terça-feira, 27 de julho de 2010

stress patriótico

Depois da euforia patriótica sobre os excelentes resultados da banca nacional nos testes de stress, começam a surgir as primeiras dúvidas sobre a sua validade e resultado prático (ver aqui, aqui e aqui).

Foi chocante a leviandade com que os principais média (referência incluídos) trataram este assunto. A avaliação da solidez financeira das instituições é um assunto muito mais complexo do que um simples rating com vencedores e vencidos. Mas, a euforia patriótica invadiu as redacções e o que vemos, ouvimos e lemos (e não pudémos ignorar) foram as loas à ditosa pátria que bancos tão sólidos tem.

Esta postura generalizada mostra-nos bem como o pensamento único se difunde e a dimensão do fenómeno de contaminação de opinião entre os meios de comunicação. Entre dezenas (centenas?) de títulos, todos se limitaram a repetir a mesma coisa, sem preocupação de aprofundar o conteúdo da notícia ou de lhe dar outra abordagem.

A noção de que os portugueses estão fartos de más notícias deverá ter pesado alguma coisa nesta opção. Aliás, sobre a "crise" esta é uma atitude recorrente: a crise é frequentemente abordada como uma fatalidade, uma catástrofe natural, uma tempestade que se espera que passe, associada a um empolamento por vezes pouco avisado de todas as résteas de esperança que possam surgir no horizonte. Como se o papel dos média fosse o de dar sobretudo boas notícias e de tentar ignorar os medos que a situação nos causa a todos. Profissionais da informação incluídos.

2 comentários:

geocrusoe disse...

Compreendo as dúvidas dos resultados e a questão da euforia patriótica que, por copianço entre OCS ou necessidade pode mascarar a realidade.
Ficou-me uma dúvida: preferia o sistema bancário nacional com bons resultados ou agradar-lhe-ia também ser questionada a sua resistência, como deduzi de um discurso de Louçã?

Tiago R. disse...

Preferia que me tentassem honestamente informar sobre o que foram os testes, o que é que "mediram" e para que é que serviram, em vez de muitos pontos de exclamação para me tentar convencer que é muito bom para os portugueses que os bancos tenham tido uma boa nota não se percebe bem no quê...