sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

chegámos à coesão

O Governo Regional, alterou as regras para os Projectos de Interesse Regional, sendo que agora, os realizados no Faial e Pico gozam dos mesmos apoios que os das chamadas ilhas da coesão (ponto 6 do comunicado).

A medida - de que não discordo - vem no seguimento lógico da situação real do que tem sido a estagnação e mesmo o retrocesso do desenvolvimento da nossa ilha. Encerramentos de empresas e serviços, projectos de investimento cancelados ou adiados sine diae, perda de população, de competitividade, de poder de atracção.

O atraso ou inexistência de investimentos estruturantes (como o porto, a marina, o aeroporto, a rede viária, o ensino superior, entre outros) prejudicaram a criação de um perfil de especialização económica que é o que dá sustentação a uma cidade. Simultâneamente, o desenvolvimento que se regista no Pico em vez de ser, como deveria, uma oportunidade para a cooperação e afirmação da importância deste conjunto de ilhas, transformou-se em atracção concorrencial, por vezes alimentada por uma rivalidade serôdia.

A perda de importância da Cidade da Horta enquanto centro de actividades, serviços e trocas tem impactos que extravasam em muito os limites da ilha do Faial. Podemos estar perante a decadência irreversível de um modelo de desenvolvimento regional tripolar, com grave prejuizo para a verdadeira coesão dos Açores no seu conjunto.

É verdade que o centralismo existe nos Açores e muitos há que, motivados pelo mecanicismo dos números, defendem a concentração de esforços e investimentos na(s) ilha(s) de maior dimensão. Também é verdade que o Governo Regional não contraria esta tendência - pelo contrário, é um dos seus agentes - , pois as suas prioridades são sobretudo definidas pelos benefícios eleitorais que retira de cada obra e de cada medida. Mas também é verdade que é o conformismo dos faialenses que tem permitido a perda de peso político da nossa ilha.

Historicamente, os momentos de maior desenvolvimento e preponderância da cidade da Horta corresponderam sempre a momentos de forte afirmação política e de recusa de subserviência a poderes externos. E isto é válido tanto para o passado remoto como para os anos mais recentes. É mais do que tempo de ultrapassar a camisa-de-forças partidária em que nos aprisionaram e começar a colocar as perguntas e a exigir as respostas de que o Faial precisa. Mesmo que isso incomode os poderes instituídos e as consciências acomodadas.

3 comentários:

Anónimo disse...

Os Faialenses apostaram mal.

Quando se cozeram com os governos laranjas e permitiram que se instituisse esta autonomia, onde o poder politico e económico tem arraiais assentes em Ponta Delgada.

Estavam à espera de quê?
Da paga?

Em politica não há amigos.

Anónimo disse...

"o desenvolvimento que se tem registado no Pico"?
qual desenvolvimento? aqui não vemos nada a acontecer!

se o governo privilegia, como diz, as ilhas de maior dimensão (Pico a 2ª) e maior número de eleitores (pico até bem pouco tempo a 3ª)por que raio o Pico tem sido a 5ª em investimento?

espero bem que as coisas comecem em breve a sorrir para as nossas ilhas do triângulo...

Tiago R. disse...

O Pico tem, de facto, razões de queixa em termos do investimento do Governo, mas parece-me que a rivalidade e a competição entre os seus municípios tem feito mais mal do que bem.

Quando ao desenvolvimento registado, creio que é um facto se olharmos para o turismo, agricultura, produtos específicos, produtos alimentares transformados. Mesmo que não tenha grande reflexo no dia a dia dos picoenses. Mas está a tornar-se uma das importantes ilhas exportadoras dos Açores. Ao contrário do Faial, diga-se.

Toda a razão em relação à necessidade da complementaridade das ilhas do Triângulo. Mas aí temos sobretudo de falar de transportes, que chegam com 500 anos de atraso!