Participando no Troféu Júlio Verne, procurando dar a volta ao mundo à vela, sem escalas, em 48 horas, os tripulantes do Groupama passaram ao largo dos Açores. Tiveram ainda tempo de escrever um belo texto apaixonado sobre o que viram. Um texto que fez mais pelo turismo açoriano do que os incontáveis milhões que o Governo Regional vai derretendo em campanhas de promoção massificadas.
É sempre interessante ver a nossa realidade pelos olhos dos que nos visitam. O que lhes interessa, o que os surpreende e o que valorizam. E a verdade é que o que impressionou os navegadores não foram os campos de golfe, os megahoteis ou as portas do mar de Ponta Delgada. As suas palavras mostram bem que a nossa riqueza, a nossa capacidade de atracção está no nosso património ambiental, na simpatia e tradições das nossas gentes e, sobretudo, no nosso oceano. Esse é o rumo.
O turismo náutico pode fornecer-nos turistas não-sazonais, com poder económico e elevada exigência. A falta de infra-estruturas adequadas nas Flores, a disparatada e minúscula "marina" das Velas de São Jorge, a reduzida dimensão da das Lajes do Pico, o desadequado equipamento de varagem em Vila do Porto, o atraso na construção da marina na Graciosa ou a opção, no Faial, de construir primeiro um cais de cruzeiros (está na moda, parece) e adiar para daqui a muito muito tempo (quanto?) a necessária ampliação da marina da Horta, são exemplos da nossa falta de visão estratégica. É nesta área que temos de concentrar esforços e investimentos. Porque quando tivermos as ilhas cobertas de hoteis, golfes e resorts, numa imitação tosca do pior do Algarve ou do sul de Espanha, que teremos para vender a quem nos visita?

1 comentário:
Agora também salta uma marina para a Graciosa... Acho que tens boa vontade ao escrever isto mas percebes pouco de mar, e isso nota-se muito. Estás a debitar conversa de outro.
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