quarta-feira, 29 de julho de 2009

por a garra na ferida

Coordenador da União de Sindicatos de Castelo Branco defende que dinheiro gasto devia servir para descentralizar a aplicação de fundos europeus

Luís Garra pôs o dedo na ferida. A gestão descentralizada dos fundos europeus foi, desde a nossa adesão à velhinha CEE, um assunto fundamental do desenvolvimento do país.

Para além de uma questão de eficácia na gestão, com os decisores mais próximos dos problemas, coloca-se também uma questão de democraticidade. É que devem ser as populações de cada distrito a decidir como são aplicados o fundos europeus na sua região.

Esta foi, creio, a razão principal para a hesitante posição do PS no referendo sobre a Regionalização e que acabou por determinar o seu negativo resultado. As Regiões Administrativas, com os seus órgãos democraticamente eleitos iam com certeza querer ter uma palavra decisiva nesta questão.

A possibilidade de perder o poder sobre este ror de milhões fez de certeza tremer muitos burocratas do Terreiro do Paço.

O centralismo tem muitas cores e muitas faces.

colorações de cinzento

Um amigo que não via há anos, com quem me encontrei há dias, e com o qual me acostumara a bater papo a propósito das coisas da política, deu-me o mote.

Afirmava ele que, com esta crise sistémica global (desencadeada a partir dos EUA, e que foi até onde sabemos…ou sentimos), a Europa nada aprendeu, procurando para ela precisamente as mesmas (e velhas) soluções que originaram os problemas, e ficando à espera que o mercado responda por si e se encarregue da recuperação. Ao vanguardismo histórico e intelectual que caracterizou desde sempre a velha Europa, responde a nova Europa de forma tolhida e manietada pela senilidade sócio política a que o poder económico e monopolista, em nome do liberalismo, a condenaram.

Da velha Europa para a União Europeia de hoje, ignora-se o livre pensamento, vão-se as “luzes”, e resta um cinzentismo impotente e economicista tanto ao nível da resposta interna como na vertente da sua influência externa. O uniformismo cinzentão do pensamento único está perfeitamente cristalizado na coincidência de posições das duas maiores formações políticas que dominam as nações europeias (em processo induzido de desagregação federalista). As mesmas que dominam o Parlamento Europeu, que dominam a Comissão Europeia e que apontam a um novo mandato de Durão Barroso.

Com as formais instituições unionistas, em processo artificialmente acelerado de construção a partir do Tratado do Carvão e do Aço até à actual União, parece estar a perder-se a identidade duma Europa vanguardista, dialecticamente capaz de procurar e produzir soluções ideológico-políticas a partir de cada abalo conjuntural da evolução dos povos e nações. Em contrapartida parece deslocar-se o centro de gravidade da ebulição filosófica e sócio-política mundial para o continente americano, dando até a noção que algo está a acontecer de novo neste domínio, mesmo nos EUA, algo que os campeões do capital financeiro e monopolista, bem como o próprio Obama (já de si uma resultante desta ebulição), não controlam.

Entretanto, definitivamente de comboio perdido para as suas ambições políticas além-Madeira e em defesa mal pensada do cinzentismo uniformizante e castrador europeu, dá nota caricata o Presidente do Governo da Madeira quando se mostra (retoricamente) preocupado pelo facto de em Portugal, ao contrário do resto da UE, se assistir à “vergonha” duma evolução eleitoral “desconforme” dos partidos de esquerda (PCP e BE). Quando atribui a responsabilidade desse facto ao Governo do PS e ao actual Primeiro-Ministro, Jardim ensaia (por conveniência eleitoralista) uma explicação subjectiva e bacoca do problema, tentando desviar a atenção dos incautos para a questão profunda e determinante que consiste no facto de a chamada esquerda moderada europeia (de que a política do Governo Sócrates é uma expressão) estar tanto como a direita liberal e conservadora (de que o PSD e o CDS fazem parte) amarrados de mãos e pés aos interesses dominantes, no quadro institucional da UE, do capital monopolista e financeiro transnacional.

Infelizmente para João Jardim (e outros) é ele próprio que, sem querer e enrolando-se nos seus raciocínios verborreicos, dá nota de que o cinzentismo europeu e os interesses que o determinam não controlam tudo, nem controlarão sempre, apesar da força com que actualmente (e, desta feita, infelizmente para todos) se manifestam.

Mário Abrantes

terça-feira, 28 de julho de 2009

melhor negócio que a saúde, só o armamento


Mais um interessante artigo no E-Economia.info, desta vez sobre a continuação das parcerias público-privadas (PPP), desta vez com a Espírito Santo Saúde (quem disse que contar dinheiro todo o dia não dá saúde?) para a construção do Hospital de Loures.

O Tribunal de Contas e o insuspeito Guilherme de Oliveira Martins, já por várias têm apontado o resultado desastroso, quer em termos financeiros quer de resultados, destas parcerias para o Estado. Porque para os privados, é uma verdadeira mina de ouro.

É mesmo uma administradora do Grupo Espírito Santo que o reconhece, com uma frase verdadeiramente lapidar, daquelas que definem toda uma época:

a precisar de férias



a ideologia da socialização dos prejuízos


Mais um interessante artigo de Fernando Sobral no Jornal de Negócios, do qual retenho duas frases de grande lucidez que abordam uma questão fundamental.

A propósito dos problemas no sector bancário:

A propósito dos obscuros negócios com a Liscont no Terminal de Alcântara:

Revela-se, claramente, a falácia do suposto Estado-regulador, que afinal nada regula, limitando-se a encolher e a recuar para facilitar a criação de novas áreas de negócio para os mesmos grupos económicos de sempre. Perante o cenário que vivemos, esta é uma das questões mais importantes que os partidos políticos devem responder nestas legislativas: Que Estado queremos? E para quê?

isto está mesmo a ficar sinistro (actualizado)


Neste mesmo dia, o site de campanha da líder do PSD Açores, Berta Cabral, parece ter sido atacado, como noticiaram os socialistas vestidos de preto. Mais coincidências?

Parece claro o longo e oculto braço socialista está decidido a mostrar quão longe chega: de directores de jornais obedientes a piratas informáticos bem treinados. Faz mesmo lembrar a onda de repressão da PIDE-DGS apenas alguns meses antes do 25 de Abril de 1974. Cada vez mais sinistro, este filme...

Actualização: Na nossa blogosfera açoriana onde com tanta veemência se clama sobre a liberdade de expressão e também na comunicação social na Região, tivemos sobre este assunto apenas um profundíssimo silêncio. Excepção honrosa, apenas o Diário dos Açores mencionou a questão.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

acabar com os salários


Sob o habitual verbalismo difuso e vago, o que parece que se pretende é que os trabalhadores deixem de ser pagos pelo trabalho efectivamente prestado, mas sim sobre o valor que a empresa conseguiu criar.

