Açores é Portugal? E que ajudar os Açores é ajudar Portugal? E que, após a integração europeia os direitos alfandegários deixaram de existir, e o poder sobre as taxas de juro deixou de ser português, quebrando o proteccionismo económico que, depois do 25 de Abril, estava em condições de romper com o isolamento e começar a garantir o escoamento a preço compensatório das produções dos Açores? Que os Açores, por isso mesmo, devem ser agora, e no futuro, legitimamente compensados, pela UE, de tal prejuízo continuado, através dum estatuto de ultraperiferia ou outro qualquer que elimine os handicaps permanentes da vivência nestas ilhas com a mesma dignidade de um qualquer europeu?

É sem dúvida este o pecado original do raciocínio centralista (ou simplesmente economicista) de muitos “Vitalinhos” que por aí andam, para quem, por fidelidade à sua coerência mercantilista, melhor seria que os Açores voltassem a ser desabitados…
Mário Abrantes

terça-feira, 16 de junho de 2009

tudo já, nada depois

Assembleia rejeita protesto contra treinos nas Lajes

Num dia relativamente morno no Parlamento Regional, em que PS, PSD e CDS se dedicaram ao inútil folclore pós-eleitoral, repetindo ou glosando as declarações dos respectivos líderes nacionais e regionais, o voto de protesto apresentado pelo Bloco de Esquerda contra a criação de um campode treino de caças na Base das Lajes sempre acabou por fornecer alguma emoção. Infelizmente, nem sempre pelas melhores razões.

Desde logo, abordar uma questão desta importância com um voto de protesto (que é discutido e votado num quarto de hora) é tratar o assunto com excessiva ligeireza. Por outro lado, o histerismo do tom escandalizado do documento apagou qualquer possibilidade de compreensão de alguns dos argumentos válidos que apresenta. E, de facto, o verbalismo exaltado dos primeiros parágrafos acaba por ser substituído no final do texto pela morna e consensual (da esquerda à direita) reivindicação do estudo de impacto ambiental e da possibilidade da Região se pronunciar.

É necessário ganhar o apoio dos açorianos para uma revisão do Acordo de Cooperação na qual Portugal tenha uma posição negocial forte e os interesses dos Açorianos sejam tidos em conta. Não será quase exigindo o fecho da Base, a perda de centenas de empregos e de milhões de euros por ano que são injectados na economia regional que se vai ganhar o apoio de seja quem for neste arquipélago!

Se, de facto, queremos contestar a utilização dos Açores como ponto de apoio de projecção da força militar dos Estados Unidos é preciso fazê-lo com inteligência. Tacticismo? Talvez. Mas, habitualmente, a postura esquerdista do "tudo e já!" conduz apenas a nada, depois.

bons exemplos

Horta Tube Project - "uma semana para criar, filmar e montar uma curta metragem para divulgar no Youtube.
A Horta continua uma das mais dinâmicas cidades dos Açores, em termos culturais. Também graças ao bom trabalho dos técnicos da Biblioteca Pública. Bravo!

toda a razão


Não costumo estar de acordo com Berta Cabral. É mesmo uma sensação estranha, confesso. Mas neste assunto a líder do PSD Açores teve uma postura correcta.

A criação (potencialmente inevitável) do campo de treino para caças é uma ocasião para que a Região faça valer os seus direitos, resolvendo os conflitos laborais e conseguindo maiores contrapartidas. Reconhecendo que será provavelmente mais difícil conseguir contrapartidas financeiras directas, poderá, pelo menos, haver um reforço dos programas de cooperação.

Agora é o momento oportuno para colocar em cima da mesa os interesses dos Açores. Com o silêncio obediente dos nossos governantes da Região e da República dificilmente teremos alguma coisa a ganhar.

o último sapo antes das férias

Vital Moreira apoia Durão Barroso

Antes das suas merecidas férias em Bruxelas e do seu aliviado mergulho no esquecimento, bem longe das luzes da ribalta política nacional, Vital Moreira foi obrigado a engolir um último sapo: apoiar Durão Barroso, que tinha jurado a pés juntos não apoiar.

É assim. A disciplina partidária e obediência ao chefe contam muito, mesmo para os "independentes". O que é certo é que Vital Moreira faz a sua estreia no Parlamento Europeu quebrando a orientação de voto do PSE. Provavelmente isto não vai servir para aumentar o peso político dos eurodeputados portugueses do PS. É que re-eleger Durão Barroso também não ajuda (já o provou) em nada os problemas nacionais.

