sexta-feira, 29 de outubro de 2010

tomem lá uma aspirina

Tentanto que o seu indisfarçável acordo com as medidas de austeridade de José Sócrates passe despercebido, o Governo Regional lá anuncia umas medidas paliativas de pequena monta para tentar almofadar a situação social nos Açores.

Os cortes no abono de família atingem milhares de famílias açorianas e as reduções no Rendimento Social de Inserção vão ser na ordem dos 20%. Um rombo monstruoso nos frágeis orçamentos dos mais carenciados. É claro que é positivo que se tente minimizar o impacto dos cortes nas prestações sociais. Mas é hipócrita fazê-lo ao mesmo tempo que se recusa criticá-los. E foi essa a atitude do PS Açores quando recusou a proposta do PCP para que, no Orçamento de Estado (se vier a existir), essas medidas não se concretizassem.

Este é o drama do PS Açores: como manter um ar simpático, vagamente de esquerda, ao mesmo tempo que se empurram os mais pobres dos pobres açorianos para uma miséria ainda mais profunda? Perante a gravidade terminal da doença, o PS Açores acena com aspirinas.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

antigamente chamava-se Europa


A utopia europeísta dos fundadores da comunidade está reduzida a isto: ao mais vil e pragmático monetarismo. E era perfeitamente expectável que assim fosse. A opção por avançar para o Euro "a toda a força", sem antes criar uma verdadeira coesão económica e social no continente, ía forçosamente trazer-nos a este ponto em que a debilitada economia de vários membros da União ameaça a solidez da moeda comum, que os restantes membros querem manter a todo o custo.

Sobretudo ficou por resolver o principal problema que a união pretendia resolver: criar as condições para transformar as nações que sempre se guerrearam e dominaram umas às outras, em parceiros de negócios, partilhando um destino comum. Pelo contrário, parece que cada vez mais assistimos à criação do sonho hitleriano do "Grossesdeutsches Reich", hierarquizando as nações europeias sob a batuta do estado director. E para tornar a analogia ainda mais clara, aí está a proposta de retirar o direito de voto aos países que não cumpram as respectivas metas de défice. Com a Alemanha e a França a tomarem à parte as decisões fundamentais sobre os destinos da união.

Perante isto, estamos já, de forma absolutamente clara, no campo de uma estrutura de estado colonial. Com ou sem independência simbólica (que é a única que ainda temos). O sonho europeu de uma associação de parceiros livres está oficialmente morto. Mas o seu cadáver começa mesmo a cheirar mal.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

açorianidade viva

É mais do que um prazer assinalar aqui o brilhantíssimo artigo de Antonieta Costa, "Açorianidade revisitada", que em boa hora o Jornal Diário disponibilizou integralmente.

Revisitando os mitos que compõem o fundo do nosso inconsciente comum, Antonieta Costa reconstitui, com sobriedade, o difícil e complexo caminho da construção das identidades colectivas.

Porque este é também um sinal da nossa vitalidade: uma cultura em mudança permanente que reflecte sobre si própria e procura as raízes fundas da sua identidade para traçar, com segurança, os caminhos do seu futuro. Sobretudo, uma reflexão irrecusável.

abrir os olhos


Da total obliteração e apagamento, quando não raivosa crítica, passámos a um não disfarçado elogio, ainda que porventura de mal informado fundamento. Como é normal, todos fomos surpreendidos por este texto.

Afinal o que mudou? Foi o PCP Açores que, desde há muitos anos, coloca e continua a colocar as questões regionais e os problemas dos açorianos, no quadro da luta de todos os portugueses? Ou será que estamos perante um ataque tão brutalmente descarado à autonomia açoriana e ao nosso direito ao desenvolvimento, que os argumentos do PCP acabam por colher apoios mesmo nos mais inesperados sectores, permitindo levantar cegueiras de décadas de propaganda e preconceito? Serão talvez estes os tais ventos que limparam a areia dos olhos de CMB?

bruxarias da época

Pelos vistos, ultimamente, não passa uma semana em que esta gente não trompique nos próprios pés. Não sei se por causa da época de bruxedo em que a democracia parece andar envolvida, se bloqueados pela falta de luz ao fim do túnel, se por ralharem sem razão numa casa onde os papás (ex-desavindos) já se entenderam para tirar o pão…

Cumulativamente com a data do corte da República nos abonos de família a 8 575 crianças e jovens açorianos e o corte nas comparticipações dos medicamentos, Miguel Correia, o Secretário Regional da Saúde, informou os açorianos que, por sugestão das próprias administrações hospitalares, o Governo resolveu, a partir de 1 de Novembro, cortar o horário de atendimento das urgências pediátricas. De imediato o corpo hospitalar desmentiu o governante dizendo de viva voz que nunca acordara tal desiderato. Alguém estava a mentir portanto!

