segunda-feira, 13 de setembro de 2010

23.000


Em situação de crise, a maioria dos patrões portugueses são pouco criativos: primeiro deixam de pagar as contribuições dos trabalhadores para a Segurança Social (que assim ficam sem baixas nem subsídios) e depois são mesmo os salários que ficam por pagar.

Mas não são só empresas em "estado terminal", muitas delas apresentam balanços bem positivos. E não são só longos períodos sem salários, são horas extraordinárias que ficaram por pagar, diuturnidades esquecidas, subsídios de férias retidos e um sem número de outros expedientes. Todos conhecemos múltiplos casos e histórias, apesar de que o que normalmente lemos nos jornais são histórias de trabalhadores absentistas e pouco produtivos, únicos responsáveis do atraso do país. Pois... Parece que a realidade tem pouco a ver com as notícias.

Para quem depende do seu salário do mês que vem para sobreviver, a situação não é muito diferente da escravatura. Estamos perante a impune, sistemática e descontraída violação da base do contrato social que nos une enquanto colectividade humana: o trabalho e o seu valor como única via de criação de riqueza e de realização pessoal e social. Sem isto, que resta desta sociedade?

Sem comentários: