segunda-feira, 3 de maio de 2010

que fazer com esta liberdade?


Faz sentido assinalá-lo, por esse mundo fora, em nome dos muitos jornalistas presos, assassinados, exilados ou pura e simplesmente silenciados por esse mundo fora. E, afinal, são mesmo muitos mais do que julgaríamos possível na nossa época.

Mas faz sentido, também, assinalá-lo nos Açores onde a liberdade de imprensa continua a sofrer outro tipo de atropelos. Porventura mais subtis, mas igualmente reais e impositivos.

Porque somos uma Região onde a autocensura existe. Onde jornalistas que escrevem notícias que desagradam ao poder instituído, são obrigados por directores solícitos a pedir humildes desculpas aos governantes, onde se receia "o furo" e a opinião de ruptura. Somos uma Região onde se saneiam colunistas por opiniões políticas perante o silêncio geral. Somos uma Região onde o Governo aceita que se legisle sobre a publicidade institucional, desde que essa legislação não abranja as empresas públicas, que são os únicos anunciantes com peso, porque querem poder continuar a condicionar a sobrevivência e a modelar a opinião dos órgãos de comunicação social. Somos uma Região onde grande parte dos jornalistas é precário, ou mesmo part-time e onde as decisões editoriais são cuidadosamente centralizadas em Ponta Delgada, ou mais longe ainda. Somos uma Região pequena, onde toda a gente se conhece, feita de meios pequenos, que não convidam nem recompensam jornais e jornalistas incómodos.

Também nos Açores faz todo o sentido assinalar o Dia Mundial da Liberdade de imprensa porque ainda somos uma Região onde a verdade tem um preço.

29 comentários:

Anónimo disse...

Se o poder controla a imprensa, a oposição também o faz.

Há jornais nos Açores, claramente travestidos de independentes, que tem patronos politicos escamoteados. As impressões digitais estaõ lá, em cada noticia que debitam.

Alberto Freitas disse...

Meu caro Tiago,
Perde toda a razão quando confunde "notícias que desagradam ao poder" com notícias que falseiam acontecimentos, descontextualizam afirmações ou acabam por ser panfletos em lugar de textos jornalísticos.
Sou jornalista e não conheço NENHUM caso do género dos que diz terem acontecido.
Vejo e ouço, sim, quase todos os dias, exemplos de péssimo jornalismo, que envergonham os bons profissionais que temos nos Açores.
Finalmente, julgo que o seu "post" acaba mesmo por ser insultuoso para os verdadeiros jornalistas açorianos.

Tiago R. disse...

Caro anónimo:
Tem toda a razão. Há nos açores jornais que têm patronos políticos. Podia até citar exemplos de alguns que selimitam a transcrever notícias do GACS e mais nada.

Caro Alberto:
Há maus jornais e maus jornalistas? Há sim senhor.
Mas podia citar-lhe exemplos reais para cada uma das minhas afirmações. Se não conhece os casos, lamento dizer-lhe que anda mal informado.

Alberto Freitas disse...

Estou à espera.
Avance lá com esses casos...

Tiago R. disse...

Isso queria você! Não tenho espírito de delator para andar a queimar colegas seus.
Se é jornalista, informe-se e escreva a verdade.

Anónimo disse...

Há anos atrás eu lia o Pravda, esse famoso icone das verdades mundiais.

A propósito.

A reacção continua a dizer mentiras, para desacreditar a revolução: Kim Jong Il, grande líder das massas operárias, educador dos povos e libertador do proletariado, andou pela capital da China em hoteis de cinco estrelas e fez-se deslocar de limosine!
Pobres Norte Coreanos que ressecam de fome e trilitam de frio.

Tiago R. disse...

A propósito de quê???

Anónimo disse...

A propósito: será que o Pravda, esse fiel farol do povo, ainda se publica?

Tiago R. disse...

Já que falamos de história: E a real mesa censória, ainda existe?

Anónimo disse...

Ouvir comunistas a falar de "liberdade de imprensa" é digestivo!

Tiago R. disse...

Quanto aos anónimos emcapotados na sombre a conspirarem contra ela, por muito velho que seja o hábito, nunca o consigo digerir.

Alberto Freitas disse...

Bem me parecia que Tiago R. era mais um dos que propalam o "diz que disse" sem ter qualquer facto concreto que sustente o que espalha.
Enfim, a receita é velha de muitos anos. Tantos que, diga-se em abono da verdade, recua a tempos muito anteriores aos do bolchevismo de que aqui têm acusado o Tiago de ser prosélito entusiasta (com razão, com razão...).
Mas, sejamos pacientes com Tiago R.: é demasiado jovem para interiorizar certas coisas, a começar pela absoluta necessidade de não cair em situações para lhe darmos alguma credibilidade.