César, contornando convenientemente a questão, resolveu célere o assunto deitando mais gasolina para o lume. Com ar ameaçador e as sílabas marteladas avisou, para quem o quisesse ouvir, que “não há sectores intocáveis!” E eu que o ouvi, pensei: Estou de acordo! Tal como para outras áreas, para a administração política da saúde pública, não há sectores intocáveis, isto, claro, na mira de melhorar a qualidade da prestação dos serviços (supunha eu...). Ora, segundo o corpo hospitalar e ao contrário do que afirmou o Secretário Regional, não é este o caso. Além disso o que parece também, é existir aqui uma manifesta falta de diálogo com os agentes da saúde pública, sendo essa falta substituída por indisfarçáveis e lamentáveis tiques de autoritarismo da parte do Governo.

Para quem afirma publicamente reconhecer os efeitos sociais nefastos das medidas previstas do orçamento de Estado, cozinhadas entre PS e PSD, além de ficar mal não subscrever tal crítica quando ela é apresentada no Parlamento Regional, mais mal fica ainda acrescentar, por sua lavra e para consumo específico dos açorianos, outras medidas com efeitos potencialmente perniciosos!

Entretanto, do outro lado das famílias desavindas, na passada 2ª feira, a líder do PSD atirava-se de cabeça ao Governo Regional, numa reunião com a Associação de Industriais da Construção Civil e Obras Públicas, afirmando com toda a convicção do mundo que “importa não ter apenas verbas inscritas no Orçamento. Importa sim lançar as obras, executá-las…”!

Três dias antes, na reunião do Conselho Municipal de Educação, a Presidente da Câmara de Ponta Delgada, mostrando ao Governo como se deve fazer, anunciava que a autarquia tem “concluídos ou em fase de conclusão projectos de requalificação e ampliação de seis escolas de Ponta Delgada…”. Ora, das escolas então citadas, vem ao caso uma, a do Ramalho, que tem as verbas de requalificação inscritas no Orçamento do Município pelo menos desde Janeiro de 2009. Nesse mesmo mês, a Câmara anunciava que se preparava para intervir na sua beneficiação/ampliação com obras no valor de 800.000 euros. Estamos em finais de Outubro de 2010 e a única verdade testemunhável sobre estas obras é que elas permanecem…inscritas no Orçamento!

Serei eu que estou baralhado e, por bruxaria da época, a escola ficou pronta e eu fiquei cego? Ou a líder do PSD e a Presidente da Câmara de Ponta Delgada deixaram de ser a mesma pessoa?

Mário Abrantes

terça-feira, 26 de outubro de 2010

a esquerda não tem nada a ver com isto



O aparente dramatismo mediático em torno das negociações entre PS e PSD sobre o Orçamento de Estado é revelador da urgente necessidade que estes partidos têm de aparentar divergências sobre políticas em que, no fundamental, concordam: fazer todo, mas mesmo todo, o possível para deixar intocado o status quo económico, à custa de continuar a agravar as desigualdades sociais, fazendo caír o grande fardo de sacrifícios sobre os que têm sido continuamente sacrificados, explorados e excluídos dos frutos da riqueza que gerámos nas décadas de oitenta e noventa.

E essa é a questão de fundo. Porque foi opção do PS, desde as primeiras horas do adensar da crise orçamental do país negociar sempre à direita e nunca à esquerda. PEC's (1, 2 e agora 3), revisão constitucional, orçamento, em todas as matérias mais fundamentais para o futuro do país, a opção do PS foi a de fugir para os braços calorosos da direita, fechando todas as portas a entendimentos com os partidos à sua esquerda, apesar dos evidentes sinais de abertura, por exemplo da parte do Bloco de Esquerda.

