quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

As opiniões que quem despede

O presidente do BPI – banco que continuou a aumentar os seus lucros em 2010, apesar da crise – segue uma estratégia velha para baralhar e confundir as recentes discussões em torno dos despedimentos. Sabendo que não há risco do Governo encarecer os despedimentos, afirma que estem devem ser mais fáceis (que creio poder afirmar, é recusado esmagadoramente pelo povo Português) e mais caros.

Ulrich conhece bem este Governo. Sabe bem que, ao assim falar, não corre riscos de ter de pagar mais de cada vez que despedir um trabalhador. Aliás, se é esta a sua opinião, pode-se perguntar: será que cada despedimento que faz, este presidente de salário chorudo dá mais qualquer coisinha para além do que a lei obriga? Terá ele esta generosidade para com os trabalhadores que despede, e que são quem na prática dão lucro ao banco?

Os despedimentos, em Portugal, têm sido facilitados pelas revisões da legislação e têm aumentado anualmente. É, aliás, uma das principais causas da crise social e económica que passamos.

A única razão válida para um despedimento é o incumprimento dos deveres por parte do trabalhador. Tudo o que for para além disto é considerar o Ser Humano como um “produto” descartável, algo que podemos deitar fora depois de já não ser preciso. É esta a lógica do capitalismo, é esta a lógica do sr. Ulrich, é esta a lógica do Governo.

Seguindo o exemplo deste senhor, faço uma outra proposta, com a qual não concordo, e que sei que não corre riscos de ser aceite: cada trabalhador que seja despedido deve receber nesse momento a diferença entre o salário que foi recebendo ao longo dos anos de trabalho e o lucro que deu a ganhar ao seu patrão. Parece mais justo. Provavelmente, duplica os salários que recebeu ao longo da sua vida.

Não concordo com esta proposta porque não acho que as pessoas possam ser de um momento para o outro desconsideradas. Conheço os efeitos que tem em quem se dedicou ao seu trabalho, perdê-lo. Mas esta minha proposta, talvez mais justa e honesta, não deve acolher a boa opinião do presidente do BPI.

4 comentários:

Anónimo disse...

Se não fosse na mira do lucro, ninguém investia e não havia emprego.
Quem trabalha, tem que produzir o que ganha e ainda dar lucro a quem lhe dá emprego.
Quem só quer o lucro, e não quer pagar salários justos, não pode ser considerado sério.
Quem não produz o que ganha e induz o patrão na falência, não pode ser considerado sério.

O problema português é a falta de mérito. Que se esforça e trabalha não pode estar ao mesmo nível de quem é malandro e engana o patrão.

Quem é patrão não tem que dar emprego a quem não cumpre as suas obrigações laborais.
Quem trabalha e cumpre com as suas obrigações, não pode estar à mercê do patrão.

Tiago R. disse...

Para trabalhadores que não cumprem, há muito tempo que a lei laboral prevê mecanismos para o seu despedimento.

Não é disso que se trata. O que Ulrich quer é que lhe fique mais barato despedir quando quer reduzir despesas em tempo de crise.

O que este tipo de medidas faz não é tornar seja quem for mais produtivo, mas apenas aumentar o desemprego no país.

Anónimo disse...

Discordo.
Nunca há razões para despedir quem produz.

Tenho muita pena de quem fica desempregado. Há dramas po aí.

Mas também tenho pena de quem vê o negócio andar para traz, por incompetencia dos empregados que a lei obriga a aturar.

Dr Koch disse...

um comentario estranho, por essa logica ainda estavamos todos pobres a plantar batatas nos campos