quarta-feira, 27 de outubro de 2010

bruxarias da época

Pelos vistos, ultimamente, não passa uma semana em que esta gente não trompique nos próprios pés. Não sei se por causa da época de bruxedo em que a democracia parece andar envolvida, se bloqueados pela falta de luz ao fim do túnel, se por ralharem sem razão numa casa onde os papás (ex-desavindos) já se entenderam para tirar o pão…

Cumulativamente com a data do corte da República nos abonos de família a 8 575 crianças e jovens açorianos e o corte nas comparticipações dos medicamentos, Miguel Correia, o Secretário Regional da Saúde, informou os açorianos que, por sugestão das próprias administrações hospitalares, o Governo resolveu, a partir de 1 de Novembro, cortar o horário de atendimento das urgências pediátricas. De imediato o corpo hospitalar desmentiu o governante dizendo de viva voz que nunca acordara tal desiderato. Alguém estava a mentir portanto!

César, contornando convenientemente a questão, resolveu célere o assunto deitando mais gasolina para o lume. Com ar ameaçador e as sílabas marteladas avisou, para quem o quisesse ouvir, que “não há sectores intocáveis!” E eu que o ouvi, pensei: Estou de acordo! Tal como para outras áreas, para a administração política da saúde pública, não há sectores intocáveis, isto, claro, na mira de melhorar a qualidade da prestação dos serviços (supunha eu...). Ora, segundo o corpo hospitalar e ao contrário do que afirmou o Secretário Regional, não é este o caso. Além disso o que parece também, é existir aqui uma manifesta falta de diálogo com os agentes da saúde pública, sendo essa falta substituída por indisfarçáveis e lamentáveis tiques de autoritarismo da parte do Governo.

Para quem afirma publicamente reconhecer os efeitos sociais nefastos das medidas previstas do orçamento de Estado, cozinhadas entre PS e PSD, além de ficar mal não subscrever tal crítica quando ela é apresentada no Parlamento Regional, mais mal fica ainda acrescentar, por sua lavra e para consumo específico dos açorianos, outras medidas com efeitos potencialmente perniciosos!

Entretanto, do outro lado das famílias desavindas, na passada 2ª feira, a líder do PSD atirava-se de cabeça ao Governo Regional, numa reunião com a Associação de Industriais da Construção Civil e Obras Públicas, afirmando com toda a convicção do mundo que “importa não ter apenas verbas inscritas no Orçamento. Importa sim lançar as obras, executá-las…”!

Três dias antes, na reunião do Conselho Municipal de Educação, a Presidente da Câmara de Ponta Delgada, mostrando ao Governo como se deve fazer, anunciava que a autarquia tem “concluídos ou em fase de conclusão projectos de requalificação e ampliação de seis escolas de Ponta Delgada…”. Ora, das escolas então citadas, vem ao caso uma, a do Ramalho, que tem as verbas de requalificação inscritas no Orçamento do Município pelo menos desde Janeiro de 2009. Nesse mesmo mês, a Câmara anunciava que se preparava para intervir na sua beneficiação/ampliação com obras no valor de 800.000 euros. Estamos em finais de Outubro de 2010 e a única verdade testemunhável sobre estas obras é que elas permanecem…inscritas no Orçamento!

Serei eu que estou baralhado e, por bruxaria da época, a escola ficou pronta e eu fiquei cego? Ou a líder do PSD e a Presidente da Câmara de Ponta Delgada deixaram de ser a mesma pessoa?

Mário Abrantes

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