Numa altura de crise como esta, a proposta tem ainda a vantagem de os patrões, poderem assim dividir os prejuizos pelos seus empregados. Quando for implementada, esta ideia conseguirá, por fim, realizar a feliz utopia de vermos trabalhadores e patrões, solidariamente de mãos dadas a dividirem as vicissitudes económicas: os primeiros ficarão com os prejuizos e os segundos com os lucros.

Perante uma proposta destas, o mínimo que se pode sugerir é que, por uma questão de seriedade intelectual, a RC retire a palavra "comunista" do nome. E, perante este cenário de total abandono das suas raízes ideológicas, adoptando a velhíssima postura de pretender gerir o capitalismo, em vez de o transformar, talvez a palavra "renovação" tenha também deixado de fazer sentido.

Retiradas as duas palavras da RC, que lhes resta? Exactamente o que são politicamente: nada.

sábado, 25 de julho de 2009

vendidos e comprados

Como bem se escreve hoje na 1ª Coluna do diário Insular, os postos de trabalho na Base das Lejs, a sua qualidade e as suas remunerações, são a única contrapartida que nos resta pela utilização da base pelos EUA.

O fim do inquérito salarial, que num assomo de entusiasmo porventura irreflectido, o Secretário da Presidência revelou ter sido uma ideia do próprio Governo Regional, vem representar um retrocesso inegável, garantindo que a prazo as Lajes sairão ainda mais baratas aos americanos.

Tudo isto se passou, claro, nas costas dos trabalhadores da Base, que começam infelizmente a habituar-se a serem comprados a baixo preço. Os interesses da Região, esses, mais uma vez foram utilizados como moeda de troca política em transacções obscuras, por quem tinha a obrigação de os defender.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

laicos graças a deus

Padres do Centro de Lisboa declaram apoio a Santana Lopes

Pronto. Nem vou falar deste antigo e estranho entusiasmo de muita da igreja católica por tudo o que seja de direita ou traga um odor reaccionário de outras épocas, como se os verdadeiros valores cristãos por acaso até não estivessem bem mais próximos do humanismo integral defendido pela esquerda. São as opções de cada um. compete-me respeitar e faço-o sem reservas.

Agora, o que não posso mesmo silenciar é essa continuada prática da igreja católica portuguesa de se imiscuir directamente na vida política do país. Este pequeno incidente dos padres da Baixa de Lisboa espelha, à sua escala, a atitude habitual da Conferência Episcopal que, nos seus comunicados, despudoradamente se imiscui no que não tem nada que imiscuir.

Seria disparatado tentar negar a importância social da instituição igreja católica. Mas, essa importância não lhe permite violar impunemente as regras do jogo democrático e, pior que isso, obliterar um dos pilares fundamentais do nosso sistema político: a saudável e total separação entre a igreja e o Estado. É que, por enquanto, vivemos num país laico, graças a Deus!

quinta-feira, 23 de julho de 2009

o GACS não está sozinho


A distribuição com o Açoriano Oriental, de material de apelo ao voto no PS, no último dia da campanha eleitoral para as europeias, como previ aqui, foi completamente abafada por toda a comunicação social do arquipélago.

Mas, a grosseira violação das regras do jogo democrático não podem passar em claro, e a Comissão Nacional de Eleições deu razão à queixa apresentada pela CDU Açores e instaurou o devido processo ao PS e ao Açoriano Oriental.

Do PS Açores, a atitude já não surpreende. Do AO, desaponta. Bem pode vir Paulo Simões chorar lágrimas de crocodilo sobre o GACS ou sobre a liberdade de imprensa no arquipélago. Não apaga o facto de ficarmos a saber que um dos mais respeitáveis (assim sempre o julgámos) jornais dos Açores, que está sob sua directa responsabilidade, afinal pode ser comprado.

Certamente que agora passaremos todos a ler as páginas do AO com outros olhos. Os profissionais da sua redacção sabem-no. E, embora seja difícil de acreditar que estejam de forma alguma envolvidos nesta história, o seu silêncio torna-os cúmplices objectivos, porque permitem que a credibilidade construída com o esforço de quem põe o jornal na rua todos os dias possa ser comprada e vendida pelos poderosos.

Os tentáculos do PS Açores chegam mesmo muito mais longe do que se possa pensar. O GACS é apenas a ponta do icebergue.

como é habitual

Como de costume em todos os órgãos onde participa, também na Assembleia da República, o Grupo Parlamentar do PCP foi de longe o mais produtivo. Até porque as iniciativas apresentadas não estão escravizadas a maquiavélicos calendários mediáticos. Na realidade muitas delas nem sequer foram noticiadas. Mas existiram.

A análise quantitativa vale o que vale, mas sempre serve para mostrar que os partidos não são mesmo todos iguais!

quadro publicado no Público de 23 de Julho, imagem roubada daqui.

eles fizeram as contas


Parece mentira, mas é verdade. De 9 para 89 milhões de Euros no 1º semestre de 2009. E isto apesar da crise, da retracção económica e tudo o mais que por aí ouvimos...

Para quem anda tão preocupado com a despesa pública e o défice, estes números dão uma boa ideia de como seria possível e fácil aumentar as receitas fiscais à custa destes lucros, verdadeiramente desavergonhados.

É caso para perguntar: Crise? Qual crise?

o fim do ciclo da vaca


A notícia não surpreende e ainda a vamos ler mais vezes. A falta de união dos países do sul e a posição subserviente do PSE e do PPE garantiram que não existia nenhuma força negocial para que a posição da UE fosse diferente.

Ou seja: num planeta deficitário em termos alimentares vamos pagar para que não se produza, de forma a que as grandes multinacionais leiteiras possam manter as suas margens de lucro.

Para os Açores, as notícias não podiam ser piores. O problema do nosso sector leiteiro tem muito a ver com a sua reduzida dimensão. A produção em pequena escala não só aumenta os custos, como faz com que tenhamos unidades industriais de transformação subaproveitadas e, pior ainda, não nos permite ter qualquer controle sobre o preço, já que os grandes compradores podem com facilidade abastecer-se noutras paragens.

Também do ponto de vista social, o abandono da actividade tem impactos dramáticos sobre o tecido rural das nossas ilhas e sobre a fixação da população.

Forças mais ou menos ocultas movem-se para precipitar o fim do "ciclo da vaca". Basta ler um pouco de história para percebermos os desastres sociais que estes fins de ciclo sempre acarretaram para o Povo Açoriano. Desastres que são já visíveis no horizonte próximo.