Essa opção diz muito sobre o distanciamento da actual direcção socialista em relação aos fundamentos ideológicos que estiveram na base da fundação do PS. Há uma geração de dirigentes socialistas que esqueceu todo um importante conjunto de lições, vindas do pós-guerra, sobre a necessidade de equilíbrio social, que foram duramente aprendidas pela social-democracia europeia. Interiorizaram, bem demais, o credo capitalista liberalizante. São agora prisioneiros do seu próprio pragmatismo a-ideológico.

Quando o país entrar em ruptura, como fatalmente vai acontecer em resultado das medidas recessivas, Passos Coelho e Paulo Portas irão tentar capitalizar o falhanço da "esquerda", mas enganam-se. A esquerda não tem mesmo nada a ver com isto.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

que rico PEC


Temos muito a agradecer à consciência social do PS e do PSD.

descubra as diferenças

Cá, como lá: na Região como na República o PS e a sua política não é muito diferente: Cortar primeiro nas áreas sociais essenciais

Esta notícia assume contornos de uma verdadeira obscenidade quando pensamos quanto é que se gastou no espectáculo das supostas maravilhas ou na famosa festa de bar aberto em Lisboa para promoção dos Açores.

Entre César e Sócrates, um doce para quem descobrir diferenças!

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

o nosso paraíso fiscal é um jardim








Polícia italiana manda deter três gestores da Madeira
Empresas sedeadas no "off-shore"suspeitas de evasão fiscal

fora do tempo

O artigo de opinião da deputada do PS Cláudia Cardoso (repetido em estéreo nas edições de hoje do Açoriano Oriental e no Diário Insular) tenta esforçadamente demonstrar-nos que o Governo Regional lamenta muito os cortes de verbas de José Sócrates que prejudicam os Açores e que já estão a tomar medidas para minimizar o seu impacto.

Este raciocínio redondo do "apoiamos mas lamentamos" demonstra bem o beco sem saída em que se encontra o PS Açores que, quando dá jeito apoiam o Governo de Sócrates, mas quando não dá, já não têm nada a ver.

Sobretudo, demonstra a forma como partem derrotados à partida para a batalha do Orçamento de Estado. Naturalmente que concordo com quaisquer medidas que minimizem o roubo feito aos portugueses pelo PEC. Mas este é, sobretudo, o momento para recusar essa política, para a combater, para a tentar alterar, em sede de discussão do OE.

Mas isso não faz o PS Açores, acenando com uns míseros paliativos para tentar distrair os açorianos das medidas que, verdadeiramente, apoia. apesar do seu verbalismo autonomista, a verdade é que não estão disponíveis para defender os Açores e, por isso, rejeitaram a proposta do PCP.

A prosa melíflua, embora brilhante (reconheça-se) de Cláudia Cardoso serve para isto: mostrar-nos como o PS Açores está já derrotado antes do tempo.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

wrestling profissional

Queixando-se do corte de verbas para as autarquias previsto no Orçamento de Estado proposto pelo PS, Berta Cabral afirma que Carlos César trocou os Açores por Sócrates. Entretanto Sócrates troca o País pelos mercados financeiros e o PSD, com (ou sem) mais um pedido de desculpas aos portugueses, decide… apoiar! E aqui temos como se entorna o caldinho pela mão de quem diz que o quer segurar...

Mas não se pense ser este apenas um caso de força maior, pois se recuarmos no tempo, até 22 de Fevereiro deste ano, uma publicação do “insuspeito” Instituto Sá Carneiro (do PSD), sem que nessa ocasião a Presidente deste partido nos Açores se rebelasse, já advogava como medida de curto prazo, “para diminuir a despesa pública”, uma “Redução de 10% das transferências do Estado para as Autarquias e Regiões Autónomas”. Medida essa aliás brilhantemente seguida e anunciada a 13 de Maio, com a bênção oportuna da visita papal, na apresentação do PEC 2 feita por…Sócrates.

César, pelo seu lado, preparando-se para rejeitar no Parlamento Regional a condenação das novas e gravíssimas medidas restritivas promovidas pelo seu partido, e subestimando o corte de verbas previsto no OE para as autarquias, prefere desviar as atenções e atacar antes a Câmara Municipal de Ponta Delgada acusando-a de gastar acima das suas possibilidades. Na mesma ocasião, José San Bento e os outros vereadores municipais do PS, numa dita de cooperação (“sem abdicar de divergências de fundo”, segundo eles) dispõem-se a… apoiar o orçamento da gastadora!