Em todo o caso, depois de Sócrates o ter contrariado publicamente durante a campanha, restavam poucas dúvidas que essa ia acabar por ser a sua atitude. Ao que me contam, não é de agora que Vital rapidamente se esquece das suas declarações inflamadas em prol da mais interesseira obediência.


segunda-feira, 15 de junho de 2009

democracia socialista (versão juvenil)

Depois de ter sido eleito com 97% dos votos, Berto Messias vê a sua moção estratégica aprovada por unanimidade no congresso da JS Açores.

É, de facto, de fazer inveja a Kim Jong Il! Apesar de atirar para o ar muitas críticas às juventudes partidárias que, depois de processos de discussão que duram meses, conseguem construir consensos expressivos em torno de programas redigidos colectivamente, os delegados ao congresso da JS aprovaram obedientemente um documento que parte apenas da cabeça do líder indigitado e que têm um dia e meio para discutir e que, creio, nem pode alterar.

Democracias...

domingo, 14 de junho de 2009

quando tudo o resta falha

Foi "estúpido" o que se passou com a abstenção nas eleições

Carlos César está nitidamente a acusar o toque da derrota eleitoral que o seu partido sofreu nas últimas eleições.

Não querendo assumir as próprias culpas, nomeadamente pela sua total ausência da campanha eleitoral que poderia, objectivamente, ter feito alguma diferença e depois de atirar com as culpas para o candidato-bode-expiatório, Vital Moreira, César continua sem perceber o protesto que muitos milhares de açorianos expressaram com a sua abstenção. Não se apercebe que, com a sua imponderada declaração está a ofender mesmo muito gente, muitos açorianos que o elegeram.

Para César, quando tudo os resultados não são bons, recorre-se à obrigação administrativamente imposta do voto. Mas, se mesmo isso falhar, então, recorre-se ao insulto.

amanhã também

Álvaro Barreirinhas Cunhal
10/11/1913 - 13/06/2005


Naquela tarde inesquecível de 2005, perto de um milhão de pessoas invadiu as ruas de Lisboa na despedida a mais do que um dirigente político, um amigo que sentíamos próximo. Com a mesma urgência maior de estar estar presente, de participar, de fazer um último gesto de mágoa ou de esperança, a multidão atravessou toda a cidade, a derramar esperança vermelha pelas avenidas. Há momentos assim, que se tornam partes incontornáveis do que somos.


Porque há homens que a morte não derruba. Vontades que o tempo não destroi. Aqui estamos. Contigo. Hoje. Amanhã também.


sábado, 13 de junho de 2009

liberdade de imprensa

Algumas dezenas jornalistas dos principais jornais europeus assinaram a Carta Europeia da Liberdade de Imprensa.

Paulo Simões, do Açoriano Oriental, transpondo estes problemas para a realidade regional, assinala como negativa a criação do gabinete de propaganda do Governo dos Açores, vulgo GACS, com o objectivo único de tentar condicionar o trabalho dos jornalistas.

Apesar da declaração vir do director do jornal que, no último dia de campanha, foi cúmplice numa manobra de propaganda ilegal do partido do governo, tem razão. A situação não é nova e os incidentes são bem conhecidos. Agora, também não se pode passar ao lado dos órgãos de comunicação social que, por falta de meios, ou tempo, ou vontade, se limitam a copiar os comunicados do GACS, aproveitando a "papinha feita" e poupando os seus próprios recursos. Veja a tristíssima edição online do Jornal Diário, por exemplo.

É que a liberdade de imprensa, consagrada na Constituição e em múltiplos documentos internacionais, só pode ser efectivada se forem os profissionais da informação os primeiros a lutar por ela.

congressos que não enganam ninguém

A moção ao congresso da JS Açores demonstra bem o confuso arrazoado pré-eleitoral dos socialistas, muitoo preocupados em demarcarem-se do "capitalismo financeiro" e do "liberalismo desregulado", dos quais há bem pouco tempo eram os mais fieis promotores.

Mas, contradizem rapidamente as próprias ideias com os chavões sobre a "nova economia" e a "desmaterialização da economia" e os "capitais de risco", demonstrando que nada perceberam da actual crise do capitalismo e sobre a necessidade de, ao invés, voltarmos a investir na economia real e produtiva.

Mas pior do que tudo o que diz é tudo o que procura silenciar, especialmente me relação à política dos Governos de Sócrates e César. Sobre o código do trabalho e institucionalização do trabalho-precário-permanente: nada. Silêncio.