E então? Limitamo-nos a caminhar submissamente para o abismo? Deixamo-nos ficar "em paz sujeitos"? Ou temos a coragem de mudar de rumo?

quarta-feira, 22 de julho de 2009

"De que cor é o mar?"

"De que cor é o mar?"














Rita Rato

submissão

João San-Bento, vereador do PS na Câmara Municipal de Ponta Delgada, acusou a Presidente da Autarquia de estar a fazer eleitoralismo pessoal e partidário com dinheiros públicos à custa da edição de 24 separatas publicitárias com obras feitas e a fazer, para distribuir pelo Concelho, e que na prática, segundo ele, não passariam de programas partidários feitos à custa das verbas que são pertença de todos.

Dou-lhe toda a razão, mas acrescento desde logo as imensas publicações governativas (algumas, em particular televisivas, assemelhando-se a autênticas lavagens ao cérebro) que frequentemente têm servido e servem de veículo eleitoralista ao partido que ocupa o poder regional e cujos gastos certamente San-Bento já não censurará com a mesma veemência. O abuso do dever de informação e de prestação pública de contas, transformando estes em propaganda partidária financiada pelo orçamento público, é um terreno com fronteiras muito escorregadias, que só a ética política é capaz de delimitar, e cujo repúdio se tem manifestado pelo afastamento (quiçá conveniente para os abusadores?) de muitos cidadãos da vida política.

A “Candidata a um mandato municipal à partida anunciado para não ser cumprido em pleno”, ignorando em absoluto as considerações que sobre elas João San-Bento lhe aprouve tornar públicas, distribuirá de qualquer forma as suas 24 separatas. Mas o que a “Candidata a um mandato municipal à partida anunciado para não ser cumprido em pleno” não poderá ignorar é que, pelo menos no respeitante a Santa Clara, está, não só nesta separata, como em todas as Revistas Municipais mensalmente dadas à estampa desde há 4 anos, a passar informação requentada e repetida. Estamos neste caso em presença de um abuso do dever de informação bem mais prolongado. Desde que Santa Clara existe, com órgãos próprios eleitos (2005), que a citada revista não se cansa de falar na Via Litoral de Santa Clara à Relva ou do Centro Cultural e Cívico (obras já anteriormente concebidas) e do Auditório ou da Requalificação da 2ª Rua de Santa Clara e do seu Centro Histórico (que atravessaram todo o actual mandato a ser anunciados e inscritos em planos municipais, mas sem nunca serem executados). Se exceptuarmos as genéricas delegações de competências; a construção de um triacto do Espírito Santo (por iniciativa de S. José, mas, por engano, em Santa Clara) e o Salão Paroquial (em parceria, além da Paróquia, também com o Governo Regional), foram 4 anos de adiamento das responsabilidades do Município para com a nova Freguesia. Foram 4 anos de tentativa de submissão e de falta de cooperação com os Órgãos eleitos e com o desenvolvimento sustentado da nova Freguesia (que não quer nem Casinos, nem muralhas de betão, nem loteamentos anti-urbanos a substituir a sua pesada herança de depósitos de combustível, edifícios em ruínas e orla marítima degradada).

A Câmara tenta dizer que é preciso ser da mesma cor para cooperar, mas veja-se o que se passou com a cooperação no desordenamento geral da cidade. Cooperação não é Submissão! Um autarca que não é capaz de impor perante a Câmara a vontade de defender a sua Freguesia, em vez de ser um acelerador é um travão para a sua Freguesia. Isso Santa Clara não quer, nem vai permitir que tal aconteça.

Uma surpresa final para si caro Leitor: No parágrafo anterior, experimente trocar a palavra “Câmara” por “Governo Regional”, “Freguesia” por “Concelho” e “Santa Clara” por “Ribeira Grande” e verificará que afinal se trata de um parágrafo do discurso de Berta Cabral aos candidatos do PSD à Câmara da Ribeira Grande, no passado dia 19!

Compreende-se? Não!
Mário Abrantes

terça-feira, 21 de julho de 2009

sítios onde adoraríamos estar no próximo fim de semana


gerir a doença ou promover a saúde? (actualizado)

O início do processo de discussão pública do Plano Regional de Saúde seria uma boa oprtunidade para um debate que arejasse algumas das ideias tradicionais e erradas sobre o sistema nacional de saúde.

E, desde logo, o primeiro problema é que temos um Plano Regional da Doença e não um Plano Regional de Saúde. Todo o enfoque é posto no tratamento e nas suas unidades e meios, deixando como parente simpático, mas secundário e pobre, aquele que deveria ser o ponto principal: a prevenção.

E a medicina preventiva vai muito mais longe do que umas campanhas de sensibilização nas escolas e uns folhetos coloridos. A promoção de estilos de vida saudáveis implica com muitíssimas áreas sociais, que o Plano prefere deixar em omissão.

Desde logo, o trabalho: Ritmos de trabalho intensos, horários irregulares e que não reservam tempo para outras actividades, condições de higiene e segurança no trabalho deficientes ou mesmo impróprias, são um dos primeiros inimigos da nossa saúde colectiva.

Outro aspecto são os bastos incentivos à indústria automóvel, os incontáveis milhões gastos em estradas, auto-estradas e estacionamentos, para que possamos passar semanas sem ter de andar mais do que 50 metros a pé.

Também poderíamos falar da política desportiva orientada essencialmente para apoiar as modalidades de alta competição e especialmente o futebol, esse coveiro do desporto saudável e para todos.

Mas, o aspecto mais fundamental de todos tem directamente a ver com a desigualdade social, que se reflecte, também, gravemente, sobre a saúde. Existe uma relação directa estatisticamente comprovada entre o rendimento e determinadas doenças. Não só pela maior dificuldade que os que auferem menores rendimentos têm em fazer escolhas saudáveis (na alimentação, por exemplo, onde os piores alimentos são sempre mais baratos. Mercado dixit), como também por factores que se relacionam com stress (e tantas vezes depressão, mesmo) relacionado com ritmos de trabalho, emprego precário ou desemprego.

Na nossa sociedade desiquilibrada, o fosso entre ricos e pobres abrange já todas as dimensões humanas, incluindo natalidade, fertilidade, saúde e, obviamente, esperança de vida. Há até quem teorize que a continuação deste estado de coisas levará, no futuro, ao aparecimento de duas espécies de seres no planeta, economicamente relacionados, mas biologicamente distantes: ricos e pobres. Esperemos que não chegue a tanto...

É aqui que reside a razão das resistências da direita em relação às despesas com o Serviço Nacional de Saúde. É que esse é dinheiro que é gasto em primeiro lugar com as camadas mais desprotegidas da população. Por que a verdade é que só a melhoria da distribuição dos rendimentos pode trazer poupanças acrescidas em termos de despesas de saúde.

