sexta-feira, 5 de novembro de 2010

not made in china

As declarações dos que tentam culpar a nossa actual crise por causa do crescimento da República Popular da China são de uma enorme hipocrisía.

Porque são, em boa parte, os capitalistas ocidentais a transferirem para aí as suas fábricas e negócios. E também os portugueses, como a CIMPOR que acaba de investir mais de 100 milhões de euros numa nova unidade em território chinês.

A divisão mundial do trabalho (e da riqueza que só ele gera), na qual a nossa fatia crescentemente se reduz, é a consequência lógica da liberdade de circulação de capitais privados, que, de forma anárquica, percorrem o planeta em busca do lucro mais alto, sem qualquer consideração sobre os impactos sociais e económicos das suas deslocalizações.

O nosso problema não é o crescimento chinês, mas um sistema financeiro mundial que permite que os capitais não sejam utilizados para o desenvolvimento específico de cada uma das partes do mundo, mas circulem beduinamente em busca das melhores remunerações. E, este sistema, não foram os chineses a inventá-lo. Limitam-se, ao contrário de Portugal, a utilizá-lo eficientemente.

2 comentários:

Tiago R. disse...

Já sei que os habituais comentadores me virão à carga com as declarações costumeiras, lidas de través num qualquer cabeçalho de jornal, sobre os direitos humanos na China e a posição do PCP. Por isso, esclareço desde já a minha posição pessoal:

Não concordo, nunca concordei e é muito duvidoso que algum dia venha a concordar com qualquer tentativa de importação do modelo político, social e económico chinês para Portugal. Reconheço que esse sistema permitiu fazer face a problemas altamente complexos, como as grandes fomes cíclicas e permanentes dos tempos coloniais, mas questiono-me em que medida o pesadíssimo centralismo político, agora aliado a uma crescente desigualdade social, não estará a matar a perspectiva de construção de uma sociedade próspera, equilibrada e, ainda mais importante, que garanta um conjunto alargado de liberdades aos seus cidadãos. Penso, em última instância, que esta é uma resposta que compete aos chineses dar. Não tenho a arrogância de pretender dizer a um bilião de pessoas o que é que hão de fazer.

Anónimo disse...

É verdade babes a maior empresa de contentores de transporte maritimo é uma parceria entre a grande COSCO Chinoca e a grande MSC Suiça com sede em
Genebra; tão democráticos e ecológicos que eles são!