Tão amigos que eles se tornam em tempos difíceis…para os outros, claro!

O que isto mais me parece é a versão política de um jogo de wrestling profissional, uma arte de representação, onde os executantes criam um espectáculo de entretenimento simulando um combate desportivo, atacando-se de forma brutal e por vezes baixa, aparentando divergências de fundo (ao contrário de retóricas de vereadores), mas que estas se esfumam quando necessário e o público já pagou (votou) os bilhetes, para dar cobertura à natureza do “negócio”, como condição comum de sobrevivência mútua. Aquilo que os separa não é afinal a divergência de fundo, mas apenas jogos de poder…até que o árbitro os mande parar.

E o que se está passando neste país, é que alguém - os banqueiros e os mercados financeiros, pouco interessados se o executante será o PS ou o PSD, os mandou parar de momento com a jogatana porque outros valores mais altos se levantam e porque, não havendo maioria absoluta, os dois são necessários, não um de cada vez, mas ambos em simultâneo, para recrucificar o Zé Povinho. Pois é disso que se trata! Pelo menos 85 % das medidas do PEC 3 são para (voltar a) extorquir às famílias e aos de mais baixos rendimentos, segundo reconhece o misericordioso Bagão Félix, apesar de logo de seguida, não certamente por coerência de raciocínio mas provavelmente também a mando, afirmar que elas são as medidas necessárias (?)

“Obrigado por se orgulharem de nos tirar as coisas por que lutámos e às quais temos direito. Obrigado por nos tirarem até o sono. E a tranquilidade. E a alegria. Obrigado pelo cinzentismo, pela depressão, pelo desespero. Obrigado pela vossa mediocridade. E obrigado por aquilo que podem e não querem fazer. Obrigado por nos exigirem mais do que pudemos dar. Obrigado por nos darem em troca quase nada. Obrigado por serem o que são. Obrigado por serem como são. Para que não sejamos também assim. E para que possamos reconhecer facilmente quem temos de rejeitar.” (De um poema de Joaquim Pessoa)

Mário Abrantes

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Autonomia para lá das palavras


A actual Constituição já o permite e o actual Estatuto já o prevê. No entanto, PS e PSD nunca tiveram grande interesse em regulamentar os referendos regionais para que possam ser efectivamente postos em prática.

Entre outras razões, talvez porque, se for aprovada, esta Lei vai permitir referendos por iniciativa dos próprios cidadãos. É que, ao contrário do centrão, para o PCP, Autonomia só se entende quando conjungada com Democracia. E é preciso passar das palavras aos actos para as conjugar.

renovar à moda antiga

Depois de uma enormidade destas por parte da sua figura tutelar, a modernaça "renovação comunista" está com cada vez mais cara de traição à moda antiga.

a palhaçada do orçamento


Como, aliás, era esperado. As constantes dramatizações e as declarações bombásticas, ameaçando moções de censura (semanas apenas depois do PSD ter votado contra a moção de censura do PCP) do líder do PSD nunca conseguiram iludir o facto que, depois do acordo dado ao PEC, o PSD ía mesmo viabilizar o Orçamento de Estado.

E não podia fazer outra coisa porque em relação às piores medidas que o OE consagra (reduções de salários, cortes nas prestações sociais, aumento de impostos) o PSD está completamente de acordo.

Os portugueses, esses, ganharam apenas o entretenimento grátis das palhaçadas e cambalhotas do líder do PSD, desesperadamente a tentar diferenciar-se das soluções que apoia e afirmar-se como alternativa a Sócrates, que nitidamente não é.

inutilidade


Está assim a questão naturalmente reconduzida à inutilidade política que sempre foi. Como já aqui escrevi, a eliminação desta figura representaria, no plano simbólico e no plano político, avançar para uma outra arquitectura do estado, já não unitário, mas sim federal. E, também já o disse, essa era uma fronteira que esses três partidos nunca atravessariam, apesar do raivoso verbalismo autonomista dos respectivos líderes regionais. Carlos César, Berta Cabral e Artur Lima sabiam-no muito bem. E, por isso se puderam entregar a essa feliz e descontraída irresponsabilidade para obter ganhos políticos.

