quarta-feira, 28 de abril de 2010

uma colherada

Na impossibilidade de estar presente, por motivos profissionais, no XII Congresso da Agricultura dos Açores que ontem terminou em Ponta Delgada, permitam-me meter, por esta via, uma modesta colherada no assunto…

Vem ela a propósito deste excerto (porque há outros de maior calibre ainda) de um relatório da Comissão de Agricultura e Desenvolvimento Rural do Parlamento Europeu, com data de 23 de Março passado, cujo relator foi o Eurodeputado do PS, Luís Paulo Alves, onde se dizia: ”Dado que a produção de beterraba é a melhor alternativa viável à produção de leite…é necessário oferecer aos produtores e processadores uma perspectiva a longo prazo, bem como permitir aos operadores económicos atingir um nível de actividade industrial e comercial que estabilize o ambiente económico e social nos Açores.

Se bem entendi, o que se pode traduzir daqui? À partida, parece-me óbvio que as perspectivas para a viabilização da Sinaga estão, e bem, na mira do relatório citado. No entanto essas perspectivas parecem estar enquadradas por duas estranhas condições: Que a produção e transformação de beterraba atinjam, em importância económica, a actual dimensão da agro-pecuária e da indústria de lacticínios, e que estas últimas, etiquetadas de inviáveis, sejam substituídas pelas primeiras, ou seja, estejam destinadas a desaparecer, em nome da “estabilidade económica e social” nos Açores (?).

Será necessário acrescentar mais alguma coisa a propósito do imenso campo de dúvidas que assim se deixa instalado (como aliás, com recuos e avanços, se verifica desde 1996), sobre as reais orientações do PS quando se refere à agro-pecuária como um dos pilares da economia regional?

Por maior viabilidade e dimensão que se consiga para a indústria açucareira dos Açores, e todos estamos (e sempre estivemos) pugnando ao máximo para isso, não é possível sem prejuízos económicos e sociais drásticos, tanto para lavradores como para não-lavradores, colocar a produção de beterraba a preencher o lugar de 540 milhões de litros de leite, 95 mil cabeças de gado, mais de uma dúzia de unidades fabris de transformação, e, sobretudo, de milhares de famílias directa ou indirectamente dependentes da agro-pecuária e espalhadas por todas as ilhas do Arquipélago...

Confesso que não sei bem o que estaria presente na cabeça de um homem, tradicionalmente ligado à agro-pecuária na sua vida profissional, para assinar por baixo o dito relatório. Não é, no entanto, com relatórios destes, abrindo escancaradamente a guarda do sector Agro-Pecuário regional perante a União Europeia, que se ajuda a “estabilizar o ambiente económico e social” nos Açores.

E é por causa destes e outros actos de fraqueza ou hesitações, repetidos ao longo de anos, que a segurança e o desenvolvimento estável daquilo que mais e melhor somos capazes de fazer ao nível do sector privado e cooperativo da economia regional, estão efectivamente ameaçados.

Mário Abrantes

1 comentário:

PAULO SANTOS disse...

Boas..

Abaixo assinado....eu! Subscrevo totalmente esta opinião..!

Cumptos
Paulo