terça-feira, 11 de maio de 2010

dedicado a expensas públicas


A escolha do local para uma celebração religiosa multitudionária com o Papa, foi tudo menos acidental. O Terreiro do Paço, histórica sede do poder político em Portugal, onde sucederam tantos e tantos momentos decisivos da nossa história, possui ainda uma enorme carga simbólica, que a igreja católica, nitidamente, pretende explorar a seu favor.

É, de certa forma, um insulto aos portugueses que o conceberam e que aí lutaram e viveram, sejam ele os restauradores da independência, Pombal, os revoltosos republicanos ou mesmo às chaimites de Salgueiro Maia. É, sobretudo, a negação da natureza laica do Estado Democrático e uma demonstração de força por parte da igreja. A tolerância de ponto concedida, o encerramento de escolas, os cortes de trânsito e o não disfarçado apoio estatal envergonham-nos.

Tivemos de esperar até 2010, por um governo laico e socialista e por um presidente da Câmara socialista e laico, para deixarmos assim, invadir o espaço mais simbólico da nossa República. A inscrição do arco que coroa a praça soará, hoje à tarde, como uma triste ironia: "Às Virtudes dos Maiores, para que sirva a todos de ensinamento. Dedicado a expensas públicas."

7 comentários:

Anónimo disse...

Como católico - faço parte dos 90% dos portugueses que o são - protesto veementemente contra a intolerancia deste post.

O terreiro do paço é a sala de Portugal. Os Portugueses sempre souberam receber. É nos melhores espaços que devemos receber os nossos visitantes ilustres.

Como é sabido, sempre houve dificuldades de expressão religiosa no mundo comunista. Na antiga URSS, esse baluarte da liberdade que há anos que aterrou, na cortina de ferro e na feliz Coreia do Norte de Kim Jong Il, esse farol do mundo que dá ânimo aos seguidores de Lenine.

A religião, acreditam piamente, é o ópio do povo.
E eles, os comunistas fanáticos, o que é que são?

Tiago R. disse...

Os comunistas fanáticos, como qualquer outras contradição em termos, não sei o que sejam.

Agora, católicos fanáticos, estou a aprender.

O que digo é que os outros portugueses (acha mesmo que serão só 1% que não vão à igreja?) têm direito a sentir-se ofendidos por pagarem um festival que não apreciam.

Tiago R. disse...

Ah! E quanto a ópios do povo, agora temos alguns muito mais perigosos do que o bafio das sotainas!

Anónimo disse...

A vinda de Bento XVI a Portugal é um festival?
Home, Pomordez.

E quantos festivais de qualidade duvidosa, pagamos todos?

Como Católico exijo respeito pelas minhas convicções. Por isso deixo aqui o meu mais veemente protesto pela intolerância manifestada no texto deste post.

Tiago R. disse...

Repare que nem uma vez neste post me referi a nenhum aspecto da fé católica, nem sequer falei - e podia ter falado - dos diversos escândalos que têm envolvido a igreja.

O que digo é que esta festa (se não gosta de "festival") custou ao país 37 milhões de euros por dia!

Anónimo disse...

Faça lá mas é as contas à festa do Avante.

Tiago R. disse...

Que não custa um cêntimo ao país e que não é imposta por via televisiva a todo um povo.
Percebe a diferença?