quarta-feira, 15 de setembro de 2010

as duas maravilhas

Não, não! Não me refiro à Montanha do Pico ou à Lagoa das Sete Cidades, refiro-me a dois excelentes e ciosos promotores de espectáculos em que cada um se esforça por dar lições ao outro sobre a melhor forma de os realizar ou sobre o maior ou menor desperdício dos gastos neles consumidos.

1ª Maravilha - “O meu espectáculo é que é fino e promove os Açores. E tu vens a correr para as filas da frente. O teu, são apenas tascas! E, com isso, gastas p’ra caramba e não pagas quatro milhões aos fornecedores…”
(para mim e para os que por cá andam, com excepção de uns tantos convidados, é que não houve “7 maravilhas” que chegassem. Deve ter sido para preservar a igualdade com os outros portugueses, que apenas as puderam ver nos ecrãs...apesar do espectáculo ser pago por todos nós e de a sua realização se efectuar num local eminentemente público!).

2ª Maravilha - “O meu é que é bom. O Campo de S. Francisco é a cidade da juventude e tu é que gastas 1,5 milhões numa noite…”
(apesar de uns copos a mais pelos serões adentro, uns comerciantes meio aflitos, e uns vizinhos com menos descanso nocturno).

Diga-se que à volta destas iniciativas fica por fazer o real balanço entre os aspectos positivos e os negativos, bem como a análise da “rentabilidade promocional” dos respectivos custos. Na certeza porém de que é às nossas algibeiras que estas duas Maravilhas recorrem para os suportar...

Não pretendendo, por ora, fazer esses cálculos, gostaria de referir-me antes a um outro aspecto da questão. Estou convicto que ambas as citadas Maravilhas conseguem fazer melhor do que este outro espectáculo, do qual não foram os promotores, mas estão sendo sim os protagonistas: O deseducativo espectáculo politiqueiro, para consumo interno de açorianos nas 9 ilhas, do mais pobre e rasteirinho que se poderia imaginar.

Nos Açores não há problemas! As grandes divergências auto-apregoadas entre os partidos mais votados (PS e PSD) resumem-se à melhor ou pior capacidade de cada um dos respectivos dirigentes para organizar eventos, gastando do erário público o que podem, e o que não podem, para os concretizar…

Embora com temática de fundo um pouco menos pimba, lamentável é também, a propósito da sua arremetida contra a Constituição, o espectáculo nacional de um Passos Coelho “convertido” em Passos Caranguejo, sempre afiançado num protagonismo liberalizante cujo espaço já Sócrates afinal ocupa desde o anterior mandato como primeiro-ministro. Azar o seu! Nem sequer o Presidente da República ou o constitucionalista da mesma área política - Jorge Miranda, manifestaram grande crédito a essa tão desajeitada empreitada. Do outro lado, armando-se em opositor, acena Sócrates com um orçamento de estado muito pouco social. Um orçamento não só restritivo como agora também anti-República, porque, com o patrocínio de Durão Barroso (e o ministro português das finanças, estrategicamente ausente em terras da China), foi anunciado que tal documento deverá passar a ser submetido à fiscalização prévia de Bruxelas, antes de ser apreciado pelo parlamento português.

Neste ano centenário, António José de Almeida ou Teófilo Braga, se acordassem do sono eterno, corariam certamente de vergonha perante o estado sanitário deplorável com que se lhes apresentaria a República pela qual tanto se afoitaram…
Mário Abrantes

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