Sobre o fim do vínculo permanente na função pública, com a consequente precariedade ou sobre o aumento da idade da reforma (que é porventura a principal causa do desemprego jovem): nada. Silêncio.

Sobre o acesso ao subsídio de desemprego para os jovens à procura do 1º emprego: nada. Silêncio.

Sobre o encerramento de escolas, sobre a asfixia das universidades, sobre as propinas e o aumento dos custos de frequência no ensino superior, nada. Silêncio.

Sobre o fim do incentivo ao arrendamento jovem e a sua substituição por um programa que passou a apoiar apenas 3000 jovens a nível nacional (contra os anteriores 22.000): nada. Silêncio.

A JS está a subvalorizar gravemente a juventude açoriana se pensa que consegue assim apagar o seu silêncio e seguidismo em relação a todas as medidas dos governos socialistas. É que assim já não enganam ninguém.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

derrotados


A sua visão neo-liberal e federalista da Europa, tão bem representada por Durão Barroso, e as políticas de direita que defendem e praticam nos respectivos países conduziram-nos a históricas derrotas eleitorais e, agora, ficam também isolados no apoio ao Presidente da Comissão.

Estes rostos representam a esquerda que se rendeu perante o liberalismo dominante, adoptando-o. Tentando ocupar o espaço à sua direita e "modenizar-se", acabou por abdicar da sua base de apoio social. Os "rebrandings" ideológicos têm destes perigos. As suas derrotas eram previsíveis e porventura inevitáveis.

O sete de Junho trouxe o toque a finados da "esquerda moderna" e anunciou o início do fim do logro ideológico dos principais partidos socialistas europeus. E, em boa hora, pois só com essa clarificação é possível encetar-se o caminho para a construção de uma alternativa de esquerda, plural, anti-liberal que possa fazer as rupturas necessárias com a prática política de direita que tem conduzido os destinos da Europa.

A ambição do resultado eleitoral a qualquer custo é uma tentação para todos os líderes políticos, em todos os quadrantes. Mas quando abdicam da sua identidade política, estão a condenar-ser a ser, mais do que vencidos, verdadeiramente derrotados.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

saborosa e deliciosa

Ora uma, com a euforia quase a descompor a habitual postura professoral, chamando-lhe saborosa, ora outra dominada por incontrolado triunfalismo, chamando-lhe deliciosa, foram estes os qualificativos paralelos para a vitória eleitoral utilizados respectiva e sequencialmente pela candidata do PSD/A às europeias e pela Presidente do Partido, na sede deste, em noite das eleições, e falando para os Açores e os Açorianos perante uma (espectável) forte audiência televisiva. Deduzo portanto e de imediato que, para o subconsciente político das duas cidadãs em causa, seria então conveniente transmitir aos Açores e aos Açorianos que a vitória eleitoral do PSD nas europeias se tratou de um verdadeiro manjar…

E as palavras não se ficaram por aqui. Em catadupas de cada vez maior alcance, com a moderação a caminhar (obviamente) em sentido contrário, foram saindo assim: “Ganhámos com uma política e uma campanha de proximidade…”; “Os açorianos souberam corresponder. Está aqui bem expresso o resultado do nosso esforço…”; “Estamos todos de parabéns. Todos os açorianos estão de parabéns…”; “Os resultados exprimem bem a vontade de mudança do Povo Açoriano…”!

Mas a “política de proximidade” em campanha é alguma novidade (para qualquer força política)? E o PSD, com isso, terá ganho qualquer coisa mais? É que votos não foram certamente, já que os perdeu, das últimas europeias para estas.

Os açorianos “souberam corresponder” ao “esforço” do PSD! Como? Com o resultado expresso de 80 % de abstenções! Fica-me então a dúvida sobre o verdadeiro sentido do “esforço” do PSD. Só se foi o “esforço” anterior para negar àqueles o referendo sobre o Tratado de Lisboa. Para combater o abstencionismo é que não foi certamente. Aliás, por mais que diga o contrário, quem não consegue combater o abstencionismo dentro das suas próprias fileiras, muito menos o conseguirá fora delas. Neste aspecto, honra lhes seja feita na parte que lhes coube, só o BE, a CDU e o MPT alcançaram um tal desiderato.

