sábado, 12 de fevereiro de 2011

a moçãozinha

Manuel Queiroz, do Jornal I, não é das pessoas com que costumo concordar. Definitivamente. No entanto, a sua análise sobre a moção de censura do Bloco de Esquerda dificilmente poderia ser mais acertada.

Tem razão quando aponta a óbvia contradição entre considerar que não faz sentido nenhum uma moção de censura (supostamente do PCP) e afirmar peremptoriamente que não farão o favor à direita numa semana, para na semana seguinte apresentar uma moção de censura própria. O que Jerónimo de Sousa afirmou foi que "A moção de censura é um instrumento constitucional de que não prescindimos, sem que façamos dele o alfa e o ómega da solução dos problemas nacionais." E foi o suficiente para que começassem a soar os alarmes na sede do BE e para que a preocupação precipitada de uma suposta "ultrapassagem" tomasse o lugar de toda a inteligência.

Tem razão quando diz que "O BE esteve três ou quatro meses calado sobre o governo, por causa da campanha eleitoral presidencial, e agora quer recuperar o terreno perdido à esquerda." O erro da precipitação no apoio a Alegre (que fez mais mal que bem, diga-se) teve um custo elevado para o BE.

Tem razão quando diz que o BE é movido pelo populismo que lhe permitiu tornar-se numa eficiente máquina eleitoral e, acrescento eu, gerida pelos impulsos mais ou menos ponderados (ou, como neste acaso, absolutamente imponderados) do reduzido directório de cabeças supostamente iluminadas que o conduzem, quantas vezes ao arrepio da vontade dos seus próprios militantes.

Tem toda a razão quando diz que o BE estará eventualmente a avaliar votar contra a sua própria moção. Porque esta, afinal, não passa de uma censurazinha que Portas e Passos Coelho não deixarão de aproveitar.

1 comentário:

Anónimo disse...

As gentes do bloco são desempoeiradas.
São leves, corriqueiras e agradáveis no falar.

Qual irá ser o voto do PCP?
Contra ou a favor da moção?