Tiago R. disse...

Faça isso: menospreze-me. Vantagem para mim.
Porque, afinal, de contestar o que digo, desistiu completamente. Tudo bem! ;)

Anónimo disse...

A noticia da morte de Leonidas Bresnev, dada pelo farol da verdade Pravda, ocorreu quinze dias depois deste expirar.

Era assim no paraíso do marxismo leninismo.

Anónimo disse...

Cada um escolhe a verdade que quer.
Quem lê o Avante e o Pravda ou fia-se na agência noticiosa da Coreia do NOrte quer as noticias que lhe vendem.

Tiago R. disse...

1º anónimo:
Nós, por cá, tivemos todas as televisões a repetirem-nos até à exaustão que havia armas de destruição maciça no Iraque. Lembra-se?

2º Anónimo:
"Cada um escolhe a verdade que quer". Pois é justamente sobre essa liberdade que falo neste post. E que vai faltando nos Açores: pluralismo.

Anónimo disse...

Exato.
O Tiago, por exemplo, prefere as amplas liberdades do Pravda, do Avante, da agencia oficial cubana e do canal único da Coreia do Norte.
Tem todo o direito e toda a liberdade de escolher.

Anónimo disse...

O que certamente ninguém quer é ficar-se apenas pelo canal único Norte Coreano, pelas irredutiveis verdades do Pravda, pelos panfletos do Avante e pelas doiduras caribenhas da agência Cubana.
A diferença está aí.

Tiago R. disse...

1º Anónimo:
Dispenso que ande a tentar colocar opiniões na minha boca. Já tenho muitas.
Registo que faz todos os ziguezagues possíveis para não falar nos Açores. Não é surpeendente. O PS Açores costuma fazer isso.

2º Anónimo:
O que certamente nunguém quer também é ficar-se só pelas notícias do GACS, como acontece nalguns jornais da nossa Região.

Anónimo disse...

Os comunistas vivem hoje um dilema existencial, claramente evidenciado nesta longa discussão.
Se, por um lado, afirmam ser marxistas leninistas, apoiando actividades sociais nesse sentido, por outro, reconhecem o falhanço do sistema sovietico, a doidura dos maoistas e o terror ditatorial cubano e na Coreia do Norte.

Não lhes invejo a sorte.

Tiago R. disse...

Para nos invejar teria de perceber alguma coisa do que está a dizer, o que nitidamente não é o caso...

Anónimo disse...

Com quem como eu, apanhou o auge soviético, o terror da cortina de ferro, as diatribes chinesas e, cá em casa, a doidura gonçalvista, prec e a propaganda comunista abrilina, sabe do que é que eu estou a falar.

Nunca mais!

Tiago R. disse...

Foi o gonçalvismo que criou coisas tão odiosas como o salário mínimo, os subsídios de férias e de natal e mesmo as pensões de sobrevivência.
Você não esquece isso.
O Povo português também não.

Anónimo disse...

A doidura da ditadura gonçalvista ia rebentando com isto tudo.

Tiago R. disse...

Olhe que não é por repetir disparates eles que eles se tornam verdade.
Pense sobre o que diz.

Anónimo disse...

Quais disparates?
As doiduras do camarada Vasco?
As touradas angolanas de Rosa Coutinho?
O COPCON de Otelo, que queria por "toda a reacção" no Campo Pequeno?

Tiago R. disse...

Quais "doiduras"?
Quais touradas?
Se o COPCOn quisesse pôr a reacção no Campo Pequeno, tê-lo iam feito.
Devia falar mais do que sabe...

Anónimo disse...

Angra do Heroísmo.
Agosto de 1975.
Tarde quente.

Depois de se terem reunido na fábrica de leite, os lavradores descem à cidade.
Furiosos.
Andavam há meses os comunistas a falar em nome deles.
Passaram pelo Rádio Clube de Angra e ocuparam-no: nem mais um noticiário da emissora nacional e do Rádio Clube Português, dominados na altura pelos comunistas. Escolheu-se a voz da Alemanha, como fonte de informação a retransmitir.
Seguiram para a Rua do Rego.
Primeiro na sede do MES e depois na do PCP.

Tiago R. disse...

Você está a ficar nostálgico, hein? ;)

Vá olhando para o passado e deixe-nos a nós olharpara o futuro. É o que fazemos.