Enquanto não abordarmos seriamente e de forma integrada este problema, não passaremos de um simples plano de gestão financeira da doença.


Actualização:

Sendo este um post já longo, penso que o assunto o justifica. Não posso deixar de assinalar a verdadeira situação de ruptura nos centro de saúde por causa da falta de médicos de família. É perfeitamente sintomática da falta de aposta na medicina preventiva que é, também, em muito boa medida uma competência destes médicos. Precisamos de inverter este paradigma. E com urgência!

tanto sacrifício para nada

Défice das contas públicas sobe em 284 por cento


Depois de muitos anos a apregoarem-nos a cantiga da contenção orçamental para mais tarde termos alguma folga, chegamos hoje à situação de o défice quase triplicar num semestre.

É normal que as despesas sociais aumentem devido à crise e é certamente dinheiro que tem de ser gasto.

Mas o facto de o Estado ter passado anos e anos a abdicar de receitas, nomeadamente através das isenções fiscais ao sistema financeiro e bancário deixaram-nos assim. Sem mais furos no cinto.

Mais uma para agradecer ao centrão!

domingo, 19 de julho de 2009

as más consciências e os truques do GACS

Paulo Simões, director do Açoriano Oriental, escreve este Domingo sobre o gabinete de comunicação do Governo, vulgo GACS.

Parece que o novo truque empregue pelos Secretários Regionais consiste em, quando interrogados pelos jornalistas sobre qualquer problema, adiar uma resposta, para dar tempo ao GACS de publicar uma notícia onde o Governo se manifesta "atento ao problema" e prometendo soluções. Lamentável!

Este é mais um dos muitos tristes truques do GACS. As coisas vão ao ponto de terem um "jornalista"(?) em permanência durante os trabalhos da Assembleia Regional apenas para "noticiar" as promessas e declarações feitas pelo Governo e pelo PS, naturalmente obliterando as intervenções da oposição que motivaram essas mesmas declarações.

Já o escrevi antes: o Governo tem o direito de ter uma central de comunicação. Pode até ser um instrumento útil e que acrescenta transparência à actuação governativa. Mas não pode nem deve ser uma simples máquina de propaganda, nem agência de emprego para jornalistas reciclados.

A sua existência exige, da parte dos jornalistas, um agudo sentido crítico e recusa da prática preguiçosa de usar a notícia já feita e montada servida pelo próprio GACS. O que muitas vezes falta, infelizmente, em muitos jornais e outros média. Incluindo o próprio Açoriano Oriental. Paulo Simões deveria olhar também para dentro da sua própria casa.

No limite, temos o lixo informativo que são o Jornal Diário ou o Azores Digital, que se limitam apenas a reproduzir os comunicados do GACS, vírgula por vírgula, sempre como fonte única. Recebem por este serviço, apoio dos programas de apoio à comunicação social do Governo Regional, pago pelos nossos impostos, claro. Situações como estas só são possíveis porque existem profissionais da comunicação social que estão ansiosos por vender a deontologia por 30 dinheiros e um Sindicato dos Jornalistas que corporativamente silencia qualquer crítica e os protege.

Terão de ser os jornalistas os primeiros a recusar a manipulação informativa do GACS. É o seu dever. Felizmente alguns fazem-no. Infelizmente, outros não.

mastigar o falhanço

Governo vai reavaliar operação marítima

Depois de meses a insistir teimosamente que tudo estava bem nos transportes marítimos, eis que agora o Governo anuncia que vai reavaliar os transportes marítimos e que fará um "estudo" sobre esta questão. Trata-se, com todas as letras, da assumpção pública do falhanço e desorientação das políticas seguidas até aqui.

Os "estudos", de preferência de "especialistas" são, no nosso país a milagrosa panaceia para todos os males. Ainda mais quando se pretende adiar um problema. Com o grandioso estudo em marcha, fica o Governo descansado, sem ter de se confrontar com questões incómodas no período pré-eleitoral.

Naturalmente que não coloco objecções a que exista um conhecimento melhor da realidade e uma ideia mais fundamentada das soluções. Mas a questão essencial não está aí. Está sim, nas opções políticas tomadas pelos governos do PS em relação aos transportes marítimos. Opções essas, que o Governo não parece querer reconhecer como erradas e alterar. Assim, não há estudo que nos valha!

houve quem avisasse...


A acontecer, será uma decisão esperada perante a qual ninguém deve ficar surpreendido. Mas que teria sido evitável e que se lamenta.

A questão da audição obrigatória pelo Presidente da República não é nem nunca foi uma questão substantiva ou com qualquer relevância para o comum dos açorianos. Apenas a linha de confrontação do PS com o PR fez com que se insistisse nesta questão que, mesmo para um leigo, é claramente anticonstitucional.

E é lamentável, pois o Estatuto no seu conjunto é um documento equilibrado, avançado e que pode ser uma ferramenta importante no desenvolvimento das nossas ilhas. O largo consenso em torno dele, a sua importância e o seu valor fazem com que mereça um percurso institucional mais tranquilo. Esta decisão do TC vai criar uma turbulência e "ruído" indesejável, de que a demagogia pré-eleitoral socialista não deixará de se aproveitar. A Autonomia não devia ser usada para os jogos da pequena política partidária.

terça-feira, 14 de julho de 2009

a tricolor, farol do mundo


Liberdade - Igualdade - Fraternidade

É perfeitamente possível!


Depois se explica - a trabalhadora era delegada sindical duma empresa têxtil do norte do país; fora despedida, porque a empresa não estava habituada e não queria ter delegados sindicais a complicar a vida; o tribunal de trabalho obrigou a empresa a reintegrar a trabalhadora/delegada sindical; a empresa retaliou de várias formas, mas a mais original foi a do título - pagar a totalidade do seu salário em moedas, em vez da normal transferência bancária (dando a desculpa de que a empregada tinha conta noutra agência que não era a mesma da empresa, o que dá um total de 333 moedas de 1€ e 1 de 0,5€.

O que espantou e motivou a notícia não foi o despedimento, pelo facto da trabalhadora e as suas colegas terem exercido um direito constitucional - o direito à associação em sindicatos. Isso é normal.

O que espantou e motivou a notícia foi o invulgar pagamento (e de certa forma, para quem está de fora, cómico).

O que espantou não foi saberem bem que aquela empresa paga - e vive bem com esse facto - 333,5€ de salário mensal a uma trabalhadora (depois dos devidos e justos descontos). E espera que ela consiga viver dele. E os seus filhos. E pague a sua casa e respectivas contas. E despesas com saúde. E...

E também espera que ela não queira unir-se num sindicato.

