segunda-feira, 27 de setembro de 2010

papás e cristãos-novos

O infelicíssimo discurso de Berta Cabral mostra bem a forma possessiva e instrumental como o PSD olha para a Autonomia.

Dizer que "o PSD é o pai da Autonomia", para além de ser um perigoso revisionismo histórico, demonstra que o que preocupa o PSD não é o desenvolvimento do arquipélago ou o aprofundamento da Autonomia, mas apenas os ganhos políticos que conseguir retirar da bandeira azul e branca. Nada que não tivéssemos já percebido...

Quanto a chamar "cristãos-novos da Autonomia" ao PS demonstra um arcaico preconceito que pensava que já não existisse em Portugal e, sobretudo, uma enorme, enorme, falta de gosto. É que assim, a Dra. Berta Cabral arrisca-se a que, em 2012, o auto-de-fé seja apenas o da sua liderança.

12 comentários:

JNAS disse...

Caro Tiago,

Não tenho o tempo que gostaria para um comment mais longo mas agradeço a oportunidade da caixa de comentários aberta num tempo em que cada vez mais a blogoesfera se escuda ao contraditório. Não há qualquer revisionismo histórico mas há imensa hipocrisia do PS ao querer fazer passar a ideia de que a autonomia começou em 96 !!! Eles que até repudiaram os símbolos regionais e se pudessem tinham ido mais longe. Ainda bem que arrepiaram caminho. Assim como todas aquelas forças de esquerda mais dura, e os conservadores do costume, que nunca perceberam que se não fosse o alevante do 6 de Junho estavamos ao nível de trás os montes. Factos são factos e o PPD/PSD é efectivamente o fundador da Autonomia dos Açores e da Madeira ainda bem que há quem se tenha juntado a essa missão ... que, quanto a mim, ainda não acabou.
Saudações Açorianas,
JNAS

Tiago R. disse...

Passando ao lado da absoluta inutilidade dessa discussão, vale a pena dizer que os fundadores da Autonomia são os partidos que a consagraram na Constituição de 76 e, embora o PSD, a tenha aprovado, não foi, de facto, o seu principal obreiro. Pelo contrário tudo tem feito (e faz) para afastar cada vez mais o texto constitucional do seu espírito originário.

Anónimo disse...

Passa fora!

Os grandes inspiradores da autonomia foram TODOS os Açorianos.
Da esquerda à direita.

Ao JNAS.
Sempre abominei a prepotencia dos terratenentes micaelenses que nos queriam vender ao estrangeiro no 6 de Junho.
"Aquilo" teve alguma coisa a ver com a autonomia?
Onde andava o JNAS nessa altura? Lembra-se porventura dos dias de terror que se sucederam após essa data para muitos açorianos, mais autonomistas do que muitos que hoje por aí se clamam?

A Drª Berta Cabral, para além de prepotente, é injusta nas suas palavras.
E isso não pode ser perdoável.

JNAS disse...

Recomendo que façam alguma história intelectualmente honesta...a começar por juntar a circunstância causal de a Autonomia surgir em 76 só depois da sublevação de 75.Coincidência não ? Por onde andavam vocês nessa altura ? Esqueceram a deriva totalitária dos Otelos e demais comandita ??? Seriam eles que nos dariam a Autonomia ??? Só mesmo para quem acredita no pai natal o que se desculpa num iletrado mas não num ilustrado.
JNAS

Anónimo disse...

O 6 de Junho não passou dum espirro localizado dos terratenentes micaelenses.
Foi um movimento que não teve qualquer repercursão noutras ilhas.

Depois do 6 de Junho viveram-se dias muito dificeis em S. Miguel. A intolerância, a prepotencia, a mordaça às liberdades de cada um foram uma constante.
Eram os piquetes de rua.
Eram os controlos de viaturas.
Eram as célebres tareias nos comunistas.
Eram as "expulsões" de açorianos, que pela forma como pensavam, eram metidos em aviões para o continente.
Eram açorianos a quem ocupavam e queimavam casas.

Isto orgulha alguém?

A autonomia, meu caro JNAS, teve um alicerce muito mais seguro.

