terça-feira, 18 de maio de 2010

da natureza da Europa

O roubo praticado por via da especulação financeira às economias mais vulneráveis – feito a partir da dramatização artificial e selectiva dos défices públicos – é parte integrante do indisfarçável objectivo de construir os lucros do grande capital, sobre o peso crescente da exploração do trabalho e da pauperização da massa imensa de milhões de trabalhadores. A ingerência e a chantagem realizada sobre países soberanos, com a conivência dos respectivos governos, como Portugal, a Grécia e a Espanha, através da imposição de inaceitáveis condições – cortes nos salários, privatizações, aumento da idade da reforma, aumento da carga fiscal – são reveladoras da natureza de classe de que é feita a política de concentração e acumulação capitalista dirigida a partir do directório das grandes potências com destaque para a Alemanha.

excerto do Comunicado do Comité Central do PCP - 17 de Maio 2010

3 comentários:

geocrusoe disse...

É verdade que no capitalismo os especuladores procuram tirar dividendos das economias mais frágeis e não só, tal como é verdade que este modelo económico também gera injustiças.
Contudo culpar os especuladores para o estado frágil e insustentável da economia portuguesa é um argumento demasiado ligeiro.
Existem países mesmo dentro da união monetária, da dimensão de Portugal e Grécia e tão ou mais capitalistas que estes 2 que não foram atacados pelos especuladores, por possuírem economias fortes e resistentes, mesmo que politicamente esteja fragilizados como a Bélgica.
Arranjar culpados externos para o mau estado da nação ou culpar o capitalismo de todos os mal é o argumento sempre utilizado pelos que partilham o poder no primeiro caso e pelo sector BE-PCP no segundo.
Mas a situação é muito mais complexa, mesmo que a UE tenha culpas no cartório, Portugal é o maior culpado da sua desgraça e o modelo comunista não é a alternativa aos muitos erros cá cometidos, caso contrário os países de leste não estavam já em melhores condições que Portugal e o seu povo não se sentisse melhor do que no tempo de economia centralizada.

Anónimo disse...

Os comités centrais sempre foram farois do mundo.

Tiago R. disse...

Caro anónimo: Os do mundo não sei. Este, desta vez, disse algumas coisas acertadas. Experimente ler o comunicado.

Caro Geocrusuoé:
O facto é que a coesão económica e social ficou esquecida no projecto europeu, em prol da integração monetarista.
Veja a "solidariedade" europeia para com a Grécia. Aceitou salvar-lhe os bancos desde que se impusessem sacrifícios draconianos ao povo grego.
E Portugal vai pelo mesmo caminho...