segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

referendar o disparate


Já se sabia que cada vez que Nuno da Câmara Pereira abre a boca (excepto quando para cantar apenas sofrivelmente o fado) sai desastre. Desta vez não foi excepção, mas levou o disparate a um novo nível.

Mesmo não falando da impossibilidade jurídica que é referendar contra a Constituição, falta-lhe perceber que as mudanças de regime político não se referendam, nem se vende em referendo o que se conquistou com sangue derramado.

O PPM está no seu direito de tentar capitalizar descontentamentos com o nosso regime actual. Mas comete o mesmo erro que tantos republicanos de 1910, ao pensar que a mera mudança no sistema de eleição (ou não) do Chefe de Estado irá alterar todo um quadro social e político que vai muito para lá disso. Para NCM o disparate é o estado normal. Percebe-se: os Braganças e os seus descendentes nunca foram conhecidos propriamente pela sua argúcia crítica.

12 comentários:

Anónimo disse...

E porque razão a república não há-de ser referendável? Os portugueses não se podem pronunciar? Quem tem medo do povo, sr. comunista?

ZEZE disse...

Não vá o nosso monarquico regional entrar em greve de fome por causa do referendo!

Anónimo disse...

Quem diria que a República teria um enterro laico e socialista.

Tiago R. disse...

Caro anónimo:
O Referendo não é supra sumo da legitimidade democrática.
E não se referenda a estapafúrdia ideia monárquica, da mesma forma que não se referenda o abandono da democracia ou a instauração do fascismo. A legitimidade da democracia republicana pós 25 de Abril advém de fontes muito mais profundas.

Carlos disse...

Devia era referendar-se a existência de um partido totalitarista como o Partido Comunistas Português. Se o fascismo é proibido, ainda não percebi porque o comunismo também não o é.

Tiago R. disse...

Para perceber isso precisava de saber sobre o que é que está a falar.

Mas não desanime! Está sempre a tempo de estudar um pouco!

Anónimo disse...

"nem se vende em referendo o que se conquistou com sangue derramado"

Esta republiqueta que temos, onde um chefe de estado representa apenas a parte que o elegeu, nasceu como se sabe do sangue derramado pelo seu rei e da actividade terrorista da carbonária.

O partido republicano, que se saiba, nunca ganhou uma eleição que fosse em Portugal. Nem no tempo da monarquia, que exemplarmente o admitia no seu seio, nem no desnorte maçónico da 1ª república, nem dos dias escuros da ditadora, nem tampouco na decrépita democracia abrilina.

Os Braganças, quer o Tiago queira quer não, sempre foram nação.
Nesta republiqueta, nem chefes de estado temos.

Tiago R. disse...

A força eleitoral do Partido Republicano era crescente, conseguindo até ganhar a Câmara de Lisboa. Mas também não era como se as eleições fossem exactamente democráticas durante a monarquia.

E as eleições não são a única fonte de legitimidade...

DR.PARDAL disse...

Digo mais uma vez - e correndo o risco de ser censurado outra vez - que a I República foi o regime mais sanguinário e cleptocrático que alguma vez houve em Portugal.

Não foi por acaso que as massas trabalhadoras e operárias, lideradas por sindicatos anarquistas e mais tarde pelo Partido Comunista, combateram tão odioso regime.

Festejar a implantação da República como alguns arautos da familia maçonica, socialista, laica e republicana, querem fazer, não é só um verdadeiro disparate, como é uma ofensa a todos os que foram mortos, fuzilados e roubados durante a vigência do Partido Republicano Português e também do Partido «Democrático».

Tiago R. disse...

O regime mais sanguinário e cleptocrático??? Ouviu falar da que ficou chamada a monarquia do norte? Compare.

Aqui não corre nenhum risco de ser censurado, caro Doutor!

Anónimo disse...

as eleições não são a única fonte de legitimidade?? Olhe que não, olhe que não.

Tiago R. disse...

O movimento dos capitães não fez nenhum plebiscito para derrubar o regime a 25 de Abril de 1974. Foi ilegítimo?
Durante o fascismo havia actos eleitorais. O regime era legítimo?

Entendeu?