Primeiro porque os Açores não são só S. Miguel.
Segundo porque as liberdades foram restabelecidas e criou-se espaço para todos.
Terceiro porque do Corvo a Santa Maria o povo Açoriano fez seu o projecto autonómico, baseado na solidariedade, na partilha e num destino comum.

Ninguém é dono da autonomia.
A autonomia é de todos.

Não há aqui autonomistas de primeira - os micaelenses ou os laranjas de Berta Cabral - nem de segunda - os cristãos novos e os das outras ilhas.

A Drª Berta Cabral foi infeliz nesta intervenção. Mostrou ser sectária, como se uma parte (a dela) fosse dona da verdade e mais pura do que a outra, e desrespeitou os açorianos no sentido mais lato do termo.

JNAS disse...

Depois do 6 de Junho vieram os presos políticos que gritaram INDEPENDÊNCIA. Foram estes os dias dificeis que eu vivi com o meu Pai preso a meio da noite de G3 em punho à conta do mando proto-comunizante de Lisboa...e ele, infelizmente para os herdeiros, não era "terratenente" apenas quis, como muitos, o melhor para a sua terra. Presumindo que ambos também queremos o melhor para os Açores fico por aqui com uma saudação Açoriana pois tenho que ir bulir pois não sou bolseiro.
JNAS

Tiago R. disse...

Meus caros:

Muito obrigado pelos vossos comentários que enriquecem este blogue.

Já que estamos a puxar por pergaminhos, só queria dizer que a perspectiva de uma autonomia para as regiões insulares faz parte das propostas do PCP desde muioto antes da constituição de 1976. É ver os documentos do VII Congresso (extraordinário) de Outubro de 1974. Já nessa altura o PCP o defendia.

Anónimo disse...

..isto de ser Açoriano é de facto um fardo muito grande!
Primeiro, dos "agora" chamados de políticos só querem os melhores tachos, sim porque na hora de dar a cara pelo que foi a luta pela "autonomia" muitos deles fugiram para bem longe, mas agora aparecem como salvadores da "NAÇÃO AÇORIANA".
Segundo, de todos os comentários aqui e não só, postados o que mais me entristece é o facto de nos Açores, terra tão pequena mas de um coração enorme, ainda haver quem faça vida e ganhe muito dinheiro com isso, (leia-se, políticos) que em nome de uma lealdade/amor/patriotismo/ou-o-raio-que-os-parta, se auto proclamam de pais ou inventores do que de bom se conseguiu para a nossa terra, quando tudo quanto correu de mal ou o mal que aos Açorianos todos os dias é feito, é culpa do "outro"...!

Se tiverem juízo e bom senso no fim serão os Açores a ganhar, caso contrário nas vossas "lápides" só se irá ler "aquele que ajudou a matar a sua terra"...!

Cumptos
Paulo Santos

Tiago R. disse...

Quando oiço essa de que "os políticos são todos iguais" fico com vontade de dizer que os comentadores também!

Anónimo disse...

Carissimo Tiago

Os politicos nos Açores não são todos iguais.
Há gente séria na posição e gente séria na oposição.
Há gente séria no governo, basta reparar-mos nas posturas, e há também gente menos séria.
Há gente séria na oposição, que acredita no seu projecto, e há quem queira servir-se, de forma pouco séria.

Querem nomes?

Anónimo disse...

Na oposição gosto do Dr. Anibal Pires, gosto do Dr. Costa Pereira e do Dr. Garcia e gosto do Dr. Medina.
Na posição gosto do Dr. Helder Fialho e do Dr. Bradford e, como professor, admiro a Drª Lina Mendes.

Anónimo disse...

Boas...
(tiago r.) Bem podes dizer o que te apetece, uma das virtudes que aqui encontras é que ninguém te puxa o braço ou te obriga a dizer ou fazer nada que não tenhas disposição para o fazer... enquanto que na politica, isso não é verdade! Não gostastes do meu comentário, aceito, tás á vontade para criticares ou opinares diferente, tal como eu em relação aos políticos....! A franqueza pode magoar, mas também só se pica que tem agulhas..!
Cumptos
Paulo Santos