quinta-feira, 27 de maio de 2010

quando trabalhar não compensa


O sociólogo Fernando Diogo coloca hoje no DI uma questão que é normalmente esquecida nos discursos habituais sobre desemprego e desempregados. É que, na realidade, demasiadas vezes, trabalhar pura e simplesmente não compensa.

Quando comparamos os custos de transportes, refeições fora, creches e amas com o valor dos salários oferecidos, vemos que compensa muito mais continuar a receber prestações sociais, em vez de aceitar um emprego. É por isso que os recusam.

A demagogia da direita aproveita-se deste facto para proclamar que mais de 600.000 portugueses (e mais de 9.000 açorianos) são preguiçosos e mal-formados. Pessoalmente recuso-me a acreditar nisto. Ensinaram-me desde cedo, como a toda a gente, de resto, a ver o trabalho como a principal fonte de realização pessoal. Não acredito que estes desempregados (ou pelo menos a esmagadora maioria deles), não queiram um trabalho compensador que os realize.

A este problema, a direita responde com ainda maiores redução das prestações sociais, para obrigar os desempregados a aceitarem qualquer salário, por mais miserável que seja, que lhes seja oferecido. O que nos oferecem é a perspectiva de nos afastarmos ainda mais de uma sociedade que dá valor ao trabalho, que o reconhece como imprescindível e o recompensa devidamente. O que propõem é que trabalhar compense cada vez menos.

23 comentários:

*wickedlizard* disse...

Concordo plenamente com este artigo... acho uma vergonha como este pais em vez de progredir anda retrocer para traz. Acho igualmente vergonhoso, que quem esta desempregado e anda receber subsidio para tal, o governo aproveita-se disso, empregando-os e o salario em parte e pago pelo o subsidio. Nao sei se estou a falhar algo, mas, esse dinheiro nao ... See moree das nossas reformas, para a saude etc? Como o governo justifica que precise trabalhadores e andam sempre atraz do subsidiados, em vez, de treinar como deve ser alguem que fique nesse trabalho, em vez de perder tempo sempre a treinar pessoal para um tempinho temporario??? E o que ganha o subsidiado nisso? Nada. Ele sai, entra outro, porque o primeiro acabou o subsidio, e ja nao tem hipoteses de arranjar outro trabalho, porque so querem os subsidiados. E o tempo que gastou nesse trabalho, sem hipoteses tambem de arranjar porque estava em servico para o governo. Acho isto uma vergonha! Os desempregados merecam dignidade e um salario como deve ser. E nao serem tratados como uns coitados, quando o governo anda so aproveitando deles.

geocrusoe disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Tiago R. disse...

Isso será possível de provar também quando o medo deixar de imperar nesta Região.

geocrusoe disse...

Estou de acordo com a tua ideia de que "Não acredito que estes desempregados (ou pelo menos a esmagadora maioria deles), não queiram um trabalho compensador que os realize".
Que há os outros, acredito que uma minoria, há e provocam também uma injustiça que nós pagamos com os nossos impostos e importa controlar.
E pelo que vejo no dia-a-dia, suspeito ainda de outra minoria nos 9000 que é assediada para esta situação na compra de votos com o dinheiro dos nossos impostos por quem está no poder, mas isso só seria possível provar se a justiça funcionasse em Portugal.

geocrusoe disse...

Desculpa Tiago ter apagado o comentário para o corrigir no início, mas percebi que a resposta vem acima do meu comentário republicado

Anónimo disse...

Um jornal da Terceira, a este propósito titulou "Trabalha tu".

Anónimo disse...

A imprensa na Terceira, sempre foi atrevida.

Anónimo disse...

Quem, com saude e jovialidade, não trabalha, não tem direito a comer.
Já dizia meu avô, corroborado por minha avó.

Tiago R. disse...

E tinham razão. O problema é quando o que se ganha trabalhando não chega para comer.

