segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Pirro

Carlos César reeleito presidente do PS/Açores com 99,3% dos votos

As eleições no PS Açores não trouxeram surpresas. O único e incontestado candidato lá consegui convencer 35% dos socialistas açorianos a irem votar para confirmar o óbvio.

Todo este unanimismo em torno de um líder que já conta com um bom par de anos à frente do Partido advém, desde logo, da cultura de obediência cega ao chefe que tornou o PS Açores sobretudo um projecto de poder pessoal, no qual a proximidade ao chefe, o acesso aos salões e corredores da corte, a participação e o assentimento do núcleo duro de privilegiados, são os factores essenciais para ascender.

Mas, advém, sobretudo da falta de perspectiva de futuro. Depois de César, o quê? Ter-se-ão perguntado muitos socialistas açorianos. A verdade é que, a poucos anos das eleições a que César anunciou que não se recandidataria, o PS Açores continua a não ter resposta para esta pergunta.

Apesar do número impressionante, é uma vitória sem brilho, de que assistiremos provavelmente a apenas a sóbrias e comedidas comemorações. É que, depois de todos estes anos, no PS Açores não há projecto, não há renovação, nem novos protagonistas que os suportem. Há apenas fuga para a frente. É indisfarçável o travo amargo que estes 99% deixam na boca dos socialistas açorianos: um gosto a fim de ciclo.

2 comentários:

Anónimo disse...

Não há renovação?
Abre-me esses olhos.
Se há partido onde tem ocorrido renovação nos Açores é o PS. É por isso que, ao contrario dos outros, tem projectos vencedores.

Tiago R. disse...

Renovação, "ma non troppo".