Com uma vitória eleitoral fácil e de dimensão inesperada, mais a expensas do desconforto global, gerado pela maioria absoluta que governa o País e se estende à Região, do que por qualquer “política de proximidade” e “esforço” do PSD/A, o deslumbramento deste partido consigo próprio atravessou mesmo a raia do absurdo: “Estamos todos de parabéns. Todos os açorianos estão de parabéns…”. Porque raio qualquer dos 205.942 eleitores açorianos que não votaram nesse partido estaria de parabéns com os 19.610 votos do PSD/A? Explique-me caro (e)Leitor?

“Os resultados exprimem bem a vontade de mudança do Povo Açoriano…”. Isso até é verdade em parte. Mas para onde, Dra. Berta Cabral? Sabe-me dizer? Pretenderá porventura, subconscientemente (admito-o), vislumbrar nos resultados das europeias a opção inequívoca dos açorianos pelo PSD/A?

Embora em total desacordo, tudo o que foi dito pelo PSD/A em noite de contagem de votos, até mesmo o absurdo, admito que tenha sido dito numa visão narcisista, deslumbrada de si próprio. Pensando no futuro, pelo que essa atitude (em Democracia) revela de preocupante cegueira e irresponsabilidade política, o que repudio com veemência é não ter ouvido uma só palavra, um só comentário do PSD/A, um minuto de referência, no seu discurso da noite de 7 de Junho, a propósito do facto dos Açores terem registado um cúmulo nacional de participação eleitoral negativa, na ordem dos 80%! Dá que pensar…


Mário Abrantes

foram os russos!


Vasco Cordeiro, Secretário Regional da Economia, foi à comissão de Economia do Parlamento Regional, tentar lançar as culpas dos problemas do Atlântida para cima do projectista, que não sabe usar o computador e ainda por cima é russo, povo conhecido por ter as costas largas.

É obviamente do interesse do PS tentar ilibar por um lado a incompetente administração (politicamente nomeada) dos ENVC e, sobretudo, disfarçar a sua própria incompetência e cegueira, ao ter ignorado os avisos de diversos técnicos, incluindo do IPTM e ter insistido no acrescento de camarotes, para dar maior rentabilidade ao navio.

Mas não há volta a dar-lhe: a responsabilidade política e executiva neste assunto vai direitinha e integralmente para o Governo Regional do PS. Vasco Cordeiro, não é obviamente responsável directo pelo assunto, mas é a quem compete assumir o ónus de mais esta trapalhada!

Luís Vaz

Foto de Cláudia F. - www .olhares.com

No dia de mais um português que Portugal não soube cuidar.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Luís de Camões

terça-feira, 9 de junho de 2009

mais do mesmo


Cavaco já acenou com a patrioteira declaração de que é muito importante elegê-lo. Quer fazer esquecer (mas aposto que se lembra muito bem) de que foi durante o mandato de Durão que, entre muitos outros desmandos, Portugal (e especificamente os Açores) foram envolvidos na criminosa guerra do Iraque, que foi durante o seu mandato que se aprovou o fim das quotas leiteiras e outras medidas de liberalização que estão a destruir o que resta da nossa economia.

E Vital? Vai engolir o sapo e fazer o que Sócrates manda? E os deputados açorianos ao PE? Vão aprovar isto? A disciplina de bancada conta muito e, agora que já estão eleitos, PS, PSD e CDS vão concerteza aplaudir a continuação das políticas anti-nacionais de Durão Barroso.

Felizmente, há quem se oponha, em muitas outras bancadas. Será que vamos assisitir uma vez mais à vergonha que foi a inédita repetição das votações para garantir a eleição de Durão?


Uma coisa teremos por certa: com Durão, seja qual for a sua nacionalidade, Portugal não tem nada a ganhar, senão mais do mesmo!

segunda-feira, 8 de junho de 2009

fugir para a frente



Perante os lamentáveis resultados do PS e a monstruosidade dos valores da abstenção Carlos César decidiu insistir na sua última ideia brilhante, e fonte garantida de sound-bytes, até a nível nacional, o voto obrigatório.

Demonstra com isto que nada quer perceber da profunda condenação que os açorianos fizeram às políticas do PS, na qual não pode deixar de estar abrangido o seu próprio governo. Nega as responsabilidades dos efeitos da sua ausência da liça eleitoral e procura distrair as atenções, com uma ideia que visa resolver "na secretaria" o problema da abstenção.