O que resta? A clara demonstração do escasso peso político que as estruturas açorianas destes três partidos têm nas suas estruturas nacionais e, sobretudo, a inutilidade dos jogos políticos a que tantas vezes se entregam. Como é que podem esperar não ser menorizados se andam a brincar à revisão constitucional passando ao lado dos problemas reais dos açorianos?

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

sociedade do conhecimento à portuguesa

não podia estar mais de acordo

Sobre outro produto que conhece bem, o golfe, Albano Cymbron também não tem grandes dúvidas em afirmar que os Açores terão de esperar ainda vários anos até este produto se afirmar e sempre como complemento, nunca como aposta principal na atracção de turistas. E o recado ao Governo foi deixado de uma forma bastante clara: “o que se fez fez-se bem, temos dois belos campos em São Miguel, mas não gastem mais dinheiro a fazer campos em Santa Maria e no Faial, porque um campo de golfe não é uma estrada e, se não se toma muito bem conta dele, ele torna-se rapidamente num pasto e é preciso fazer tudo de novo”.

O insuspeito empresário Albano Cymbron veio, na sua entrevista de hoje ao AO, dar razão ao PCP sobre a inutilidade de andar a espalhar a eito campos de golfe pelas ilhas fora. Elefantes brancos já cá temos muitos!

moderar as maiorias


É óbvio que a fiscalização e promulgação dos diplomas não pode ser feita pelo mesmo órgão que os legislou. E, nos Açores, só existe um órgão com poder legislativo: o Parlamento Regional.

Na arquitectura da nossa Democracia, esta figura faz falta. E faz falta no sentido de moderar o poder absoluto das maiorias absolutas que podem dominar Governo e Assembleia. Por outro lado, a actuação comedida e prudente do actual Representante em nenhum momento se tornou um obstáculo às opções políticas açorianas. Pelo contrário, a obediente submissão do PS Açores às políticas de José Sócrates, essa sim, é que tem vendido a nossa Autonomia por dez reis de mel coado. Veja-se a atitude do PS Açores em relação à dívida da República para com os municípios açorianos...

Outro exemplo do que digo é o facto da (estranha, no mínimo) proposta do CDS-PP Açores de criar um Ministro dos Açores não foi aceite pelo CDS-PP nacional. Pois... Pode ser que tenha algo a ver com a democracia interna dentro de cada umadas forças partidárias. Com centralismo tem certamente.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

o défice a matar a economia



É que se a contenção do défice público é um objectivo útil e necessário não pode, no entanto, ser atingido à custa do crescimento económico. Porque senão, estaremos em breve com um novo e agravado problema nas contas públicas (se não se produz, também não se gera receita fiscal) e em muito piores condições para o enfrentar.
As medidas recessivas tomadas pelo Governo são o caminho mais curto para o abismo. Tem de ser "a economia a matar o défice" e não o contrário!

Sobre o PSD, é irresistível recordar esta frase de Bernardino Soares: "Bernardino Soares lembra que o PCP apresentou uma moção de censura nesta legislatura e que o PSD não a votou. “O PSD chumba a censura quando ela existe e ameaça com ela quando a Assembleia da República já não pode ser dissolvida. É o estilo conhecido popularmente como ‘agarrem-me senão eu mato-o’ aplicado à política nacional”

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

insustentável

Leio no Relatório do Parque Automóvel da Região Autónoma dos Açores que somos das regiões do país com mais veículos por habitante e, pior, a Região onde, ao contrário do Continente, o parque automóvel continua a aumentar substancialmente.

Mas ainda mais estranho é o facto de São Jorge ser a ilha com mais veículos por habitante. Mas... depois de se conhecer a absoluta ausência de transportes terrestres nesta ilha, bem como a sua geografia, claro está, talvez não pareça assim tão estranho.