Anónimo disse...

Pois é.
Mas mais vale umas açordas e umas sopinhas de feijão, do que dores no abdómen porque a barriga está vazia.
Não é?

Anónimo disse...

Os salários na Alemanha baixaram.
Eu não disse?
Como é que a Chanceler ia justificar, perante os seus sacrificados concidadãos, "bodos de leite" com a Grécia?

Aos poucos, vamos aprendendo.

Anónimo disse...

Sem sacrificios, não se constroiem vidas, empresas e paises.
Os Alemães no século passado, foram arrasados duas vezes.
Com trabalho, abnegação e espirito de luta colectiva, sustentam hoje meia europa.
Nós por cá já começamos na fita do custume.
Porque queremos pouco trabalho, boa vida e muita conversa.
Só que as coisas mudaram.
Os armários estão de porta aberta.
Vazios.

Anónimo disse...

Ficar sem fazer nada em casa, a viver à custa de quem desconta, é que não pode mesmo compensar.
De maneira nenhuma.
Sobretudo numa altura em que me aumentaram os impostos.

Tiago R. disse...

1º anónimo:
Mas sacrifícios para quem?
Olhe para os armários do BES, da SONAE, da EDP, da GALP, da PT, da BRISA, da Jerónimo Martins; ou cá na Região nos armários dos Bensaúde ou da EDA. Os deles não estão mesmo nada vazios!
E quanto aos alemães, pense bem: sustentam meia Europa ou exploram meia Europa?

2º anónimo:
Tem razão. Ficar em casa também não compensa. Por isso é que há cada vez mais portugueses que estão como o mexilhão!

Tiago R. disse...

Os "bodos de leite" foram para a Grécia ou para os bancos gregos?

Anónimo disse...

Tanto faz.
Se os armarios estão vazios, tanto faz terem como não terem mexilhão.
O mexilhão não multiplica pães.

Não sei se os alemães exploram ou sustentam.
É capaz de ser as duas coisas.
A verdade é que renasceram duas vezes no séc. XX. Porque sabem produzir, e por isso ganham bem e são ricos.

Tiago R. disse...

Mas olhe bem: nem todos os armários não estão vazios. Alguns estão mesmo bem recheados.

Quanto à Alemanha, tocou num ponto importante:
Talvez o facto de os empresários alemães não estarem sempre à sombra do estado, seja para o concurso público, seja para chamar a GNR quando a malta faz greve;
Talvez o facto de terem investido em produtos com elevada incorporação de tecnologia, em recursos humanos, em formação, em vez de apostar apenas baixos salários e produtos de escasso valor acrescentado;
Mas, talvez, sobretudo pelo facto de os alemães sempre terem abordado a União Europeia como um meio para defender os seus interesses nacionais, em vez de apenas se tentarem mostrar os bons alunos, mais papistas que o papa, à espera de boas carreiras internacionais, tal como Guterres ou Barroso;
Talvez estes factos expliquem alguma coisa das nossas actuais diferenças de desenvolvimento.

Anónimo disse...

A disciplina, o trabalho e o sentido do colectivo são as pedras base da conduta alemã.
O espirito liberal dos seus empresários, procurando o lucro mas apostando na formação, foi fundamental para o sucesso.

Nem os empresários alemães nem os trabalhadores alemães tolerariam por exemplo atestados médicos falsos como os que ocorrem em Portugal. Porque é um roubo para o patrão e uma desosnestidade para os colegas.
Os empresários e trabalhadores alemães nunca tolerariam um malandro na empresa, sem de mãos livres o porem no olho da rua. Porque este engana o patrão, dá mau exemplo aos colegas, e escancha-se no que os outros trabalhadores produzem.
Os empresários e os trabalhadores alemães nunca tolerariam faltas de responsabilidade, incomprimentos, faltas de pontualidade e baldas por tudo e por nada. Porque afecta a competitividade da empresa, e todos, desde o patrão à mulher das limpezas, tem obrigação de zelar para que a empresa progrida.
Quer mais?

