O artigo de capa de hoje do AO embarca alegremente no triunfalismo numérico da satisfação estatística.Destacando apenas alguns dos números publicados pelo INE, o AO vem-nos dizer que os Açores cresceram acima da média nacional, que o rendimento das famílias melhorou e que economicamente foram a melhor região do país. Numa análise numérica superficial - afinal a única que interessa ao governo embora não aos leitores - é verdade.
Tentando ir para além da superfície dos números, importa lembrar que em 2008 todo o país cresceu, fruto do aumento investimento público e que, nos Açores, esse crescimento quase paralisou em 2009. Se somarmos a esse dado o congelamento do VAB, o escasso aumento do' investimento, a redução no emprego, os encerramentos de empresas, percebemos a escassa sustentação desse crescimento. E também não podemos deixar de nos lembrar que 2008 foi ano de eleições regionais.
São números que servem sobretudo para mostrar o papel essencial do investimento público que, para lá da retórica aprendida à pressa nas escolas do pensamento neoliberal, continua a ser efectivamente o motor da economia portuguesa e, de forma ainda mais clara, da açoriana. Portanto, já todos podemos imaginar o que vai acontecer em 2011, com as medidas de austeridade. Só que isto, infelizmente, para o AO não foi notícia.
2 comentários:
Eu, açoriano dos quatro costados, fico contente quando as coisas melhoram.
E quem conheceu estas ilhas há quarenta anaos, sabe muito bem que mudaram, e muito, para melhor.
Há contudo quem não goste. Ou porque vive mal com a vida, ou porque quer tudo nivelado pela miséria, ou porque não gosta.
São posturas.
O problema não está no que melhorou (e estranho seria se não melhorasse com a catrefada de milhões que a UE tem injectado na Região!).
O problema está na falta de sustentação real desse crescimento que faz temer que, quando se fechar a torneira europeia, talvez em 2015, talvez antes, volte tudo atrás.
O problema é que o desenvolvimento real está muito para lá destes números.
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