quarta-feira, 3 de março de 2010

razões do protesto de amanhã

Quem primeiro, e bem cedinho, lá para os lados da Algarvia, chegou ao local do acidente do autocarro, na desditosa 2ª feira passada, resgatando a tempo, com vida, duas das vítimas, crianças filhas da terra? Foram os guardas florestais!

Quem, sempre brincando e com reconhecida simpatia e desvelo, está cuidando dos doentes todos os dias, hora a hora? São auxiliares e enfermeiros, no hospital!

Quem, ao longo do anos, com a paciência de um santo, cuida da alfabetização e da literacia dos filhos de cada um? Professores, pois claro!

Quem, pela noite dentro e madrugada adiante, faça sol ou chuva, frio ou vento, agarrado à vassoura ou às traseiras fedorentas dum camião, trata de juntar as porcarias, os dejectos e a lixarada que fazemos todos dias? Empregados da Câmara!

Cada um nas suas funções, todas elas públicas e essenciais!

Durante 48 anos de ditadura sempre foram os mais mal pagos.

Depois do 25 de Abril, uma significativa melhoria, devolveu-lhes, enquanto trabalhadores, a dignidade humana!

Desde 1994 os seus rendimentos líquidos voltaram a regredir. Foi contínua e acumulada a perda do seu poder de compra entre 1999 e 2009 (ano em que viram por uma única vez aumentos um pouco acima da inflação, para que, entretanto, a alta finança se banqueteasse com um brusco e premeditado descontrole do défice público).

O famigerado índice 100 já está 7% abaixo do salário mínimo, o que quer dizer que uma esmagadora percentagem de funcionários públicos recebe hoje o salário mínimo ou próximo dele.

Dizem que são demais. Deviam despedir 200 000! Mas por essa Europa, relativamente ao seu peso no conjunto da população activa (17,9%), só Espanha (17,2%) e Luxemburgo (16%) têm menos que Portugal. Por exemplo: Em França, são 24,6%; Inglaterra, 27,4 %; Bélgica, 28,8%; Suécia, 33,3%!

Dizem que os seus salários devem ser congelados um, dois ou mais anos. Alguns vão ao ponto de dizer que devem baixar…para baixar o défice da despesa pública. Não querem segurança, não querem saúde, não querem educação nem ambiente, querem é o Estado magro! Isto, não é realismo nem sentido prático, isto é ideologia (…de retrocesso, está bem de ver).

Maior rigor na eficiência da Administração Pública, sim! Redução da despesa porquê? Só 0,2%, dos 9,3% do descontrolado défice do Estado em 2009, se deve a encargos com pessoal (bastava limpar a engorda compadria dos ministérios e secretarias, para que ficasse em 0,0% o contributo dos funcionários públicos para o anunciado descalabro). Tudo o resto vem de injecções à banca privada, receitas não cobradas, evasão, fraude fiscal e mais-valias não taxadas.

Razões para uma greve, faltará alguma?
Mário Abrantes

1 comentário:

Anónimo disse...

Na Grécia, foi-se o 13º e o subsidio de férias.

Vamos todos prá greve, para ver se empinamos o que falta!