Tiago R. disse...

Ena pá!
Os alemães são mesmo o povo perfeito e têm o país perfeito!
Porque é que desceram à terra?

Anónimo disse...

Desceram à terra, para provar que o que existia na RDA, no paraiso comunista de Honecker, não era viável e só se sustinha com a construção de muros e a custo de baioneta.
Desceram à terra, quiçá, para sustentarem malandros, que se sentem felizes de mão estendida.

Anónimo disse...

Ficar em casa a malandrar à espera de esmola pública, é que não pode, de forma nenhuma, ser compensador.

Não há emprego?
Não há dinheiro?
O estado até pode ajudar, mas só mediante contrapartidas. Limpar as ruas, mondar jardins, cuidar de crianças, tratar de velhinhos ...
É mais confortável para todos nós, que felizmente podemos dar, e mais digno para quem recebe.

Paulo Mendes disse...

Os alemães devem ser sobre-humanos, tamanha dedicação ao trabalho e com um salário mínimo de €470 auferido por uma grande parte dos trabalhadores! Informe-se, primeiro sobre o ordenado mínimo na Alemanha, a percentagem de trabalhadores que o ganham e o custo de vida.
Os alemães, depois da I Guerra Mundial foram sujeitos a salários baixos e uma inflação nunca vista e revoltaram-se, foi pena terem depositado todas as suas expectativas num salvador da pátria que os mandou para o Inferno e que arranjou um ‘bode expiatório’ para todas as suas desgraças, os judeus.
Actualmente, o povo revolta-se e parece que há quem queira impingir um ‘bode expiatório’ para o desemprego: os próprios desempregados! Que esperteza!
A solução nunca é aumentar os ordenados, mas colocar o pessoal a trabalhar em troca do próprio subsídio de desemprego, o qual é auferido, não por especial favor, mas por quem, agora, desempregado, outrora, quando empregado, descontou do seu próprio vencimento.
A solução é mandar as crianças e idosos trabalhar! Pois, andam a ‘roubar’, em média, €78 por mês de RSI!
Devemos é seguir o exemplo dos nossos empresários!
Já que gostam de seguir o exemplo alemão. Então expliquem-me, como é possível que, em média, um gestor alemão receba 10 vezes mais do que um trabalhador alemão com o salário mais baixo da sua empresa, o britânico 14 e o português 32?! E que segundo, um estudo da Mckinsey, Portugal tem os piores gestores. E depois, ainda têm a lata de defenderem os salários e prémios dos nossos gestores, com a desculpa de que se não forem bem pagos podem fugir para o estrangeiro!
Continuem distraídos com as migalhas que alguém vai ao «bodo de leite»!
Preocupam-se com o festim de 19 milhões de euros distribuídos por 20.000 pessoas (valor investido no RSI na Região e n.º de beneficiários do RSI nos Açores), mas não se preocupam com o festim e 18 milhões de euros distribuídos por 22 pessoas (valor dos vencimentos e prémios dos principais gestores públicos, de empresas participadas e entidades reguladoras)!

Anónimo disse...

O senhor de cima tem alguma razão. Mas não tem toda.
É incompreensível que gestores de empresas públicas ganhem mundos e fundos. Há que encontrar um equilibrio. Se por um lado estamos em crise, por outro o privado oferece-lhes mais. E se queremos bom, temos de pagar.
Quanto ao resto reafirmo o que disse.
Não é altura de ter gente parada em casa a comer à custa dos impostos que os outros pagam.
Não é justo que os que trabalham sustentem uma catrefa fadanga que se contenta na vida em andar de mão estendida.
Não está certo um partido que se diz ao lado dos trabalhadores, tomar posições favoráveis a quem os explora, ou seja, a quem vive à custa do trabalho dos outros.