quarta-feira, 21 de julho de 2010

Muita roqueira...

Estou-me a referir às arremetidas de uma carinha laroca que, da oposição partidária, assomou recentemente à ribalta de topo como muleta das políticas socráticas de combate à crise: Passos Coelho!

Não levou, no entanto, muito tempo para se descobrir que a sua pretensa política salvadora do país não passa, afinal, de um buraco de todo o tamanho.

E senão, vejamos:

Enquanto Sócrates, em nome de interesses profundamente discutíveis, combate a crise com mais crise e, paulatinamente afunda o país com medidas económicas e sociais progressivamente mais restritivas, aparece-nos este rapazinho cheio de novidades esperançosas para as angustiadas vítimas dessas medidas. E quais são as boas novas? Garantir ao país que, em matéria de política económica e social não há nada mais a fazer senão apoiar e co-patrocinar as políticas restritivas e anti-sociais do Governo PS…

Devemos no entanto reconhecer que, apesar de tão novinho e aparentemente naífe na politiquice, esta pulga já tem catarro e pretensões a jogador experimentado na arte do chico-espertismo politólogo, esforçando-se por ir mais longe. Vai daí e, ignorando ostensivamente todo o trabalho feito até à presente data, nesse sentido, por alguns dos seus colegas de partido, com especial destaque para João Jardim, “descobriu” que, para passar de muleta a actor principal das políticas restritivas, o caminho é (e eis a grande boa nova) a revisão da Constituição da República (?)

Dito e feito, em jeito de aperitivo, começa logo por recuar 36 anos e ressuscitar a figura das “Ilhas Adjacentes”, através da instituição de um Ministro da República para todas elas…

Para que a impotência (voluntária?) em combater verdadeiramente a crise e mudar de políticas, não esbarre com seu desejo de obter votos para liderar o governo em Portugal, imaginou que a poção mágica mais indicada seria oficializar a crise por tempo indeterminado, isto é, transformar em oficial (constitucional) o que é hoje, por práticas sucessivas, um status quo de inconstitucionalidades tendenciais.

Acabar com a Escola Pública (Sócrates fecha, Coelho publica!), com o Serviço Público de Saúde (Sócrates privatiza, Coelho publica!), com os Direitos Laborais (Sócrates ataca, Coelho publica!), e por aí adiante…

Nem papão é! Enganador? Certamente! Pois sabe que não tem força para alcançar sozinho (ou mesmo com o CDS) aquilo que apresenta aos portugueses como o seu grande objectivo.

Tal como ignorou ostensivamente o anterior e insistente trabalho desenvolvido até hoje pelos seus colegas de partido, para subverterem a Constituição Portuguesa, também e logo de seguida se faz distraído a propósito da inutilidade e inconsequência sucessivos a que esse trabalho tem (sempre) sido votado ao longo do tempo...

É muita roqueira para festa nenhuma!

Mário Abrantes

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