O que espantou não foi o desrespeito pela lei, em particular pela Constituição, mas sim que a empresa, para lá de outros tipos de descriminações, abusos e pressões, tenha ainda tempo para se ocupar com a nova forma de gozar com a dignidade da trabalhadora.

Porque, de facto, é perfeitamente possível que ela(s) consiga(m) viver com dignidade e o mínimo de condições com o salário de 333,5€. Até porque, de certeza, os rendimentos que o seu patrão aufere devem ser próximos deste valor.

Há alguns
anos, em notícia de jornal, anunciava-se ao país uma nova causa de prostituição: operárias do distrito de Braga eram obrigadas a fazê-lo para conseguir sobreviver. Recebiam assim dois "salários", dos quais já conseguirão pagar as suas despesas mensais.

Ontem, ao fazer compras, reparei que um dos alimentos mais baratos e mais tradicionais no nosso país - o arroz - ocupava várias prateleiras cheias, excepto um, que já estava quase acabado: o chamado de "marca branca", o bastante mais barato que os restantes.

E, no entanto, é perfeitamente possível que os sucessivos governos que temos não queiram ver que este estado de coisas tem mesmo de mudar!

domingo, 12 de julho de 2009

fissuras por todos os lados

O navio Viking pode afinal já não vir para os Açores este ano, após lhe ter sido descoberta mais uma avaria, uma fissura nos tanques de combustível. A consequência provável é a de os transportes da época alta serem este ano apenas assegurados pelo Express Santorini.

Mais um incidente a somar-se aos da construção do Atlântida e do Anticiclone e às trapalhadas da Transmaçor que comprometem metade da sua frota.

Uma coisa é certa, a actuação do Governo Regional no campo dos transportes marítimos está cheia de fissuras e a meter cada vez mais água. A continuar assim, afundar-se-á em breve, arrastando consigo para o fundo o Secretário Regional da Economia.

o oráculo do voto (in)útil

Em mais um artigo no Jornal Expresso, prontamente seguido, esmiuçado e erguido às alturas da diginidade oracular de guru político de certa esquerda, Manuel Alegre, continua o seu papel de empenhado mistificador.

Depois de algumas palavras amáveis dedicadas a conquistar a simpatia do leitor ideológico, Alegre lança o alerta sobre a negra nuvem do (provável) próximo governo do PSD, que cobrirá o mundo de espessa treva, considera o autor.

O jeito que dá aos socialistas terem um agente desculpabilizador deste calibre, férreo defensor das soluções "do mal o menos", para ir paulatinamente arranjando apoios para Sócrates. Porque não há volta a dar-lhe, nem subterfúgio que lhe valha: no momento em que podia ter feito a ruptura com a actual direcção do PS, Manuel Alegre optou por não o fazer. Por isso, será agora recompensado com um lugar de Deputado na próxima legislatura.

Naturalmente que não consegue perceber que a derrota do PS nas legislativas será útil para a recomposição da direcção socialista, encerrando a carreira política de José Sócrates e permitindo uma efectiva mudança nas políticas socialistas. Isso, sim, será uma vitória da esquerda. Mas daquela que não se vende nem se conforma, nem se deixa levar por sinistros oráculos, nem pelos seus apelos ao voto útil.

sábado, 11 de julho de 2009

cristianoronaldização da vida portuguesa



José B. R.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

as 2 gripes

Da honrosa passagem pelos Açores, em busca de raízes de 3ª geração, ficou-nos apenas isso: a honra do Nobel de Medicina ter sido recebido, conjuntamente por um governante que durante todos os seus mandatos sempre se fez acompanhar pela gripe comum, Carlos César, e por um ex-governante, Mota Amaral, desta feita herdeiro da antiga “gripe espanhola”, agora reaparecida numa versão moderada A(H1N1), e a pretender re-alastrar dentro do habitual quadro de convivência estabelecida e tolerante, que sempre soubemos manter com as maleitas da época.

Curioso foi apercebermo-nos, mesmo estando à partida pouco atentos, da visita propriamente dita de Craig de Mello e das honrarias que a rodearam, mas, paradoxalmente e face ao interesse estimulante provocado pelos ininterruptos alarmes da comunicação social sobre os perigos da A(H1N1), termos ficado por nos aperceber devidamente da opinião desse homem (julgo que qualificada) sobre o carácter desta nova versão da “gripe espanhola”.

Pondo um pouco de água na fervura dos nossos conselheiros mediáticos de circunstância, disse ele, em termos de consequências para os infectados, que a versão A(H1N1) tem grandes semelhanças sintomáticas e de tratamento com a gripe comum, sendo tão mortífera quanto esta! Nem mais nem menos…Ah! Um pormenor: enquanto isso, a Ministra da Saúde anunciava que já tinha encomendado vacinas contra a A(H1N1) para 30 % da população portuguesa. Está percebido porque já ninguém conseguiu ouvir a sensaborona opinião de Craig de Mello…

E eis pois a inevitável extensão do problema, também a Ponta Delgada. Por um lado uma estirpe reaparecida e aparentemente imparável que se propõe re-infectar em Outubro o Concelho, mas que, por pretender alastrar de seguida para toda a Região, já se sabe, amputará por sua própria iniciativa uma parte do mandato pelo qual, entretanto, se responsabilizou perante os seus eleitores. E, por outro, um paciente comum cujo advogado, caracterizando-o em tribunal, invocou como argumento o facto desse seu paciente ter sofrido danos irreparáveis, com mazelas físicas e psicológicas, e chegado ao seu fim político, por causa de uma noticia publicada num jornal. Duas maleitas que, ora uma ora outra, por mais que se pretenda diferenciá-las entre si, nos estão consumindo com os mesmos sintomas e os mesmos tratamentos há várias décadas, nas várias versões com que se nos apresentam.

E por isso, além da desmesurada percentagem de população inactiva, temos mais de metade da população activa com a doença da escolaridade até ao sexto ano; temos hospitais empresariais nados-mortos com prejuízos de 83 milhões; novos barcos e novas estações de tratamento, deficientes; próteses de betão e loteamentos desfigurados a invadirem o esqueleto urbano; faixas de alcatrão a mumificarem toda uma ilha.

Não é fácil erradicar as gripes, mas é possível combatê-las e diminuir-lhes os efeitos, com preserverança e sem alarmismos, sobretudo quando já as conhecemos…ou à medida que as vamos conhecendo. Mas, salvo raras excepções devidamente sustentadas, nunca o tratamento de uma se fará pela disseminação da outra.

