quarta-feira, 24 de março de 2010

lógica logística


De resto, não são ideias novas, mas são novamente lançadas à discussão pela proposta de Plano Regional de Ordenamento do Território dos Açores (PROTA), que o governo não disponibiliza publicamente e que pretende aprovar em Abril, sem qualquer discussão pública.

Na prática, estamos a falar de concentrar todo o movimento de carga para a Região nestes dois portos, de onde seria, depois, reexpedida para as restantes ilhas em cargueiros de menor dimensão. A consequência lógica e necessária será, para 7 das 9 ilhas, mais custos e demoras na expedição e recepção de mercadorias externas, como é óbvio, tendo em conta a necessidade de transbordo.

Faz, naturalmente, todo o sentido que se potencie o porto da Praia da Vitória, uma estrutura enorme e subaproveitada), por exemplo tentando captar escalas técnicas, por exemplo para reabastecimento do grande fluxo de navios que cruzam o Atlântico, um mercado que se espera que cresça ainda mais com o alargamento do Canal do Panamá.

Agora, o que é perfeitamente ilógico é que se vá sacrificar qualquer hipótese de competitividade das outras ilhas e se vão agravar ainda mais os custos logísticos que os agentes económicos aí enfrentam, apenas para satisfazer a pressão dos grupos empresariais (Bensaúde e outros) ligados ao transporte marítimo e à operação portuária.

Por mais voltas que se tente dar ao texto isto tem apenas um nome: centralismo.

9 comentários:

geocrusoe disse...

Uma correcção: o PROTA teve discussão pública e está disponível na página da ALRAA. Eu tenho-o até o posso enviar em pdf.
Qualquer forma, no resto estou de acordo consigo.
As plataformas logísticas são mais uma forma de concentrar o investimento nas duas maiores ilhas dos Açores e deixar que as restantes se esvaziem economicamente, depois em termos populacionais por falta de empregos e de futuro.

Tiago R. disse...

o PROTA obedeceu, aparentemente, aos formalismos legais sobre discussão pública (anúncios obrigatórios, etc). Mas não foi sujeito, como devia, a nenhum processo de verdadeira divulgação, discussão e envolvimento dos açorianos na sua elaboração.

Entretanto, ao PDF que está na ALRAA faltam documentos obrigatórios (estudos de fundamentação, cronograma de investimentos), para já não falar que os mapas do documento (que são o "sumo" do PROTA) estão ilegíveis!

E o Governo Regional atravessou um novo limite ao querer aprovar isto assim!

Falaremos disso por aqui.

Rogério Paulo Pereira disse...

Tiago,
Não sejamos ingénuos. Não vai acontecer coisa alguma na Praia da Vitória, pelo menos se isso depender da vontade do GR.
Um novo porto comercial em PDL acredito, e a moeda de troca é uma coisa chamada Cais de Cruzeiros de Angra, que caiu aqui de pára-quedas sem que alguém a pedisse. Quer apostar?

Tiago R. disse...

mas a vantagem é essa: na Praia da Vitória a infraestrutura já existe e por isso nada custará ao Governo.

Quanto ao cais de cruzeiros, basta olhar para PDL e ver os poucos ou nenhuns resultados para a economia da Região. É importante que os terceirenses não se deixem levar nesta cantiga.

Anónimo disse...

Este senhor parece ter o complexo dos grandes grupos económicos regionais. Que se saiba o grupo Bensaude paga bem e atempadamente aos seus colaboradores e nunca ninguém viu aquele Grupo defender a baldeação de cargas na Praia da Vitória.

Informe-se primeiro antes de fazer afirmações sem qualquer fundamento

Tiago R. disse...

Não precisam de a defender publicamente: têm o Governo Regional e os socialistas anónimos para isso.

Não tenho complexo com qualquer grupo económico, mas não tenho ilusões sobre as suas prioridades e objectivos, que naturalmente não têm nada a ver com o desenvolvimento das ilhas mais pequenas.

Anónimo disse...

As ilhas mais pequenas, que tanta atenção merecem do Tiago, levaram anos e anos a apoiar a escumalha laranja que arquitectou esta autonomia centrada numa ilha só.
Nesse tempo a Terceira falava sózinha, contra as principais secretarias em S. Miguel, contra as empresas publicas todas em S. Miguel, contra uma universidade centrada em S. Miguel, contra a RTP centrada em S. Miguel.
Assim o quiseram assim o tiveram.
Amanhem-se agora.

Anónimo disse...

O cais de passageiros em Angra é fundamental para projectar a cidade nos Açores e no Atlantico.

Angra não pode ficar fora das rotas transatlanticas - que sempre as teve - e tem de se integrar nos esquemas de desenvolvimento turístico regionais, que passam pelo turismo de cruzeiro internos.

A campanha contra o cais de cruzeiros em Angra tem várias vertentes. Uma é fazer crer que o de Ponta Delgada não é rentável, afastando a concorrência.

Tiago R. disse...

Ao anónimo das 0.25h:
"escumalha" não é uma expressão aceitável neste blogue. Não a repita.
Mas sempre lhe digo que esse argumento do "antes era ainda pior" só serve para demonstrar a mediocridade e falta de visão de quem nos governa.

Quanto ao cais de passageiros em Angra tenho mesmo muitas dúvidas. Os cais de cruzeiros trazem turistas que ficam poucas horas na ilha, não dormem em hoteis, não comem em restaurantes e as compras, essas, fazem-nas nos centros comerciais que há a bordo. Creio que será apenas mais um elefante branco.
Ainda por cima parecem haver valores arqueológicos a preservar.

E sobre Ponta Delgada, não. Não é mesmo rentável.