quinta-feira, 10 de novembro de 2011

cortar as amarras


Dito desta forma até poderia parecer uma ideia interessante, que terminasse, por exemplo, com a absurda situação do Director da RTP Açores para comprar uma esferográfica ter de pedir autorização a Lisboa. O problema é que, por trás desta aparência, do que verdadeiramente se trata é de poupar despesa ao Governo da República e apenas isso.

A prová-lo estão os cerca de 300 despedimentos previstos no ano de 2012 que irão desarticular toda a capacidade de produção própria da RTP, que é afinal a sua grande, senão única, mais valia. Despedimentos que vão afectar ainda mais duramente a nossa RTP Açores, cronicamente subdotada em termos de meios técnicos e humanos. Portanto, aquilo de que o Presidente da RTP falava ontem na Assembleia da República não era de autonomia para gerir os recursos que existem, mas sim de autonomia para gerir a total ausência deles. As RTP's regionais passam a ser livres de falir ou fechar portas, porque Lisboa lava daí as suas mãos.

Ou, então, terão de ser as Regiões Autónomas a financiá-las. Uma ideia que é, em múltiplos aspectos, perigosa:

Primeiro, o exemplo da relação de Alberto João Jardim com os média, e a tendência do nosso próprio Governo Regional para os tentar manipular e controlar, deviam alertar-nos para a importância existirem órgãos de comunicação social independentes do poder regional. Uma questão que é fulcral para a Democracia nas ilhas.

Segundo, nesta questão como em tantas outras matérias (até nas evacuações médicas da Força Aérea!), o Governo da República vira cada vez mais as costas aos Açores, negando-se a cumprir as suas obrigações constitucionais. Faz lembrar políticas antigas em tempos de crise, com o abandono de colónias e territórios à sua sorte, para concentrar os recursos na metrópole. O Governo do PSD/CDS-PP esquece-se que a unidade nacional depende justamente do cumprir destes compromissos e que ninguém sabe muito bem onde nos pode levar esta política de cortar as amarras com os Açores.

2 comentários:

Nuno Barata disse...

"(...) a nossa RTP Açores, cronicamente subdotada em termos de meios técnicos e humanos (...). A RTP-A não é subdotada nem de meios técnicos nem humanos, é desgovernada há anos apesar de ter muitos meios técnicos e humanos e bastante honerosos. Dêm-me metade dos 13 milhões e garanto que faço melhor.

Nuno Barata disse...

A RTP-A, é aboslutamente necessária para a garantia da unidade nacional e da identidade regional. A RTP-A não pode ser reduzida a uma janela de 4 oiu 5 horas, nem pode ser dirigida desde Lisboa. Mas, a RTP-A custa muito mais do que devia e a culpa nisso também é de Lisboa. Autonomia. sim. Redução de custos, sim. Mas, não me venham com cantigas sobre a quetão das horas e dos direitos adquiridos dos trabalhadores esses(alguns e larga maioria)são os primeiros culpados do estado a que a RTP chegou.