Um pouco de humildade na leitura dos resultados tinha-lhe ficado melhor do que esta desesperada fuga para a frente, lançando absurdas cortinas de fumo sobre as suas próprias responsabilidades políticas.

os números que mais ordenam

Não me apetece andar a roer números que toda a gente já roeu de mil e uma maneiras, em busca de uma qualquer análise inovadora e genial. (Não tenho demasiadas ilusões sobre a minha própria genialidade.) Também não quero embandeirar em arco com as subidas de A ou de B, até porque os níveis da abstenção relativizam (e muito) a realidade das mudanças nas relações de força partidária.

Esqueço o acessório. Procuro o essencial. O facto mais obviamente incontestável que resulta destas eleições é a condenação do Governo. Seja por via da punição eleitoral do PS, seja por via da abstenção. Não duvido que muita desta abstenção foi um protesto. Um protesto mudo, porventura desadequado, mas um protesto em muitos casos um protesto consciente.

As eleições não eram legislativas, mas os portugueses sentiram a necessidade de protestar desta maneira contra o Governo de Sócrates. E fizeram-no porque sentem que não têm outra forma de o fazer. O progressivo esvaziamento dos mecanismos de participação democrática, levados quase ao ponto da sua redução aos momentos eleitorais, leva a que as pessoas sintam que não têm qualquer controlo sobre a condução do país e crescentemente se divorciem dos processos políticos. A situação é ainda pior numa situação de maioria absoluta, onde as opiniões minoritárias têm tendência a ser completamente marginalizadas.

Ora, creio que este descontentamento e falta de alternativas de protesto é o fundamento deste resultado.

Se queremos, de facto, combater esta "desvitalização" abstencionista da nossa democracia é isto que temos de alterar. O que é preciso é reforçar os direitos de participação activa dos cidadãos, o direito de petição, o papel das ONG's nos processos de decisão, a recuperação dos mecanismos democráticos nas empresas. Temos de facilitar a criação de partidos e organizações políticas, criar mecanismos que garantam representação às opiniões minoritárias. E, muito, mas muito importante, é necessário criar mecanismos que impeçam a formação de maiorias absolutas nos parlamentos nacionais e regionais.

Tirando alguns períodos agitados do período revolucionário, Portugal nunca teve problemas sérios de governabilidade ou de estabilidade das instituições. Os partidos politicos sempre foram conseguindo construir acordos de governação (como aliás acontece sistematicamente em muitos países do mundo). Até porque, a força política que deliberadamente procurasse obstaculizar os processos governativos enfrentaria uma pesada consenação política (e eventualmente eleitoral).

A maioria absoluta nega à partida a natureza colegial e crítica dos parlamentos, onde era suposto que as diversas forças representadas conseguissem encontra pontes entre si para encontrarem as melhores soluções. Onde, acima de tudo, partilhassem o poder. Basta ver o sucesso de tantas e tantas administrações autárquicas que trabalham desta maneira.

Se queremos ler os resultados para lá do pequeno ganho ou perda partidária, esta é mensagem, este é o caminho que os portugueses nos apontam. E são eles quem mais ordena.

NOTA: É a primeira vez que se cita Tony Blair neste blogue. Espero que não se torne um hábito, mas a frase adapta-se demasiado bem...

domingo, 7 de junho de 2009

más notícias, boas notícias


Três frases que julgo serem absolutamente fundamentais e alguns comentários que penso serem oportunos:

Sobre os consumidores de informação:
"Há um elemento que, para mim, define muito o conceito de consumidor de informação português: as pessoas querem ver pontos de vista em que já acreditam. Odeiam ser contraditadas com elementos que lhes sugerem novas avenidas, novas hipóteses. Isto porque, intrinsecamente, o ser humano é conservador. Tem receio da aventura ideológica e de explorar conceitos que vão radicalmente contra a nossa maneira de ver o mundo, seja ela de acordo com um ideário político ou religioso. Noto, nesta perspectiva, que há uma certa reacção das pessoas quando lhe apresentam coisas diferentes."

Este é talvez o factor que mais contribui para a definição das diferentes linhas editoriais dos diversos OCS. É que, quer o assumam, quer não, todos eles partem de uma determinada visão, de uma determinada construção do que é que o seu público-alvo pensa, ou se interessa. Temos, por isso, OCS mais "alinhados" ou mais "alternativos". Não existe uma postura "neutral" nem "objectiva" no sentido puro. Existe, certamente, seriedade no cumprimento de uma determinada agenda jornalística que, com base no conceito que se tem à priori do leitor (ou ouvinte, ou espectador), selecciona o que interessa e o que não interessa.