E se a A(H1 N1) aparece hoje a pretender sobrepor-se à gripe comum, e amanhã vice-versa, ouçamos a sensaborona, mas oportuna e abalizada, opinião de Craig de Mello e tratemos as duas como maleitas que possuem entre si mais semelhanças que diferenças, sendo importante sobretudo reduzir-lhes a incidência, quer se trate de uma ou da outra…

Mário Abrantes

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Honduras


Os factos que sucedem nas Honduras são sobejamente conhecidos e não pretendo discuti-los. Apenas assinalar que o dia de ontem nos mostrou duas coisas: O poder imparável de um povo que se põe em marcha e a verdadeira face violenta e cobarde dos ditadores e golpistas, mesmo quando invocam a defesa da normalidade institucional.

Perante imagens como esta, de uma criança de 10 anos morta por soldados com um tiro na cabeça não há mais espaço para discutir. Toda a argumentação jurídica cai por terra como um oco cenário de papel. Perante isto, a neutralidade é impossível.

Por isso, a minha solidariedade com o Povo Hondurenho.

domingo, 5 de julho de 2009

americanos



Ainda a propósito do 4 de Julho, partilho mais um brilhante documentário da Aljazeera sobre os muçulmanos nos EUA.

Rageh Omaar vai muito para lá dos previsíveis sintomas de discriminação e intolerância e descobre gentes e lugares para quem as cores do Islão são também o branco, azul e vermelho. Porque no sonho americano cabem (deviam caber) todos.

A não perder os restantes episódios.

sábado, 4 de julho de 2009

no centralizar é que está o ganho

Este investimento é o mais recente exemplo da política, que só posso considerar como centralista, e que visa concentrar em São Miguel, investimentos, infra-estruturas e potencialidades, em detrimento da visão estratégica de arquipélago. É porque afinal os Açores são nove ilhas. Não são uma ilha grande com mais oito bocados de rocha, habitados por uns poucos nativos casmurros, à volta!

E este centralismo mostra-se quando analisamos a escassez de argumentos para justificar a prioridade do investimento no aeroporto João Paulo II. Torna-se brutalmente claro quando associamos esta notícia à recente decisão da SATA de concentrar aí sua frota, decisão que já mostrou ter custos e consequências operacionais muito sérias. O caso revela-se, então, verdadeiramente sinistro quando vemos que o consórcio ganhador da obra envolve a Mota-Engil, poleiro dourado de Jorge Coelho e de outros ex-dirigentes socialistas.

Mas essencialmente triste é a incapacidade que os gestores que tomam estas decisões demonstram em perceber o enorme potencial que os Açores poderiam ter se dispusessem, também nas outras ilhas, de infra-estruturas aeroportuárias modernas e competitivas. Até porque o turismo açoriano não tem apenas São Miguel para oferecer.

Há quem não pense assim. O centralismo tem muitas formas.

a cidade da Horta em duas rodas

Foi há poucos dias inaugurado na cidade da Horta o quiosque Horta Bike, que disponibiliza a utilização gratuita de bicicletas no centro da cidade. Resultando de uma parceria entre a CMH e o Turismo dos açores, não posso deixar de dar um merecido aplauso ao principal impulsionador do projecto, o vereador do ambiente, José Decq Mota.

A Horta torna-se assim na primeira cidade dos Açores a dispor de um serviço deste género. Para além dos naturais impactos positivos sobre o turismo, também contribuirá decisivamente para a redução do número de automóveis, permitindo o usufruto saudável do centro urbano.

Uma boa ideia que devia ser utilizada em mais municípios!

assinalando o 4 de Julho



E, para os que permanentemente me acusam de anti-americanismo, uma referência à que foi a primeira grande revolução democrática ocidental, percursora da revolução francesa.

em defesa do ministro

Narciso passava o tempo, segundo a Mitologia, adorando a sua imagem reflectida nas águas serenas de um lago.

O Ministro passou o tempo adorando a sua imagem na serenidade pardacenta e inócua de um Parlamento tornado inócuo e pardacento pela arrogância de uma maioria absoluta. E acabou por se rever nessa inocuidade pardacenta. E tornou pública a imagem devolvida.

Poderia ter composto a imagem com os dedos para baixo (acabando, em termos tauromáquicos) ou com os dedos a direito, como um belo exemplar da Lezíria Ribatejana.


Mas, não! Se estas duas situações vão buscar a sua origem genética, nomeadamente, à raça Miura, o ministro, “PATRIOTICAMENTE”, ergueu os dedos evocando (não há erro, não senhor, não é “invocando”), evocando, dizia eu, a geneticidade charoleza e/ou barrosã erguendo bem para cima as defesas típicas dessas raças (com maior ou menor comprimento é indiferente).

E, tal como um qualquer Miura, com casta, nobreza e bravura, ofereceu-se à “estocada final” da demissão.


O “matador” ainda esperou que o “público” acenasse com lenços e gritasse “INDULTO”, tal como na Monumental de Madrid, na 1 corrida de “EI Cordobés” nos anos 50/60, após uma “faena” magistral frente a um bravíssimo Miura. Mas o público ficou silencioso... e o resultado foi o que se sabe.

PARA DEFESA DO MINISTRO, resta o acto patriótico de querer impersonar algo verdadeiramente Nacional e não se ter rendido a outra casta ibérica.Em termos tauromáquicos: “Vaya por ti Ministro” e a minha “montera” ficou de boca para baixo no centro da arena!


José B. R.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

esta é a ditosa Pátria minha amada

Maria João Pires renuncia à nacionalidade portuguesa

E assim vai morrendo Portugal, às mãos merceeiras dos gestores modernaços que não conseguem perceber o valor reprodutivo do investimento na cultura.

Que o Brasil saiba acolher o seu talento melhor do que por cá!

(dica do Pisca de Gente)

ainda a imagem

Fui um dos muitos bloggers a utilizar esta imagem sem dar o devido crédito ao seu autor.

Penitencio-me agora, dando o merecido aplauso a Nuno Ferreira Santos que, como bem lembrou o brilhante Arte Photographica, conseguiu captar a essência de um dos momentos mais marcantes desta legislatura, o que lhe valeu ver a sua foto reproduzida no El Pais e no El Mundo. Infelizmente para nossa maior vergonha, mas em justo reconhecimento do seu "sentido do momento".

E é uma fotografia que coloca questões interessantes sobre o próprio fotojornalismo. Se não tivesse sido captada e reproduzida publicamente, será que o Ministro se teria demitido à mesma?

Só o facto de esta questão se colocar revela bem todo o poder desta imagem .

preparar a derrota

Em mais um artigo de opinião no Açoriano Oriental, Cláudia Cardoso começa a demonstrar a estratégia que o PS adoptará após a sua (inevitável?) derrota nas próximas legislativas.

E a estratégia é simples: culpar José Sócrates.

