segunda-feira, 24 de outubro de 2011

o Euro morreu, viva a Europa!

A genialidade manifesta-se muitas vezes na capacidade de, sem perda de rigor, tornar-se simples o que aparentava ser complicado. E essa é a característica do brilhante artigo de João Caraça no Público de hoje, sobre "A quimera do Euro".

Nos tempos loucos que vivemos faz todo o sentido relembrar o bê-á-bá: "a moeda modo muito eficiente de se avaliar um dado produto para troca comercial, sem ter de se recorrer aos complicados juízos que a troca directa requer." E que "o dinheiro, a moeda, as finanças, têm uma natureza imaterial, convencional, isto é, a sua operação repousa sobre princípios convencionados socialmente, consentidos e aceites. A base material da moeda é um acessório para a tornar mais credível: a moeda é um artefacto comunicacional."

A fixação monetarista em torno do Euro implica continuar a defender a ideia de uma moeda sem qualquer ligação à economia real, e à riqueza real, que lhe serve de suporte.

Procurar manter a ficção do Euro numa Europa cada vez mais desigual, a muitas velocidades diferentes, em nada vai contribuir para o futuro do Projecto Europeu, embora seja sem dúvida a morte deste projecto. Nem um dia cedo demais, se as nações europeias souberem aprender com o passado e quiserem, agora sim, começar a construir uma Europa de justiça social, igualdade e verdadeira coesão económica e social.

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