O que isto é com certeza é completamente insustentável. Do ponto de vista ambiental, mas também económico. Cruzem a estatítistica do PIB per capita com este dado e ficamos a perceber a dimensão da fatia do orçamento das famílias açorianas que é absorvida pela questão do transporte individual, habitualmente o único disponível. Também vale a pena olhar para este fenómeno em termos dos seus efeitos na nossa dependência energética e, mesmo, do endividamento na Região. Serão precisos mais argumentos para percebermos a urgência e prioridade que deve ter a criação de uma verdadeira rede de transportes públicos terrestres?

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

a coroa da República

Na cidade da Horta as comemorações oficiais da Implantação da República reduziram-se à colocação de uma coroa de flores na recém-recuperada estátua do Presidente Manuel de Arriaga.

É o grau zero das comemorações já puramente institucionalizadas, formais e vazias de conteúdo, mas teve uma vantagem, diga-se. É que sempre serviu para que fosse finalmente recuperada a estátua do primeiro Presidente da República que, de há muito, oferecia um triste espectáculo de degradação e abandono em pleno cais de Santa Cruz.

Foi pena que nem a CMH nem o Governo tivessem optado por colocar uma coroa de flores na casa desse mesmo Presidente, que espera, há décadas, em ruínas, por esse bonito gesto. E, já agora, o que dava mesmo jeito era colocar mais umas quantas coroas nos muitos imóveis degradados do centro histórico da Horta. Sempre se ia arranjando a cidade!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

conceitos de duvidosa utilidade

“Considero-me tão deputada dos Açores como qualquer outro”!

Palavras sensatas de Ilda Figueiredo ao Açoriano Oriental desta segunda-feira, aquando da sua passagem mais recente pelos Açores, acompanhada pelo colega de bancada – João Ferreira, também eleito pela CDU ao Parlamento Europeu (PE).

Referia-se ela certamente a um erro conceptual, artificialmente sustentado pela maioria dos média regionais, que consiste no facto de apenas se considerarem no PE, como representantes dos Açores, o deputado do PS - Luis Paulo Alves e a deputada do PSD – Mª do Céu Patrão Neves.

Ora qualquer destes dois deputados, independentemente da sua origem ou área de residência, integraram listas nacionais e foram eleitos com votos de todo o país. Antes de tudo, são portanto deputados portugueses, do PS e do PSD, no PE. Por mais que nos Açores digam o que bem entenderem dizer, em Bruxelas (com maior ou menor convicção) votam várias vezes em sentido diverso do dos interesses açorianos e a favor de interesses alheios. Por exemplo, por muito que lhes custe admiti-lo, foram cúmplices perfeitos na aprovação do Tratado de Lisboa que retirou a nossa soberania completa sobre a Zona Económica Exclusiva. Também por isso, na ocasião própria, tiveram de ser deputados, não dos Açores, mas da Madeira, para garantir a aprovação no PE de uma resolução favorável à solidariedade financeira da União para com aquela Região.

A força dos Açores no PE não se altera significativamente pelo facto de naquele parlamento existir um deputado ou outro, natural ou residente nos Açores, mas sim pelo facto de os partidos portugueses nele representados, ou mesmo os deputados portugueses no seu conjunto, assumirem ou não, em paralelo com as outras, as suas responsabilidades para com a Região.

Precisamente conscientes dessa responsabilidade, foram vários os desafios referidos ou deixados por Ilda Figueiredo e João Ferreira no respeitante aos Açores. De entre eles, destacamos:

Defendendo o estímulo ao mercado interno, estes deputados do PCP propuseram no Parlamento Europeu a dinamização de um mercado inter-ilhas, bem como no espaço da Macaronésia, como forma de melhorar o escoamento e incentivar a produção regional.

Considerando que os açorianos devem ter o direito a produzir o que entenderem e a definir livremente os moldes do seu desenvolvimento, defenderão em Bruxelas a criação de um Programa de Desenvolvimento Integrado para a Região, na base do qual se deverão reforçar os apoios específicos da UE aos Açores.

Irão defender ainda a criação de uma linha de crédito para apoio às cooperativas que comercializam adubos e outros factores de produção na Região.

Afirmam que o fim das quotas leiteiras não é inevitável e, destacando como central a defesa desse regime, apresentaram recentemente no PE uma iniciativa que visava a anulação da decisão de acabar com elas, mas que foi chumbada. Onde estavam, na ocasião, os outros senhores deputados dos Açores? É que o PS, o PSD e o CDS votaram contra…

Mário Abrantes