O problema, diz a deputada socialista, "é do seu estilo", que reputa de "arrogante" e dizendo que o seu acto de contrição, em entrevista à SIC foi "rídiculo", "artificial" e "tardio". Tal como no caso de Vital Moreira nas europeias, o PS já tem um bode expiatório para a sua próxima derrota eleitoral. Mais claro que isto não se pode ser.

Para CC o problema está na "forma", no "embrulho" e não no conteúdo das políticas. Há, portanto, um mero "problema de comunicação" com o povo português que, coitadinho, é acomodado, comodista e pouco inteligente.

Neste artigo, demonstra-se toda a confusão da derrota anunciada, toda a incapacidade de perceber o que é que falhou. E o que falhou não foi a comunicação. Não se trata de uma questão de forma. O problema está mesmo no conteúdo das políticas. O problema está na maneira como os partidos socialistas se distanciaram das suas raizes ideológicas históricas, seduzidos pelo canto de sereia do liberalismo triunfante. Agora que o liberalismo está de joelhos, perderam tudo: a história, a identidade, a visão do futuro e a capacidade de perceber o que é que correu mal.

Influenza, o velho inimigo

Como se previa, a gripe A chegou finalmente a Portugal e também aos Açores. O que talvez não se previsse era que o seu alastramento fosse tão rápido. Passámos de zero para mais de 20 casos em poucos dias.

Confesso que estou alarmado. O Influenza e particularmente esta sua estirpe H1N1, é um dos nossos mais antigos e mortíferos inimigos. Há menos de 100 anos atrás, este mesmo vírus infectou um terço da população do planeta e matou cerca 100 milhões de pessoas, ficando conhecido como "gripe espanhola". A diferença particular em relação a outros tipos de gripe é o facto de se revelar mortal em camadas etárias intermédias, jovens adultos e outros indivíduos saudáveis. Hoje em dia viajamos muito mais do que em 1918 e o contágio é virtualmente imparável, especialmente em países e destinos de férias como são Portugal e os Açores.

Embora não tenham uma eficácia a 100% alguns anti-virais como o Tamiflu têm-se revelado adequados. Importava evitar pânicos e corridas às farmácias, mas também tomar medidas acertivas e rápidas. Porque é que estes medicamentos ainda não estão a ser distribuídos gratuitamente aos grupos etários mais vulneráveis, como são as crianças e os idosos?

quinta-feira, 2 de julho de 2009

a revolta do voo 1847


festa brava (actualizado)

Sim, é o Ministro da Economia.

Sim, está no Parlamento.

Olé!

O gesto marialva de Manuel Pinho foi feito na direcção da bancada do PCP, em resposta a uma bandarilha de Bernardino Soares que lhe deve ter doído. Já sabíamos que a competência não é uma característica exigida aos ministros do actual governo. Agora ficamos a saber que um mínimo de boas maneiras também não.

O assunto já vai na imprensa internacional mas, por cá, já não choca nem surpreende. É só mais uma vergonha que o Governo de José Sócrates nos faz passar.

Enquanto escrevia este post fiquei a saber que afinal Manuel Pinho se demitiu. Ainda bem. Era o mínimo que podia fazer. Que garotice inacreditável!

promessas que queremos ouvir (e ver cumpridas!)

Através do blogue Firmeza no Rumo fiquei a conhecer o contributo que a CGTP-IN pretende dar para que nos programas eleitorais das próximas eleições legislativas, os partidos assumam compromissos concretos para mudar o rumo do país.

E não é assim tão complicado. 10 eixos para mudar Portugal:

1. Criar emprego estável e com direitos e evitar os despedimentos

2. Garantir o direito constitucional de contratação colectiva

3. Valorizar o trabalho e os direitos dos trabalhadores

4. Combater a precariedade

5. Alargar o acesso ao subsídio de desemprego para que mais desempregados possam ser
abrangidos pela prestação

6. Promover o aumento real dos salários e das pensões assim como do Salário Mínimo
Nacional de modo a alcançar 500 euros em 2011 e 600 euros em 2013

7. Reforçar a solidariedade, promover a coesão social e combater as desigualdades

8. Reforçar os serviços públicos e a protecção social

9. Reorientar as políticas económicas

10. Tornar o sistema fiscal mais equitativo


Daqui até Setembro, ouviremos múltiplos apelos e miríades de promessas. Todos falarão sobre os mais desfavorecidos, e sobre a sua enorme consciência social. Mas o que precisamos de ouvir é um firme compromisso com estes objectivos. Um compromisso para cumprir, objectivos para não serem esquecidos nas gavetas governamentais.

morreu um artista

Morreu um Artista, no outro lado do mundo, é verdade, mas “aqui mesmo ao lado” na aldeia global.

E isso foi motivo de parangonas nos jornais, abertura de telediários em todo o mundo, motivo de conversas entre todos os comuns mortais.

E é justo que assim tenha sido. A morte de um CRIADOR é uma perda para todos nós.

Mas… (sempre o chato do mas) ao mesmo tempo o Zé, Joseph, Joe, Yousseff, … de apelido XPTO, operário da construção civil também morreu porque caiu de um andaime, ou levou com qualquer coisa na cabeça. E o Zé-Joseph-Joe-Yousseff também era um ARTISTA.

Não vendia milhares nem recebia milhões; não era mediatizável e, muito menos, era assediado pelos “paparazzi”.

Apenas tinha fãs: a sua mulher, os seus filhos, alguma da família mais próxima e os seus amigos.

O ARTISTA DAS PARANGONAS criava (criou) com o corpo e a voz.

O ARTISTA não mediatizável criava (criou) com esse magnífico instrumento que é a mão humana. Edificou, talvez, palácios, vilas, arranha-céus e, quem sabe, a mais bonita (para ele) de todas as suas criações: o casebre miserável, a barraca onde morava com os seus “fãs” – e ele não precisava de seguranças para afastarem esses fãs – PRECISAVA DA SEGURANÇA PARA VIVER COM ELES!, no “guetto”, embora, mas dentro da obra que ele havia criado.

O Zé-Joseph-Joe-Yousseff, não precisa de uma segunda autópsia, não vai ter ninguém a degladiar-se pela custódia dos seus filhos (leia-se do seu dinheiro) e muito menos vai haver discussão para se saber se aquela última carta para a família distante, (do outro lado do mar, do outro lado da Terra, lá longe, na terra – é indiferente) é, em si mesma, um testamento ou um rascunho de testamento.

O seu velório não terá milhares, milhões, talvez, a chorarem a sua morte. Mas, o choro de alguns será um choro sentido, profundo, um choro da alma, um choro vestido de luto!