O problema é a reciprocidade do sistema. É que se o público influencia aquilo que os média publicam, os média também influenciam, por sua vez, público que os lê, ouve ou vê. E corremos o risco de se criar uma espiral, um círculo vicioso de conservadorismo que vai estreitando os limites da realidade "que interessa", excluindo o resto. Roubando aos média o seu papel de agentes da mudança e progresso sociais.

Sobre os jornalistas:

"Sou da geração em que era raro um jornalista com formação superior em Portugal, era raro um jornalista com formação em Jornalismo. Tínhamos muita gente de letras, bons médicos. Mas não formados em Jornalismo. Portanto, melhoramos nesse aspecto. Contudo,as circunstâncias laborais degradaram-se muito. Hoje, o Jornalismo é uma tarefa precária, na maior parte dos casos. E isso não abona em favor da qualidade. (...)
Vai haver um problema na classe muito grande: desemprego. Já começamos a notar isso. Há muita gente com contratos cada vez mais precários. Há muita gente a viver de biscates e isso é muito mau. Porque se começa a procurar produtos cada vez mais exóticos, a tentar vender coisas cada vez mais esquisitas. E isso não pressagia nada de bom. A curto prazo, vejo isto. A longo prazo, acredito que a tecnologia nos consiga redimire tornar os custos mais baratos.
"

Esta é uma realidade bem conhecida de toda a gente. Perante esta situação que condições damos aos jornalistas para que possam ser independentes? Quando a continuação do emprego depende do arbítrio do director ou da administração, que espaço estamos a dar aos fenómenos de censura e, pior ainda, de auto-censura? Nestas condições abrimos todas as portas para que o jornalista passe de intérprete independente da realidade para mera correia de transmissão de quem o pode despedir no fim do mês.

Sobre a verdade nos média:
"Acho que nenhum consumidor de informação consciente se informa num só órgão de comunicação social. É impossível. A busca tem que ser por várias fontes. E tem que ser uma busca pró-activa."

E esta, sim a questão de fundo. Verdade nos média? Nem pensar! Há verdades. Construções parcelares da realidade que ganham validade quando em confronto com outras visões. Exige-se, assim, também uma nova proactividade do consumidor. Tem de procurar em vários média, tem de escolher, acabando por ser forçado a construir a sua própria visão crítica dos acontecimentos. Este é um fenómeno importantíssimo e potencialmente revolucionário no nosso entendimento da informação e mesmo do conhecimento.

O valor da auctoritas na informação é sistematicamente questionado e a proliferação das fontes garantem a impossibilidade do seu controlo político ou ideológico. O consumidor de informação perde as suas referências seguras e vê-se forçado a construir as suas próprias noções.

Tal só pode corresponder a um importantíssimo progresso. Uma sociedade de informação que, embora mais dispersa, fragmentada, mesmo, procede muito mais de uma construção colectiva do que de ditames políticos ou ideológicos. Numa palavra: mais liberdade.
Boas notícias.

tardia, mas justiça


A justiça muitas vezes tarda, mas nunca prescreve nem deixa de fazer sentido.

Victor Jara, foi assassinado a 16 Setembro de 1973, durante o golpe de Pinochet, depois de ter sido torturado durante dias e de lhe terem sido cortadas ambas as mãos. Foi morto com 44 (sim, quarenta e quatro) tiros de metralhadora.

É positivo que o Chile moderno que encontre a capacidade de enfrentar a sua própria história e, embora o principal responsável tenha já morrido sem enfrentar a condenação dos tribunais, é importante que o futuro do Chile não se construa sobre silêncios, impunidades e sobre os cadáveres ocultos das vítimas da ditadura militar.

Também em Espanha se tem falado da possível exumação de Frederico Garcia Lorca e da investigação do seu assassinato às mãos dos franquistas. Um passo que está por dar.

Só pela justiça poderão os povos do mundo encontrar o direito de viver em paz.


a coisa Berlusconi

Saramago não poupa nas palavras ao referir-se a Berlusconi no seu artigo no El Pais. Mas é difícil não concordar com ele.

Será este tipo de monstro manipulador, retrógado e medíocre o arquétipo do estadista europeu do século XXI? Às vezes parece (mas apenas parece) que a história anda para trás!

sábado, 6 de junho de 2009

a divisão do emprego na Europa



Já conhece o fabuloso Spam Cartoon?

quando a grandeza do homem faz o mundo pequeno

o dia que mudou a guerra


Há 65 anos atrás, dava-se o desembarque das forças aliadas na Normandia.