O seu funeral não terá direito a divulgação mundial mediática. Será uma cerimónia íntima. E, num magnífico paradoxo, será, egoisticamente, chorado por aqueles a QUEM FAZ FALTA e não por constituir uma pretensa PERDA PARA A HUMANIDADE.

No fundo, é a história do linguado e da sardinha: ambos postos no mesmo assador, ao mesmo tempo. No fim, um só resultado: UM LINGUADO GRELHADO e UMA SARDINHA ASSADA!!!
José B. R.

É mesmo com muito prazer que publico uma colaboração de alguém a quem devo muito mais do que a vida.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

ainda menos transportes

Como se previa, a Transmaçor foi obrigada a "encostar" o Expresso do Triângulo, tendo de cancelar, em plena época alta, as ligações com a Terceira e reduzindo as ligações entre São Jorge, Pico e Faial.

A licença de navegação caducou e a embarcação tem de sofrer obras no casco. Entretanto, também o outro navio rápido da empresa aguarda licença para navegar. Nada de surpresas. Tratam-se de datas previstas e conhecidas, que chegaram sem que nada fosse feito. É caso para perguntar: Que raio de gestão é esta???

Apesar dos avisos e alertas que recebeu, o Governo Regional também nada fez. Estas questões têm de ser planeadas e executadas com tempo. Não podem correr atrás de calendários de investimentos eleitorais.

Será assim tão difícil entender que os transportes marítimos são provavelmente o sector mais importante para o desenvolvimento dos Açores?

combater o desemprego rosa


Algum jovem socialista quer ser "Gestor de Projecto" nos Gabinetes do Empreendedor?

Temos vagas!

a passar por cima...

…da crise, anda o senhor Ministro das Finanças, quando ao mesmo tempo que a OCDE lhe carrega as tintas para Portugal, ele as vai apagando e anunciando para este mês os primeiros sinais do seu fim (César já apontava a mesma data há uns meses atrás, recorda-se caro Leitor? Valha-lhe a notável capacidade de antecipação…). Por via das dúvidas, não vá o diabo tecê-las entretanto, e porque cada ministro de há uns tempos a esta parte passou a dizer a sua, o das Obras Públicas, em simultâneo, logo aprontou os anúncios sucessivos do adiamento do TGV e do novo Aeroporto de Alcochete…(Já se sabia que “Alcochete, jamé!”, não é verdade?)

A passar por cima da crise andam igualmente, segundo estudos divulgados num jornal nacional, os portugueses! Pobres e felizes, é assim que hoje se sentem! Já Salazar os queria pobres, asseados e ignorantes. Trata-se, convenhamos, de uma evolução assinalável, desde então...

A passar por cima das nossas cabeças, e muito provavelmente por cima da competência dos governantes regionais, de acordo com notícias vindas dos EUA, andam já a voar os caças F 22 no seu “quintal” do Atlântico. É compungente ouvir o Secretário da Presidência do Governo Regional, cada vez que lhe fazem perguntas sobre o assunto. Não se cansa de dizer que nada foi negociado até à data e, perante as notícias anunciando a chegada dos caças já este Verão, diz que tem “quase” a certeza de que isso não acontecerá! “QUASE”? Afinal qual é o papel do seu Governo, senhor Secretário? Parece-me óbvio que a lealdade institucional da República e a soberania desta, se praticadas, dispensariam com certeza esse “quase”, o que nos deverá então deixar seriamente preocupados quanto à forma como o actual Governo da República encara estes princípios basilares do Estado.

A passar por cima da economia regional, depois de ter ido (e de continuar a ir) às algibeiras do orçamento público absorver milhões a fundo perdido (em hotéis, restaurantes, casinos, múltiplos programas e outras comparticipações), anda o turismo. Com o número de dormidas em baixa continuada desde 2005, incapaz de contribuir para a criação de emprego minimamente estável e digno, e a pesar uma insignificância de 2,8% na balança das receitas, confirmam-se as vozes que aconselharam desde o início à prudência aqueles que pretendiam transformá-lo em alternativa sustentável da economia regional. Ninguém de boa fé fica satisfeito com estes resultados, mas que as cabeçadas depredadoras do orçamento público foram muitas e desnecessárias em direcção a um sector, ansioso de (impossíveis) resultados instantâneos, pouco fidelisável apenas por factores internos significantes, com forte concorrência já antes instalada a nível externo, e em declínio mundial devido à crise dos combustíveis, não tenhamos dúvidas!

Além do investimento público directo e apesar das dificuldades, salva-se afinal, com dimensão significativa, aquele para quem o poder regional, e interesses mais ou menos bem intencionados, chegaram a tramar o fim, para dar lugar ao turismo: o sector do leite e lacticínios. Numa situação de fortes vantagens para a indústria, contrastando com o agravamento da exploração dos produtores, chegam entretanto potenciais sinais positivos que (momentaneamente?) poderão restabelecer algum equilíbrio a favor destes últimos. Mas, a semelhança com os casos de indemnizações pagas por despedimento é gritante e atira-nos a economia para o cinzento escuro se, paralelamente com os 20 milhões anunciados para o sector, não forem na UE dirigidos até ao fim, pelos responsáveis regionais e nacionais, os esforços de manutenção do actual regime das quotas leiteiras.

Ou será que também isso nos irá passar por cima?
Mário Abrantes

muita lucidez

O Modelo de Desenvolvimento dos Açores sempre foi assumido por pessoas que consideravam a agropecuária como um sinal de subdesenvolvimento. É essa mesma gente que julga que ficamos melhor servidos com concessões monopolísticas nos transportes aéreos e regulações fortes nos transportes marítimos, não querendo perceber o que isso impõe de restrições ao turismo e o que isso aumenta os custos de transporte. Para além disso não se importam de vender direitos de exploração do mar vagamente compensados com dinheiros para vias rápidas, não têm preocupação em alienar direitos de produção da terra (subjacentes às quotas leiteiras) em troca de passeios às Canárias com verbas do INTERREG, nem se preocupam em desbaratar os direitos de exploração do ar, que vão para a FLAD e para os aeroportos que concorrem com os nossos, desde que se garanta a pensão dos trabalhadores existentes na Base; até a mobilização e fortalecimento do capital humano existente na universidade é tantas vezes desprezado por desvios de fundos para feiras de importadores e festas de alienados. em suma, o potencial de desenvolvimento dos Açores tem sido hipotecado por governos tacanhos e por empresários dependentes; também pelo estado e pela europa, que têm medo do sucesso das ilhas quando esse sucesso acontece, como acontece na Madeira.

Embora não concorde com tudo o que diz, tenho de reconhecer que a entrevista do Tomaz Dentinho ao Diário Insular tem algumas palavras de grande lucidez. Vale a pena aprender com elas.