A criação desta segunda frente, juntamente com o imparável avanço do Exército Vermelho a Leste, colocaram o III Reich entre as pinças da tenaz que havia de decretar a derrota final do monstro nazi.

Mais de 10.000 soldados ingleses, americanos, australianos, canadianos e de outras nacionalidades morreram a desembarcar nas praias de Juno, Omaha, Sword e outras. O seu esforço não foi em vão.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

as duas caras de Luís Paulo Alves

A edição de 6ª feira do Açoriano Oriental (apenas a impressa, não a online note-se), veio acompanhada de um panfleto de apelo ao voto no PS.

Isto, apesar de a lei eleitoral dizer muito claramente que "A partir da publicação do decreto que marque a data das eleições é proibida a propaganda política feita, directa ou indirectamente, através dos meios de publicidade comercial."
Artigo 72º da Lei Eleitoral

Enquanto, na 5ª feira à noite, no debate da RTP Açores, Luís Paulo Alves nos brindava com a sua pose de democrata, respeitador das regras do jogo, as impressoras já rodavam, preparando a última golpaça socialista: Editar um folheto ilegal, com a conivência ou compadrio da direcção do AO, no último dia de campanha, para que nunca chegasse a ser denunciada ao povo açoriano. De facto, apesar da queixa do PCP Açores à Comissão Nacional de Eleições, o assunto muito dificilmente chegará aos média.

Nesta fotografia, o Açoriano Oriental fica também muito mal. Que credibilidade resta a um órgão de comunicação social que alinha em manobras de propaganda ilegal do partido do governo? Prova-se que muitas vezes não são apenas os órgãos de comunicação social públicos que são instrumentalizados. E a pergunta, mesmo provocadora, é irresistível: qual é o peso da publicidade governamental nas receitas do AO? E os seus profissionais calam-se?

Esta é uma atitude que o PS já tinha tido nas últimas eleições regionais, através da colocação de banners em sites de jornais (incluindo o AO). Mostra também as duas caras do candidato do PS Açores e reafirma o que muita gente já percebeu: Actualmente, o principal inimigo da democracia, em Portugal e nos Açores é o Partido Socialista.

VER-GO-NHO-SO!

relações laborais liberalizadas



Não é piada. É mesmo assim que as coisas se passam.

festas e bolos…amargos


As Festas do Divino animam o corpo e a alma. Ei-las em força por essas ilhas a atirar com as amarguras para trás. Mas, nos tempos que correm, assim que uma se atira, logo outra nos aparece pela frente. Lá vem mais uma notícia para escangalhar: no primeiro trimestre de 2009, segundo o INE, 55,3% dos trabalhadores por conta de outrem nos Açores receberam menos de 600 euros líquidos por mês. No país esta percentagem (ainda muito grande, diga-se) reduziu-se para 40,6%! Não me venham então dizer que a crise é igual para todos…basta ir até Espanha, onde o salário mínimo é de 666 euros, para verificarmos o quanto estamos convergindo (?) com os continentais ou com nuestros hermanos.

E, curioso, são estes bombos que, mesmo debaixo de uma tal condição, vão alimentando, além das suas, outras festas maiores (e alheias) para erguer monstros urbanos que cercam a sua cidade e lhes tiram o mar, num conluio de poderes que já alguém classificou como o maior hiato da democracia: a urbanização. Tudo de acordo com a lei, está bem de ver. Pois nem tanto nem tão pouco, com a chancela do senhor Secretário Regional da Economia, importou em mais 15 000 salários dos tais que referimos - 8,99 milhões de euros, a quantia atribuída pelo Governo Regional, em 18 do mês que passou, à Sociedade responsável pela arrojada construção daquela maravilha da arquitectura e do urbanismo que dá pelo nome de Casino, erguida lenta mas persistentemente sobre os escombros da velha Calheta de Pêro de Teive. Será provavelmente esta a Europa que querem construir nos Açores, mas o certo é que alguém já começou a jogar (e a perder), mesmo antes da inauguração oficial duma tal instituição (decretada) de utilidade pública…

E dos bombos, passamos a uma qualidade nova do paladar dos açorianos que vai ser testada nesta semana de festas, amarguras e eleições, a saber: Como devorar com prazer bolos confeccionados sem açúcar com “farinha do mesmo saco”? Parece uma ideia peregrina, de difícil aceitação, mas, na nossa imprensa, há quem assim não pense e, com toda a descontracção de quem sabe o que está dizendo, a descreva da seguinte forma: “…O argumento de que o cabeça de lista do PS às europeias não é propriamente um autonomista, é verdadeiro. Porém, neste particular, nada o distingue de Paulo Rangel…são ambos farinha do mesmo saco. Resta aos açorianos votarem em função dos candidatos regionais…”(sic).

“Resta”, senhor Nuno Tomé? A escolha fica por aí? Se os açorianos votarem nos candidatos regionais, o amargo desaparece? Deixam de votar nos cabecilhas top-centralistas Vital e Rangel? Lá porque possam ser bons os ovos ou a manteiga, não há outro remédio senão comer o bolo, mesmo amargo, do centralismo em cada fatia? Não há mais forças políticas autorizadas a concorrer, votos nulos, em branco, ou gente que quer passar longe de tal iguaria?

Das duas uma, ou a vista alcança pouco, ou a Democracia é uma batata. Julgo que não estarei, também eu, iluminado por ideias peregrinas se afirmar que, na semana do Espírito Santo, a dieta de emagrecimento da Autonomia Regional só é seguida por quem quer…Ou estarei?

Mário Abrantes

a sondagem da verdade

A questão das sondagens de há muito ensombra o sistema político português.

Com critérios opacos, fazem-se distribuições desconhecidas, procurando apresentar resultados concretos, decisivos e de leitura simples, de forma a influenciar as votações.

E, se recordarmos, as diferenças enormes que SEMPRE se verificam entre os resultados das sondagens e os verdadeiros resultados eleitorais, apercebemo-nos que estas nada têm de científico ou fiável.

A pergunta impõe-se automaticamente: a quem pertencem e para quem trabalham as empresas de sondagens? Para o bem da democracia não trabalham de certeza!

Retenho uma frase do brilhantíssimo post de Vítor Dias no seu Tempo das Cerejas sobre este assunto:

segunda-feira, 1 de junho de 2009

o mundo novo é inevitável

As poderosas palavras de Valete

incómoda, incorrecta, acertada

A simpatia pessoal que temos ou não pela jornalista ou pelo seu estilo é completamente irrelevante. Manuela Moura Guedes diz coisas muito acertadas na sua entrevista ao Ionline:

"Este governo lida mal com a liberdade de informação. Mas a culpa é dos jornalistas. Se o governo estivesse habituado a uma comunicação social mais contundente, directa e que o confrontasse mais, ou seja, se a comunicação social fosse aquilo que devia ser, talvez o governo não apontasse o dedo a quem se limita a fazer jornalismo. Nós não fazemos mais nada além disso: fazemos investigação, mostramos casos que devem ser mostrados à opinião pública, fazemos aquilo que é normal fazer em qualquer país."

"Não fazemos as peças para criar incómodos ao poder. Enfim, os jornalistas têm de ser contrapoder. Faz parte! Temos de estar sempre lá, cuscar, roer as canelas, porque isso faz parte do jornalismo. Quanto mais responsabilidade tem um político, mais nós temos de estar atentos. Quem não pensa assim, está mal no jornalismo. Não é o "bota abaixo". É o alertar, pedir contas, desmontar a mensagem política. Eles [governantes] vão para lá e já sabem que isto tem de acontecer. Nós não podemos ser um eco, temos de ser o descodificador. Quem faz o contrário está errado e os políticos que não o entendam também."

uma espécie de candidato socialista

Vital Moreira acusa PSD de ser uma espécie de PCP da direita

Podendo parecer que Vital Moreira está na prática a elogiar o PSD, na realidade trata-se apenas, mais uma vez, do estafadíssima discurso de acusar a oposição de querer o "quanto pior, melhor" porque, na sua óptica, os governos, especialmente os do Partido Socialista que lhe arranjarem um tacho em Bruxelas, não devem ser criticados.

Vital acusa também os outros partidos de serem anti-europeístas (como o PS faz há anos, aliás. Bocejo...). Não percebe que o que é mesmo necessário é provar aos portugueses as vantagens e potenciais do projecto europeu, mostrando-lhes que o projecto europeu pode contribuir para o desenvolvimento do país, se seguir outros rumos. Mostrar-lhes qye outra Europa é possível. Não basta dizer que somos europeístas porque sim.

Disparando em todas as direcções, continuando a insultar os adversários, Vital não apresentou uma única - uma que fosse! - ideia nova, enquanto se passeava ao lado da candidata fantasma portuense, erguendo o dedo professoral para ilustração do país.